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CAPELANIA INFANTIL

“ Se Jesus é Deus e morreu por mim, nenhum sacrifício é demasiadamente grande para eu fazer por Ele”

(C.T. Studd)

 

O que é Capelania?

 

Capela deriva-se do latim expelia, uma capa. Esse termo foi inicialmente aplicado ao lugar onde São Martinho guardava sua capa. Veio então a significar um pequeno trecho, uma ala subordinada ao edifício principal, embora contendo o seu próprio altar (que vide), Mas também dava a entender um lugar onde se efetuava adoração particular, á parte da capela organizada. Assim, os lugares de adoração existentes em lares, escolas e outros lugares foram da capela recebem esse nome. Em algumas traduções da Bíblia, a palavra capela aparece em Amos 7.13 para indicar o santuário de Jeroboão em Betei.

 Foi ali que aquele monarca estabeleceu o seu culto real ao bezerro de ouro, que veio a tornar-se um culto rival daquele efetuado no templo de Jerusalém (I Reis 12.25-33). Amazias tornou-se o sacerdote desse santuário (Amós 7:10-17)

Nos hospitais que contam com este ministério são melhor conceituados por terem visão holística, renovando a esperança  e a força para lutar e trazendo novo desejo de vida aos pacientes hospitalizados ou em tratamento ambulatorial.  Em muitos casos, a Capelania ajuda a preparar o paciente terminal e sua família  para enfrentar a morte próxima, trazendo-lhes consolo e esperança da vida eterna.Pesquisas científicas têm sido publicadas reafirmando o impacto da fé sobre a saúde física e mental de pessoas que têm uma fé intrínsica e demonstram frequência a uma comunidade religiosa. Nestas pesquisas torna-se evidente que o grupo dos cristãos ocupa o centro das respostas favoráveis, o que nos faz lembrar que muito além da “fé na fé”, estas pessoas têm em Cristo a resposta para suas vidas, sendo ajudados e sustentados por Ele em todos os momentos

 

Capelania não é:

 

  1. Ativismos religioso
  2. Ocupação de tempo
  3. Fuga de atividades rotineiras
  4. Uma forma de fazer o bem para “ganhar o céu”
  5. Simples busca de realização pessoal
  6. Busca de fiéis
  7. Desempenhar papel para fazer relatórios
  8. Fazer o bem com motivação de reconhecimento público
  9. Praticar boas obrar por tradição familiar ou religiosa
  10. Ostentar certificado ou “carteirinha”

 

Capelania é:

  1. Acessoria espiritual sem priorizar placa de igreja
  2. Apoio espiritual e psicológico
  3. Encorajar pessoas em situação de conflitos e dúvidas
  4. Aconselhamento Bíblico
  5. Ministrar sobre todos os atributos de Deus
  6. Tentar “amenizar” a dor, encorajar a lutar
  7. Ouvir
  8. Demonstração de Ajuda do Alto
  9. Praticar o amor de Deus
  10. Auxiliar pessoas a receberem amor e perdão incondicional de Deus

 

Lei sobre Capelania nos Hospitais RJ

LEI Nº 4.622, DE 18 DE OUTUBRO DE 2005 
 

Autoriza o Poder Executivo a criar o Serviço Voluntário de Capelania hospitalar no Estado do Rio de Janeiro.

A Governadora do Estado do Rio de Janeiro,
Faço saber que a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro decreta e eu sanciono a seguinte Lei:


 

Art. 1º - Fica o Poder Executivo autorizado a criar, nos hospitais públicos do Estado do Rio de Janeiro, o serviço voluntário de Capelania Hospitalar, com vistas ao atendimento espiritual fraterno dos pacientes internados e seus familiares.

Art. 2º - O Serviço de Capelania Hospitalar ficará subordinado à Direção do Hospital, cabendo ao Diretor aceitar ou não as indicações que se façam.

Art. 3º - O serviço voluntário será exercido mediante a celebração de termo de adesão assinado entre a entidade hospitalar e o prestador de serviço voluntário.

Art. 4º - O Serviço de Capelania Hospitalar deverá ser orientado por um Capelão voluntário, preferencialmente, formado em Teologia.

§ 1º - Na impossibilidade de se atender ao disposto no caput deste artigo, poderá o serviço ser coordenado por um leigo que apresente iguais condições para tal.

§ 2º - O serviço não poderá, em hipótese alguma, estar vinculado a nenhuma religião específica, devendo aceitar representantes dos diferentes credos existentes no país, respeitando o que preceitua o artigo 5º, incisos VI e VII da Constituição Federal.

Art. 5º
- Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, estando revogadas as disposições em contrário.

 

O que é capelania Infantil?

 

A Capelania Infantil é um trabalho voluntário ministerial de atendimento espiritual, psicológico e emocional ao pequenino.

 

A missão da Capelania Infantil:

 

Atuar com crianças através de voluntários capacitados que levam amor, conforto, respeito e esperança ás crianças e aos familiares, vivendo a fé cristã através do atendimento espiritual, emocional, social, recreativo e educacional, sem distinção de credo, raça, sexo ou classe social, em busca contínua da excelência no ensino e no ministério de consolo e esperança eternos.

Temos então a missão de levar a paz e a alegria do Espirito Santo a todos os lugares e a todos pequeninos.

 

 

Por que fazer capelania infantil ?

 

  • É nosso dever viver e falar do evangelho. (Marcos 16:15).
  • Porque estão em Perigo (Mateus 18:14)
  • Jesus disse:Deixai vir a mim os pequeninos ".
  • (Marcos 10:14)
  • Porque é uma ordem dada por Jesus (João 21:15/Marcos 10:14/ Provérbios 22:6)
  • Porque Jesus se importa com as crianças e as valoriza
  • (Mt. 21.16, 11.25/ Mc 9:36)
  • È nosso dever ajudar o próximo

 Trabalho   de Capelania com as Crianças

 

  • Amor e Atitude
  • Esperança
  • Investimento
  • Oração
  • Urgência

Necessidades das Crianças

  • Amor
  • Atenção
  • Carinho
  • Ação
  • Oração
  • Aceitação
  • Palavra de Apoio

O papel do Capelão de Crianças

A tarefa do capelão infantil não é tão simples como se imagina. É um trabalho complexo que não se baseia apenas em ações, mas necessita de uma orientação clara, motivação definitiva, atitude positiva, compreensão,visão panorâmica, planejamento e execução cuidadosa.

O capelão deve assistir a criança, levando em consideração a necessidade de cada pequenino na área física, emocional e espiritual. Logo, trabalhamos com toda necessidade da criança e não em partes.

Como Evangelizar Crianças ?

A criança é um alvo perfeito para a evangelização,devido á sua sinceridade e humildade, e não é difícil para ela confessar o seu pecado.

Ela é sensível ao pecado porque não tem o coração duro como a de um adulto, ele está livre de preocupações que dificultam muitas conversões. Além disso, a criança tem muita credibilidade em nós adultos.

Uma criança vai guardar a palavra do Senhor para sempre. Nos Salmos 78,diz que a cura de uma geração vem pelas crianças.

Áreas da Capelania

 

  1. Capelania Hospitalar
  1. Capelania Carcerária
  1. Capelania Esportiva
  1. Capelania Estudantil
  1. Capelania Social

 

 Como deve ser o Capelão de Crianças

 

  • Ter certeza da salvação
  • Dedicado e chamado por Deus
  • Conhecedor da Palavra
  • Ama e compreende as crianças
  • Vive uma vida cristocêntrica
  • Ser servo
  • Dá exemplo em sua vida diária
  • Comunicativo
  • Alegre
  • É responsável, não desanima facilmente
  • Simpático, saber relacionar se com facilidade
  • Reconhecer que a criança também precisa de socorro

Plano da Salvação através da cores

  • 1. Deus me ama
  • 2. Sou pecador
  • 3.Jesus morreu e ressuscitou por mim.
  • 4.Recebo o Senhor
  • 5.Sou salvo

 

Pai

 Pai, olho tuas mãos

Elas são importantes na construção de teus filhos
Que elas saibam ser firmes no orientar
Serenas no amparar
Que elas não fujam ao dever de punir
E não se aviltem por agredir

Tuas mãos, pai
Devem ser o exemplo do teu trabalho
E que não se abram apenas materialmente
Que isso é um modo de fechar a consciência
Mas que, ao abri-las estejas abrindo muito mais
O teu coração e a tua compreensão

Teus olhos, pai, que responsabilidade eles têm
Que eles vejam as qualidades de teus filhos
Por pequenas que sejam para que as faças crescer
Mas que não deixem de ver os defeitos e as falhas
Porque pode ser teu o dever de corrigi-las

Não te consideres, pai, sem defeitos
Mas que isso não te desobrigues
Da perfeição de ensinares o que sabes certo
Ainda que tu mesmo tenha dificuldade em segui-lo
Mais importante do que consegui-lo
Sem dúvida será lutar por ele

Pai, o que se quer de ti
É que pai sejas
No conceber por amor
No receber por amor
No renunciar por amor
No amor total dos filhos que
Sem teu amor
Perderão o significado da própria vida

Pai, estás presente no sangue
Na herança biológica
Na cor, no nome, na língua
Tudo isso, porém, desaparecerá
Senão te fizeres presente no coração.

Lição 6: A Lei, a carne e o Espírito

 

Lição 6: A Lei, a carne e o Espírito

Data: 8 de Maio de 2016

 

TEXTO ÁUREO

Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim que eu mesmo, com o entendimento, sirvo à lei de Deus, mas, com a carne, à lei do pecado” (Rm 7.25).

 

[Comentário: Paulo sintetiza aqui o estado de frustração que ele vinha descrevendo desde o versículo 14. Paulo aprovava totalmente a boa lei de Deus e, no entanto, ‘na carne’, ele ainda servia ao pecado. A nova vida no espírito é experimentada por indivíduos, na mente, no corpo e no espírito, os quais continuam a estampar os sinais do pecado.]

 

VERDADE PRÁTICA

A luta entre a carne e o espírito é uma realidade na vida de todo crente, mas a dependência da graça de Deus fará com que tenhamos uma vida vitoriosa.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda — Rm 6.2,3 - O poder do pecado foi aniquilado por Jesus Cristo e não pela lei

Terça — Rm 6.11 - Nossa antiga natureza está morta, agora estamos vivos para Deus

Quarta — Rm 6.12 - Não podemos permitir que o pecado assuma o controle de nossas vidas

Quinta — Gl 5.13 - Não usemos da liberdade para dar lugar à carne

Sexta — Gl 5.16-21 - Já não somos mais dominados pelas obras da carne

Sábado — Gl 5.22 - O fruto do Espírito na vida do crente

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Romanos 7.1-15.

1 — Não sabeis vós, irmãos (pois que falo aos que sabem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que vive?

2 — Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido.

3 — De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for doutro marido; mas, morto o marido, livre está da lei e assim não será adúltera se for doutro marido.

4 — Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais doutro, daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus.

5 — Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte.

6 — Mas, agora, estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.

7 — Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás.

8 — Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda a concupiscência: porquanto, sem a lei, estava morto o pecado.

9 — E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri;

10 — e o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte.

11 — Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou e, por ele, me matou.

12 — Assim, a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom.

13 — Logo, tornou-se-me o bom em morte? De modo nenhum! Mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo bem, a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno.

14 — Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado.

15 — Porque o que faço, não o aprovo, pois o que quero, isso não faço; mas o que aborreço, isso faço.

 

HINOS SUGERIDOS

155, 432 e 491 da Harpa Cristã.

 

OBJETIVO GERAL

Mostrar que a luta entre carne e espírito é uma realidade na vida de todo crente.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

  • Explicara analogia do casamento ilustrada na Lei;
  • Mostrara analogia da solidariedade da raça ilustrada em Adão;
  • Discorrera respeito da analogia entre carne e espírito.

 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Na lição de hoje estudaremos o capítulo sete da Epístola aos Romanos. Este capítulo trata a respeito da libertação da Lei. Para que os romanos compreendessem bem o assunto, Paulo faz uma analogia entre a Lei e o casamento. O apóstolo mostra que enquanto o marido viver, a esposa está ligada a ele mediante a lei do matrimônio. Mas, morto o marido a esposa se torna livre, podendo até mesmo contrair novas núpcias. Com esta analogia, Paulo mostra que os salvos em Cristo, pela fé, já estão livres da lei do pecado e agora pertencem a Jesus Cristo. Em Cristo, estamos mortos para a lei do pecado. O apóstolo precisou tratar deste assunto porque os judeus tinham dificuldades de se libertarem das amaras da Lei. Livres da lei do pecado temos condições de nos relacionarmos com Deus e vivermos uma vida de santidade. Segundo Lawrence Richards “a libertação da Lei não promove o pecado, mas a justiça”.

 

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Na lição de hoje estudaremos o papel do cristão em relação à Lei, a carne e o Espírito. Paulo apresenta um estudo a respeito desses temas no capítulo sete. Ele se utiliza de três analogias para discorrer sobre os assuntos: a analogia do casamento, a analogia de Adão no paraíso e a analogia da carne versus o espírito. Como devemos nos comportar diante da lei? Como explicar, que mesmo depois de já termos recebido a graça de Deus, passamos por conflitos espirituais internos? O que isso significa? É o que vamos procurar responder neste estudo.

 

 [Comentário: é importante que comecemos esclarecendo que este é um dos capítulos de maior complexidade para se interpretar de toda a bíblia. Ao longo dos séculos o capítulo sete da carta aos Romanos tem desafiado inúmeros teólogos e estudiosos quanto à sua real interpretação. Uma correta interpretação deste capítulo é essencial à compreensão de toda carta, e, para interpretá-lo, precisaremos de todos os elementos que foram realçados através das análises feitas nos capítulos anteriores. Assim, não vai ser com esta concisa lição que elucidaremos o capítulo sete. Paulo expande agora o tema da relação entre o crente e a lei. Embora a lei seja santa, justa e boa (v. 12), a sujeição do pecador à lei resultou somente em condenação, visto que a lei, em sua justiça, desvendava toda a transgressão e fracasso. Nesta seção, a relação entre o pecador e a lei é comparada a um casamento. O ponto da comparação é que a morte leva essas relações ao fim, e o cônjuge viúvo fica livre para entrar em nova relação de casamento, Visto que o ‘casamento’ com a lei foi quebrado por meio da morte, o crente não é um adúltero e nem pode ser condenado pela lei. O crente morre ao ficar unido com Cristo em sua morte, quebrando a cadeia de desobediência e morte que prendia o pecador a Adão e ao seu destino (5.12-21). O outro lado da ilustração é que a união com Cristo, em sua ressurreição, confere ao crente uma nova relação, segundo a qual uma verdadeira – embora ainda não perfeita – obediência é prestada a Deus, em amor e gratidão. No novo relacionamento com Cristo, a força do Espírito Santo assegura que haverá vida e frutificação (7.4) – uma metáfora que aponta para um resultado ou conseqüência natural.] Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

 

 

PONTO CENTRAL

Jesus Cristo nos libertou do jugo da Lei, do pecado e das obras da carne, por isso, podemos andar em Espírito. 

  1. A LEI ILUSTRADA NA ANALOGIA DO CASAMENTO (Rm 7.1-6)
  2. A metáfora do casamento.O apóstolo Paulo mostra que homem algum pode ser salvo pela Lei, até mesmo aqueles que a guardam com zelo e devoção. Aqueles que já possuem uma nova natureza também não serão guardados do pecado por observarem a Lei. A insistência de Paulo, que se estende desde o capítulo seis com respeito à função da Lei, agora o conduz a usar o casamento como uma analogia que contrasta o viver através dos preceitos da Lei e a nova vida em Cristo (Rm 7.1). Paulo usou o casamento para mostrar o nosso relacionamento com a Lei. O apóstolo ressalta que o contrato de casamento perde sua validade quando um dos cônjuges morre. Segundo a Bíblia de Aplicação Pessoal, “ao morrermos com Cristo, a Lei não pode mais nos condenar; estamos unidos a Cristo”.

 

[Comentário: Após demonstrar que todos os cristãos foram batizados em Cristo, ou seja, tornaram-se participantes da Sua morte, e que, por estarem mortos, não havia como viverem no pecado, Paulo convoca os seus interlocutores ao raciocínio (v. 1). A figura da mulher ligada ao marido é um exemplo claro de que é impossível a alguém que morreu para o pecado permanecer no pecado é apresentado através desta figura. Enquanto o marido viver, a mulher estará ligada ao marido pela lei. Porém, morto o marido, qual o papel da lei? A viúva deveria continuar submissa à lei mesmo após a morte do marido? É certo que, morto o marido, a lei continuará a existir, porém, a viúva não mais será alcançada pela lei, por mais que a mesma lei continue a submeter outras mulheres casadas a seus maridos, ela não submeterá a viúva. Os leitores da carta de Paulo deviam construir um paralelo entre eles, que morreram para o pecado, e os não crentes, que permaneciam vivos para o pecado. Quem não foi batizado (morreu) em Cristo, e que, portanto, não morreu com Cristo, permanece vivo para o pecado e sob a égide da lei. Quem não é batizado em Cristo, mesmo sem causa é transgressor "Na verdade, não serão confundidos os que esperam em ti; confundidos serão os que transgridem sem causa" (Sl 25.3).]

 

  1. A metáfora da mulher viúva.Os versículos 2 e 3 do capítulo 7, concluem a analogia do apóstolo a respeito do casamento. Paulo afirma que vivendo o marido, se a mulher se casar novamente com outro homem, ela será considerada adúltera. Mas, se o marido morrer ela está livre para se casar novamente. A intenção era mostrar que a morte de Cristo na cruz, e os cristãos juntamente com Ele (Ef 2.5,6), rompeu os votos de obediência aos preceitos legais da lei mosaica (Rm 7.4).

 

 [Comentário: Quem crê em Cristo, ou seja, quem espera na salvação providenciada por Deus (esperam em ti), jamais serão confundidos. Porém, todos os que não confiam em Deus serão confundidos, pois mesmo sem causa são transgressores (Sl 25.3). O que isto quer dizer? Ora, todos os nascidos em Adão são transgressores por natureza, sem qualquer relação direta com questões comportamentais ou morais. Mesmo quando não transgridem leis sociais, morais e comportamentais, são transgressores diante de Deus. Quem confia no Senhor, morre para o pecado e ressurge uma nova criatura, que jamais será confundida, pois a salvação providenciada por Deus não advém das regras sociais, morais ou comportamentais, antes, é salvo por ter sido novamente criado na condição de filhos de Deus. A lei do marido só tem razão de ser enquanto o marido estiver vivo, pois tal lei estabelece a sujeição da mulher ao marido, porém, após a morte do marido, a viúva está livre da lei do marido.]

 

  1. Mortos para a lei.A expressão “mortos para a lei pelo corpo de Cristo” é entendida pelos intérpretes como uma referência à morte de Cristo e a nossa identificação com Ele. O biblicista C. Marvin Pate observa que “Paulo usa a analogia da morte de um cônjuge no casamento para ilustrar a morte do crente para a lei, pelo fato de ele estar unido com Cristo (Rm 7.1-6)”.

 

 [Comentário: Paulo convida os seus interlocutores a pensarem e a chegarem a uma conclusão. Enquanto o marido viver, a mulher será chamada adúltera se for de outro homem, porém, após morrer o marido, a mulher estará livre da lei, e não mais será adultera se for de outro homem. As figuras utilizadas por Paulo, tanto da escravidão quanto da mulher ligada ao marido pela lei são simples de entender. Diante da lei jamais um escravo seria livre sem a aquiescência do seu senhor. Caso o senhor viesse a falecer, o escravo simplesmente fazia parte dos espólios do seu antigo senhor, porém, não seria livre. Somente a morte do escravo é que o tornava livre do seu senhor, uma vez que a lei e o antigo senhor nada representavam para o escravo após a sua morte. Como é sabido, o pecado é um senhor tirano que não concede liberdade a seus escravos. Somente a morte deixa livre o pecador do seu tirano senhor, no entanto, seguirá para a eternidade sob condenação eterna. O cristão efetivamente morre com Cristo, e é por isso que o pecado deixa de exercer domínio como senhor sobre ele. Quem morre (a morte natural) como servo do pecado seguirá para a eternidade sob condenação, porém, aquele que morre com Cristo, é julgado em Cristo para não ser condenados com o mundo. Quem morre para o pecado em Cristo, ressurge uma nova criatura, e passa a viver para Deus. O ponto principal que Paulo demonstra neste verso é que, após morrer o marido a mulher está livre da lei do marido. Do mesmo modo, após o escravo morrer, livre está do seu senhor. Por certo, ao morrer para o pecado e para a lei, o cristão é livre da lei e do pecado. A figura da escravidão demonstra que o cristão é livre do pecado (Rm 6.6), e a figura da mulher ligada ao marido pela lei, que o cristão é livre da lei (Rm 7.4).]

 

SÍNTESE DO TÓPICO (I)

Paulo utiliza a analogia do casamento para mostrar que fomos libertos do jugo da Lei e do pecado.

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Livre

Um cônjuge não está mais ligado pela lei matrimonial com o consorte falecido. A morte liberta a ele ou a ela dessa lei. Semelhantemente, a morte de Cristo, que compartilhamos em nossa união com Ele, nos liberta de todas as obrigações legais constantes na Lei de Deus.

Algumas pessoas ficam atemorizadas com a ideia de que o cristão não tem obrigação alguma de guardar a Lei. Paulo deixa claro que precisamos estar livres dessas obrigações. Por quê? A Lei diz respeito à nossa natureza pecaminosa e proclama: ‘Não’. O resultado não foi uma repreensão do desejo de pecar, mas o surgimento de nossas paixões pecaminosas. Pecamos, ao ‘produzir frutos da morte’. Deus agora nos chama para nos relacionarmos diretamente com Ele através do Espírito. O Espírito falará à nossa natureza, nos estimulando a servir e, assim, a ‘produzir frutos para Deus’” (RICHARDS, Lawrence. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.743).

 

  1. ADÃO ILUSTRADO NA ANALOGIA DA SOLIDARIEDADE DA RAÇA (Rm 7.6-13)
  2. De volta ao paraíso.Paulo considerava Adão o cabeça e o representante da humanidade. A sua Queda levou todos os homens a caírem com ele. Aqui o objetivo do apóstolo é vincular a desobediência de Adão à humanidade. Adão pecou, logo todos pecaram. Uma leitura cuidadosa das palavras de Paulo em Romanos 7 a 11 mostrará a estreita relação que elas têm com os fatos ocorridos em Gênesis capítulo 3. Por exemplo, a expressão não “cobiçarás” é uma alusão a Gênesis 3.1-6. Por outro lado, as palavras de Paulo “eu vivi sem lei” (Rm 7.9), só têm sentido se aplicado na vida de Adão, pois Paulo como fariseu e judeu que era vivia a lei desde a infância (2Tm 3.15). Aqui Paulo, como ser humano, se via em Adão. As expressões “eu morri” e o “pecado me enganou” ganham paralelo com Gênesis 2.17 e 3.13.

 

 [Comentário: Estamos todos juntos com Adão e Eva, pois herdamos deles o veneno do pecado. Ele corre no nosso sangue. É isso o que os teólogos chamam de pecado original. Adão incluiu a todos na sua decisão, e esta decisão foi fatal para a raça. Adão agiu como nosso representante e, por essa razão, a sua escolha nos atinge. Nesta questão não temos liberdade de escolha. A partir do versículo 6, Paulo demonstra que os judeus não serviam a Deus, antes, só tinham zelo, porém, sem entendimento (Rm 10.2). Por quê? Porque só é possível servir a Deus em espírito e em verdade, ou seja, quando o homem é gerado do Espírito, o mesmo que ser circuncidado no coração. Somente em Cristo é possível ao homem alcançar a condição de servir a Deus em espírito (Jo 4.23). A condição ‘em espírito’ só é possível quando o homem é gerado de Deus. É por isso que Jesus disse a Nicodemos: "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito" (Jo 3.6). Somente após o homem ser gerado de novo através da fé em Cristo torna-se possível servir a Deus (o Espírito Eterno) em espírito. Os judeus pensavam servir a Deus, porém, a qualquer homem nascido de Adão (nascido da carne) é impossível servir a Deus. Deus somente ‘conhece’ aqueles que o adoram em espírito e em verdade (Jo 4.24 ; Gl 4.9). Paulo estava tratando diretamente com os judeus convertidos, como foi demonstrado anteriormente, e aqui temos outra evidência: somente os cristãos judeus tentaram servir a Deus através da velhice da letra (lei de Moisés), ponto abordado por Paulo que não tem relação com os gentios. Só é possível servir a Deus em novidade de espírito, e, somente Ele, é quem ‘renova’ (cria) no homem um espírito reto (Sl 51.10). Só é possível ter novo coração e um novo espírito quando o homem está livre da lei, ou melhor, quando morre para aquilo em que se estava retido. Como é possível ao homem morrer para o que estava retido (lei)? Através da circuncisão do coração! Quando Moisés apregoou a circuncisão do coração ao povo de Israel, tal circuncisão só era possível através da fé em Deus, Aquele que tem o poder de circuncidar o coração, ou seja, Ele mata o homem gerado em Adão e concede um novo coração "E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas" (Dt 30.6). Somente após alcançar novo coração (novo nascimento) o homem compreende a palavra de Deus "Porém não vos tem dado o SENHOR um coração para entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir, até ao dia de hoje" (Dt 29.4).]

 

  1. Lembranças do Sinai.Outra razão, no entendimento de muitos intérpretes da Bíblia, que levou o apóstolo a se ver em Adão está na crença judaica de que o primeiro homem viveu os princípios da Torá (lei), mesmo tendo existido muito antes da sua promulgação no Sinai. De fato, essa é uma crença muito bem documentada na literatura rabínica. Filo de Alexandria, filósofo judeu, por exemplo, dizia que a cobiça, pecado praticado por Adão no paraíso, era a raiz de todos os males.

 

 [Comentário: Fílon de Alexandria (25 a.C. – 50 d.C.) foi um filósofo judeo-helenista que viveu durante o período do helenismo. Tentou uma interpretação do Antigo Testamento à luz das categorias elaboradas pela filosofia grega e da alegoria. Wikipédia. A lei de Moisés (velhice da letra) não poderia proporcionar o novo nascimento. Somente o evangelho de Cristo, que é a água limpa aspergida pelo Espírito Eterno, faz nascer o novo homem para louvor de sua glória (Jo 3.5 ; Ez 36.26). É através do evangelho que o homem recebe poder para ser criado em verdadeira justiça e santidade (Jo 1.12 ; Ef 4.24 ). Após declarar que os cristãos eram livres da lei (Rm 7.6), do mesmo modo que eram livres do pecado (Rm 6.6), poderia surgir um entrave na mente de alguns cristãos: acharem que Paulo estava equiparando a lei ao pecado (Rm 7.7).]

 

  1. A lei dada a Adão.O fato é que Adão estava debaixo do mandamento, da ordenança de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.17). A intenção do apóstolo é fazer um paralelo entre o Paraíso e o Sinai, entre a lei de Moisés e a ordenança que foi dada a Adão. O mandamento que foi dado a Adão para trazer vida se converteu através da ação da antiga serpente, personificação do Diabo, em morte. Da mesma forma, a Lei de Moisés que foi dada para trazer vida, mas o pecado, como personificação do mal, a transformou em um instrumento de morte.

 

[Comentário: É possível inferir de Rm 2.12 que os que sob a lei pecaram são os judeus, do mesmo modo, que os gentios pecaram sem lei. Isto demonstra que Paulo estava escrevendo acerca da lei de Moisés, visto que, desde Adão até Moisés todos pecaram, mesmo não tendo uma lei específica. Não é porque os gentios não possuíam uma lei que não estavam sob condenação. Do mesmo modo, não é porque os judeus possuíam uma lei, que não haveriam de perecer. Ou seja, todos pecaram e estavam debaixo de condenação, e seguiam para a perdição (Rm 3.9). Isto demonstra que a transgressão à lei mosaica não é o que subjugou a humanidade ao pecado. Porém, Paulo demonstra que o homem ‘conheceu’ o pecado, ou seja, passou a ter comunhão intima com o pecado através da lei (Rm 7.7), o que indica que em Rm 7.7 ele não está se referindo a Lei de Moisés, antes fez referência a lei perfeita da liberdade concedida ao homem no Éden (Gn 2.16 – 17). Ora, Adão perdeu a comunhão com o criador quando desobedeceu a ordenança divina que foi dada no Éden, e por causa da ofensa dele, todos pecaram, tanto gentios quanto judeus. Todos ficaram alienados da glória de Deus, ou seja, ‘conheceram’ o pecado. O pecado subjugou a humanidade por causa da desobediência à lei dada no Éden. Ora, tanto os que estavam sob a lei de Moisés quanto os gentios, ambos pecaram, o que demonstra que o pecado decorre da desobediência de Adão. Desta análise é possível concluir que Paulo faz referência a dois tipos de lei na sua carta. Uma refere-se à lei de Moisés, e a outra à lei de Deus outorgada no Éden. Desta última decorre a penalidade eterna: ‘certamente morrerás’, ou seja, o homem ‘conheceu’ a separação da vida que há em Deus através da ofensa no Éden. Ora, se o pecado decorre da desobediência à lei dada no Éden, logo, o ‘eu’ da qual o apóstolo faz alusão refere-se a algo proveniente de Adão, e que é comum a todos os homens destituídos da glória de Deus.]

 

SÍNTESE DO TÓPICO (II)

Paulo mostra que Adão é o cabeça e representante da raça humana.

 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

 

Professor, reproduza o esquema abaixo e utilize-o para enfatizar o que dispomos como descendência de Adão e como filhos de Deus.

 

III. O CRISTÃO ILUSTRADO NA ANALOGIA ENTRE CARNE E ESPÍRITO (Rm 7.14-25)

  1. A santidade da lei.Um interlocutor atento poderia argumentar que o apóstolo estaria desqualificando a Lei, reduzindo-a a algo extremamente mal. Paulo se adianta e responde: “Assim, a lei é santa; e o mandamento santo, justo e bom” (Rm 7.12). Não há nenhum problema com a Lei. A Lei é boa e seu propósito também. O problema, portanto, não estava na Lei, mas naqueles que se regiam por ela. Como o apóstolo já havia argumentado, o problema estava dentro do homem, no pecado que habitava nele, e não na existência de uma lei externa (Rm 7.18).

 

[Comentário: Paulo faz referência a carne e o Espírito como senhores que lutam (cobiçam) entre si para ter domínio sobre o homem. Ora, por que lutam (cobiçam)? A resposta é clara: eles se opõem um ao outro para que o homem não faça o seu querer, antes façam o desejo daquele a quem se sujeitarem “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis” (Gl 5.17). Quando gerado segundo Adão, o homem é sujeito ao pecado, e não faz a sua própria vontade, antes, por ser escravo, serve o pecado para morte ( Rm 6:16 ). O corpo do homem sujeito ao pecado é instrumento de iniqüidade, ou seja, quem faz uso do corpo é o pecado. O homem não passa de um instrumento a serviço do seu senhor (Rm 6.13; Rm 6.19). Quando o homem é gerado de novo segundo o Espírito, é sujeito à obediência, e não faz a sua própria vontade, antes, como escravo da obediência para a justiça. O corpo do homem regenerado passa a condição de instrumento de justiça, ou seja, a justiça faz uso do corpo daquele que lhe é sujeito. O homem é instrumento nas mãos de Deus. Não há como o homem lutar contra a carne por ser sujeito à carne como escravo. Quem luta contra a carne é o Espírito, e não o homem. As obras da carne são próprias à carne por ela fazer o papel de senhor, da mesma forma que, o fruto do Espírito é próprio do Espírito, e somente o Espírito Eterno pode produzi-los naqueles que são servos da obediência. É por isso que Jesus disse: "Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" (Jo 15.5). Observe que Jesus refere-se ao fruto que as varas ligadas n’Ele produzem no singular (o fruto), do mesmo modo que Paulo anunciou aos Gálatas. O fruto é único porque pertence ao Espírito, que o produz naqueles que estão ligados a Cristo, a videira verdadeira. Mesmo após o seu ‘eu’ morrer com Cristo, Paulo continuou vivendo socialmente como qualquer outro homem, pois ainda dependia do seu trabalho (At 18.3), tinha pertences pessoais (2Tm 4.13), fazia uso da tecnologia da época (At 20.38), tinha sonhos e desejos (1Co 9.4 e 1Co 9.5 ) e opinião própria (At 15.39). O homem desejar ter uma esposa ou a mulher ter um marido não é ser carnal. O homem ter uma esposa ou a mulher ter um esposo não é carnalidade (1Co 9.5). Ter opinião diferente, ou discordar de outro irmão não é algo proveniente da carne (At 15.39). Ser repreensível não e o mesmo que ser carnal (Gl 2.11). Jesus expulsou os que vendiam no templo, derrubou as mesas e espalhou o dinheiro dos cambistas, porém, não era carnal. Jesus possuía sentimentos, emoções, tais como alegria, tristeza, angustia, medo, coragem, etc., e não era sujeito a carne e as suas paixões. Ter um corpo feito de matéria (carne e sangue) não é o que vincula o homem ao pecado. Jesus veio em carne, homem espiritual e espírito vivificante "Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante" (1Co 15.45). Paulo crucificou a carne, o ‘eu’ sujeito ao pecado, mas continuou de posse do seu tabernáculo terrestre (2Co 5.4). Considerar que o cristão continua de posse da natureza pecaminosa após ter sido justificado ‘em Cristo’ é depor contra as Escrituras. Deus declara o homem justo porque Ele cria o novo homem justo e santo com um novo coração e um novo espírito. A justificação em Cristo é justificação de vida, e não judicial, como alguns pensam "Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida" (Rm 5.18). J. Sidlow Baxter disse que: “Permanece, no entanto, um problema sério que precisa ser resolvido para mim, pelo evangelho. O que desejo agora, além da retidão judicial, é alcançar a retidão prática de motivo e conduta em minha vida diária, através de um poder que irá libertar-me da escravidão deste tirano, o ‘pecado que habita em mim’” Baxter, J Sidlow, Examinai as Escrituras – Atos a Apocalipse, edição. 1989, Ed. Edições Vida Nova, pág. 87. Para Baxter, o homem desventurado diz de alguém que obteve libertação, porém, a libertação não é plena, total. Falta ao homem desventurado poder para uma quarta libertação, ou seja, ele segue a mesma linha de raciocínio que critica (velha escola puritana), a de que o velho ‘eu’ há de seguir o homem regenerado até o amargo fim. Ora, Jesus libertou os que crêem para que sejam livres de fato (Gl 5.1). O poder que Deus concedeu aos seus é suficiente para que sejam criados filhos de Deus (Jo 1.12). Cristo afirmou que Ele e o Pai estariam com os seus todos os dias, porque viriam e fariam neles morada. Diante da declaração de Jesus, fica impossível conceber que o pecado continue a habitar o crente, ou pior, que a casa fique dividida entre dois senhores: a obediência e o pecado. O que se percebe através da exposição de Baxter, é que há uma confusão quanto às questões relativas à conduta do cristão. Ele esquece que todos os cristãos tropeçam em muitas coisas (Tg 3.2), porém, aquele que não tropeça quanto a exposição do evangelho, este é perfeito, visto que é participante da natureza divina (Cl 2.10), sendo como Cristo aqui neste mundo (1Jo 4.17). Tiago avisou do perigo que ronda aqueles que desejam ser mestres: o duro juízo de Deus reservado para aqueles que prevaricarem quanto ao oficio de ensinar o evangelho. O aviso é solene: todos tropeçamos. Ou seja, somos passíveis de erros, mas aqueles que exercem o ministério como mestres não podem cometer erros quanto a palavra da verdade. Só os perfeitos, ou seja, aqueles que estão em Cristo não tropeçam na palavra que lhes concedeu a perfeição. Além de se tornar perfeito em Cristo, o cristão tem poder para exercer domínio próprio “MEUS irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo. Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo” (Tg 3.1 – 2). 

 

  1. A malignidade da carne.Não há dúvida que todo cristão entende bem essas palavras de Paulo em Romanos 7.22,23. Essas palavras revelam o conflito entre a nossa nova natureza em Cristo e o “velho homem” residente em nós. É a guerra entre a carne e o espírito. A quem essas palavras de Paulo se destinam? O contexto parece não deixar dúvidas de que Paulo tinha em mente os crentes que, pelo fato de serem cristãos, acreditavam que poderiam viver vitoriosamente sem o Espírito Santo. Embora Paulo tenha deixado para tratar sobre o ministério do Espírito Santo no capítulo 8 de Romanos, ele já chama aqui a atenção para o viver “em novidade do Espírito” (Rm 7.6) como forma de vencer as inclinações da carne.

 

 [Comentário: Quando Paulo disse: “Eu sou carnal” ( Rm 7:14 ), ou: “...e vivo, não mais eu...” ( Gl 2:20 ), a qual ‘eu’ ele se referia? Seu eu psíquico? Histórico? Social? Quando lemos: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus" ( 1Co 15:9 ), verifica-se que o ‘eu’ a que Paulo se refere não é o ‘eu’ que foi morto com Cristo, mas sim ao ‘eu’ histórico do apóstolo. Tudo que Paulo realizou no passado enquanto era chamado de Saulo, foi realizado por ele mesmo, ou seja, o apóstolo dos gentios não nega o seu passado, ou seja, sua história de vida. Isto porque o mesmo homem que perseguiu a igreja de Deus passou a anunciar o evangelho de Cristo, ou seja, o perseguidor agora é perseguido (Gl 1:23 ; 1Tm 1:13). Paulo também não renega o seu ‘eu’ social, visto que, quando preso, apresentou-se como cidadão romano, e se defende com base nas leis vigentes: "E, quando o estavam atando com correias, disse Paulo ao centurião que ali estava: É-vos lícito açoitar um romano, sem ser condenado?" ( At 22:25 ; At 25:16 ). Paulo trazia na lembrança a sua origem, visto que fora circuncidado ao oitavo dia, pertencente a linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreu, fariseu, cidadão romano, etc ( Fl 3:5 -6 ; At 22:28 ), tais relatos demonstram que, o ‘eu’ que morre com Cristo não se refere a questões socioculturais. Então, qual ‘eu’ foi crucificado com Cristo? O ‘ego’? (‘Ego’ diz da consciência inferior do indivíduo. Resulta da soma total dos pensamentos, ideias, sentimentos, lembranças e percepções sensoriais que tem por funções a comprovação da realidade e a aceitação, mediante seleção e controle, de parte dos desejos e exigências procedentes dos impulsos que emanam do indivíduo). Quando lemos as cartas paulinas fica evidente que os seus pensamentos, lembranças, sentimentos, percepção sensoriais, desejos, etc., permaneceram inalterados. Qual era o sentimento de Paulo acerca dos seus compatriotas? Ele mesmo demonstra que desejaria ser separado de Cristo por amor aos seus irmãos segundo a carne ( Rm 9:3 ). O que isto quer dizer? Este amor pelos seus compatriotas demonstra que os sentimentos, as lembranças e as emoções do apóstolo dos gentios não foram alteradas após o seu ‘eu’ deixar de existir. O desejo de Paulo permaneceu inalterado, mesmo após o seu ‘eu’ não mais viver ( Rm 10:1 ). Isto significa que ‘morrer com Cristo’ não é o mesmo que ignorar as percepções sensoriais do corpo, da existência e dos registros que possuimos na memória ( ‘Ego’ por Jung). O ‘eu’ carnal, ou o ‘eu’ que ‘não mais vive’ não diz do “centro da consciência superior do individuo, que é a soma total dos pensamentos, idéias, sentimentos, lembranças e percepções sensoriais, extra-sensorial, e não-sensorial, que também é nomeado pela psicologia moderna de ‘eu’”. Paulo não estava renegando os impulsos instintivos da sua personalidade, ou estinguindo o seu reservatório inicial da energia psíquica como indivíduo. O ‘eu’ que Paulo faz referência não tem relação com o ‘ego’, o ‘id’ e o ‘superego’ da psicanálise freudiana. O ‘eu’ descrito pela psicanálise compõe-se do ‘id’, que é “instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes e regido pelo princípio do prazer”. Exige satisfação imediata, é a energia dos instintos e dos desejos em busca da realização desse ‘princípio do prazer’, e do ‘superego’, que representa a “censura das pulsões que a sociedade e a cultura impõem ao ‘id’, impedindo-o de satisfazer plenamente os seus instintos e desejos, e se manifesta indiretamente na conciência, sob forma da moral, como um conjunto de interdições e deveres, e por meio da educação, pela produção do "eu ideal", isto é, da pessoa moral, boa e virtuosa”. Quando Paulo anuncia que seu ‘eu’ morreu com Cristo, não se ocupa dos instintos e nem dos impulsos orgânicos do homem. Ele também não escreveu acerca da moral e do conjunto das interdições e deveres que tem o fito de tornar o homem virtuoso de ‘per si’. As obras da carne que Paulo enumera aos cristão da Galácia não guardam relação alguma com os instintos e desejos do ‘id’ freudiano. Da mesma forma, o fruto do Espírito não tem relação alguma com o ‘eu ideal’ proveniente do ‘superego’ (Leia carne versus Espírito). O ‘eu’ a qual Paulo faz referência, que é carnal ( Rm 7:14 ), não se refere a uma pessoa específica e nem diz de uma personalidade com sentimentos e emoções. O ‘eu’ a que ele se refere aponta uma condição. Como falar de uma condição? Ora, para falar de uma condição é essencial associá-la a um objeto ou pessoa. Para falar acerca da condição do ‘eu’, ou da condição de sujeição ao pecado, o apóstolo fez referência ao seu passado, utilizando o ‘eu’ como figura. Através do ‘eu’, Paulo ilustra, ou melhor, demonstra a condição de todos os homens que não ‘conheceram’ a Cristo. Desta forma, temos na argumentação paulina a condição do homem carnal desempenhando o ‘papel’ principal. Através de uma análise da frase (proposição): ‘Eu sou carnal’, utilizando ferramentas pertinentes à lógica, é possível identificar três componentes distintos:

  1. a) denotação: o estado de coisas que a frase afirma ser o caso;
  2. b) conotação: os sentimentos, idéias ou emoções provocadas pela frase no auditor, e;
  3. c) ênfase: a importância relativa que o autor atribui aos diferentes elementos da frase.

O componente de maior importância para a análise está na importância relativa que Paulo atribuiu aos diferentes elementos da frase (ênfase): ‘Eu sou carnal’. O estado do ‘eu’ na frase é a ‘carnalidade’ - denotação. A idéia que Paulo enfatiza é a sujeição do homem ao pecado como escravo – conotação. Quando afirmou a condição do ‘eu’, Paulo atribui maior importância ao predicativo (carnal) do sujeito (eu) - ênfase. Portanto, durante a interpretação do verso: “Eu sou carnal”, devemos atentar para o elemento de maior importância na preposição, o predicativo ‘carnal’, e considerar o ‘eu’ como elemento coadjuvante ou como figura, algo essencial para se demonstrar a condição do homem sem Deus. Para explicar a condição daqueles que estão divorciados do Criador, o apóstolo Paulo lançou mão de uma figura, o ‘eu’, onde fosse possível demonstrar a realidade do homem sem Deus. Como ele estava tratando diretamente com os cristãos judeus, havendo entre eles alguns judaizantes, não era de bom alvitre dizer: ‘Vocês são carnais, vendidos como escravos ao pecado’ ( Jo 8:33 ). Por amor aos seus compatriotas, Paulo fez referência a sua antiga condição utilizando o ‘eu’ como figura ( 1Co 4:6 ). Após afirmar qual era a sua antiga condição sob a égide do pecado (Eu sou carnal), os compatriotas do apóstolo dos gentios teriam elementos para concluir que, ser descendente de Abraão, israelita, hebreu de hebreu ou pertencente à alguma tribo de Israel não livra o homem do jugo do pecado. A proposição (afirmação) ‘Eu sou carnal’ tem a finalidade de apresentar a condição pertinente à natureza gerada segundo o pecado, ou seja, a condição do homem vendido como escravo ao pecado em decorrência da ofensa de Adão ( Rm 7:14 ). Todos os descendentes de Adão são carnais, visto que, ser carnal é condição proveniente do nascimento natural. Para ser espiritual é necessário nascer de novo segundo o último Adão, que é Cristo. A carne não é aniquilada através do ascetismo pessoal. Para o homem livrar-se da carne é necessário ter um encontro com a cruz de Cristo, diferente do ascetismo, que consiste na negação de desejos físicos e psíquicos em busca da espiritualidade.

 

  1. A velha natureza.Nossa antiga natureza está constantemente tentando rebelar-se contra Deus. Não temos como lutar contra o pecado usando a nossa força. O Espírito Santo, que habita em nós, ajuda-nos a vencer a velha natureza.

 [Comentário: Há uma guerra incessante acontecendo na vida de todos. Não é a batalha da lei versus a graça. Esta já foi ganha por Jesus na cruz, mas a guerra incessante é do Espírito versus carne:  “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si...” (Gl 5.17). Neste texto, carne não significa corpo ou matéria, não significa o palpável, o gerado e concebido por uma mulher. Não é o corpo físico. Por isso é que o nosso corpo não é a sede de todos os pecados. Quem pensa dessa forma está desvirtuando a Palavra de Deus deixada para orientação de nossas vidas. Há cristãos que estão equivocados com esta passagem da Bíblia. Para muitos, o seu corpo tem sido o culpado vital de seus fracassos. Porém, esse texto faz alusão à natureza humana. No contexto, os pecados mencionados como obras da carne são pecados espirituais manifestados através do corpo (Gl 5.19-21). A origem, a sede é a natureza humana; o corpo é apenas um instrumento que pode ser usado para satisfação da carne ou do Espírito (Gl 5.16 e 24). Andar a partir do senso e razão pessoal implica em viver sem a orientação de Deus, executar o próprio querer sem se importar com o querer de Deus. E é justamente nesse ponto que muitos cristãos têm tombado e perdido a guerra. Policiam tanto o corpo e se esquecem de tomar conta de suas intenções e vontades. Não conseguem se render inteiramente a Deus e ao Espírito Santo, que é o agente ativo na vida do cristão. O campo desta batalha é a psiquê humana, isto é, a carne, as vontades pessoais, a razão humana lutam incansavelmente contra o Espírito. São duas vontades lutando em uma só mente. Por isso, o apóstolo Paulo escreveu: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7.18-19).]

 

SÍNTESE DO TÓPICO (III)

Paulo faz uma analogia para mostrar a luta da carne com o Espírito.

 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“O conflito entre a Lei e o pecado (7.14-25)

Esse conflito é inevitável. Duas leis se chocam — a lei do pecado e a lei de Deus. Podemos chamá-las de lei carnal e lei espiritual. Entretanto, esse conflito pode ser facilmente dominado pelo crente, se ele dominar o pecado pela lei espiritual. O campo de batalha entre essas duas forças é interior ao homem. Paulo ilustra o coração como o interior de nossas vidas para mostrar esse conflito.

A lei é espiritual (v.14). Mais uma vez o apóstolo declara que o problema não está na lei de Deus, mas na natureza pecaminosa do homem. Quando ele declara ‘sou carnal’ está, na verdade, dizendo que ele é feito carne, isto é, sujeito à lei do pecado que opera na carne. Ele diz, também, que é ‘vendido sob o pecado’, ou, à escravidão do pecado. Significa que, queira ou não, está na sua carne, a tendência pecaminosa que o escraviza a faz de sua natureza pecaminosa a sede de operações para o pecado. Essa escravidão envolve toda a personalidade do homem. Porém, esse envolvimento encontra uma barreira para o domínio total do pecado, que é a lei espiritual.

O conflito entre lei e o pecado (v.15). Nestas palavras o apóstolo se sente o centro do conflito no seu interior, e não consegue entender porque pratica certos atos que contrariam sua real vontade. Ele vê o conflito entre o bem e o mal, e, às vezes, esse conflito é tão intenso que ele não consegue descobrir o ‘porquê’ desse conflito que o leva fazer certos atos” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, pp.85,86).

 

CONCLUSÃO

Mesmo vivendo debaixo da graça o crente experimenta o conflito entre sua antiga natureza e sua nova vida em Cristo. Como viver uma vida nova, se a velha vida ainda continua querendo ocupar seu antigo espaço? A resposta do crente está na compreensão de que a solução a esse conflito está em responder positivamente à nova vida espiritual, dependendo inteiramente da graça de Deus.

 

 [Comentário: Noa capítulo 8 e versículo 1º, Paulo nos dá a revelação do que é andar com Cristo, do que é estar livre do pecado. Já não há acusação sobre nós, pois temos o sangue de Cristo sobre nossas vidas para nos purificar, porém, de forma incisiva e direta, tem uma condicionante para estar livre de acusação: “...que não andam segundo a carne...”. Paulo coloca um condicionante, e um condicionante que é determinante para ser Cristão: Andar no Espírito. Crendo N’Ele e buscando a Ele, temos a inclinação para o Espírito Santo!]“Naquele que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,

 

PARA REFLETIR

A respeito da Carta aos Romanos, responda:

 

O que Paulo desejava mostrar com a metáfora do casamento?

Paulo desejava mostrar que homem algum pode ser salvo pela Lei, até mesmo aqueles que a guardam com zelo e devoção. Paulo usou o casamento para mostrar o nosso relacionamento com a Lei. O apóstolo ressalta que o contrato de casamento perde sua validade quando um dos cônjuges morre. Segundo a Bíblia de Aplicação Pessoal “ao morrermos com Cristo, a Lei não pode mais nos condenar; estamos unidos a Cristo”.

Como pode ser entendida a expressão “mortos para lei pelo corpo de Cristo”?

A expressão “mortos para a lei pelo corpo de Cristo” é entendida pelos intérpretes como uma referência à morte de Cristo e a nossa identificação com Ele.

Segundo Paulo, quem é o cabeça da raça humana?

Paulo considerava Adão o cabeça e o representante da humanidade.

Segundo Paulo, a lei e seus propósitos são bons?

Sim. A Lei é boa e seu propósito também. O problema, portanto, não estava na Lei, mas naqueles que se regiam por ela.

 

Quem pode nos ajudar no embate contra a velha natureza?

O Espírito Santo, que habita em nós.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

 

A Lei, a carne e o Espírito

Sobre o papel da Lei — Lembre-se sempre de que um dos métodos argumentativos do apóstolo em suas epístolas é o de criar perguntas retóricas a fim de ensinar determinada doutrina. Como por exemplo: se pela Lei eu conheço o pecado, então a Lei é má? O apóstolo responderá imediatamente: De modo nenhum (Rm 7.7). Se a Lei é de Deus, ela é boa e santa. Mas, então, ela se tornou morte para mim? — De modo nenhum (Rm 7.13) — mais uma vez responde o apóstolo.

No versículo 7, o que vemos é o apóstolo Paulo rejeitando a ideia de que a Lei é má, ou é pecado. Pelo contrário, o apóstolo afirma que é pela Lei que conhecemos o pecado. Ou seja, não que pela Lei consumamos o pecado, mas o conhecemos. Aqui há uma diferença gigante entre o conhecer o pecado e o praticar o pecado. Alguém pode perguntar: Então o que fez o ser humano pecar? De pronto o apóstolo responde: “Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda a concupiscência: porquanto, sem a lei, estava morto o pecado” (v.8). Logo, a Lei não é pecado.

No versículo 13, mais uma pergunta retórica: a Lei tornou-se morte para mim? A resposta do apóstolo é mais um vigoroso: De modo nenhum. Na sequência do texto o apóstolo Paulo mostra que o que ocorre é exatamente o contrário: quem produz a morte não é a Lei, senão o pecado. O pecado é quem produz a morte no ser humano. A Lei o desmascara e sobre ele nos convence.

Lei e Pecado — Lei e Pecado são elementos diametralmente opostos. A santidade da Lei e em relação ao pecado é de uma seriedade e solenidade na epístola de Romanos ao ponto de o apóstolo deixar claro de que a Lei não é a ministradora do pecado ou da morte. Digamos que ela agrava o Pecado.

Há um ditado popular que diz: “Tudo o que é proibido é mais gostoso”. A partir do momento em que o ser humano toma contato com a proibição é como se houvesse uma revolta contra aquela proibição e uma necessidade imensa de violar aquilo que está proibido. E nossa natureza pecaminosa. Se não quebrada a norma, nenhuma consequência. Mas no caso da pessoa que viola tal norma, sofrerá ela as consequências da norma. Por esse aspecto, podemos dizer que a norma agrava a violação, pois se não houvesse a norma não haveria a violação. Se houvesse Lei, não haveria o pecado. A graça de Deus apresentada pelo apóstolo Paulo implica num compromisso muito sólido e vivo com a ética do Reino de Deus e sua justiça.

2º Trimestre de 2016

 

Título: Maravilhosa Graça — O Evangelho de Jesus Cristo revelado na carta aos Romanos

Comentarista: José Gonçalves

 

 

Lição 5: A maravilhosa Graça

 

TEXTO ÁUREO

 “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça(Rm 6.14).

 

VERDADE PRÁTICA

Cristo Jesus é a graça divina manifestada em forma humana.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Rm 3.24

A graça do Senhor Jesus Cristo provê a justificação

 

 

Terça — Cl 1.29

A graça nos capacita para o trabalho e o combate

 

 

Quarta — Ef 1.3

A graça nos concede bênçãos espirituais nos lugares celestiais

 

 

Quinta — Ef 2.13

A graça nos aproximou e nos reconciliou com Deus

 

 

Sexta — Ef 2.8

A graça é resultado da misericórdia do Todo-Poderoso

 

 

Sábado — Jo 3.16

A graça é resultado do amor de Deus pela humanidade

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 6.1-12.

 

1 — Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?

2 — De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?

3 — Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?

4 — De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.

5 — Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição;

6 — sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado.

7 — Porque aquele que está morto está justificado do pecado.

8 — Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos;

9 — sabendo que, havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele.

10 — Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.

11 — Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor.

12 — Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências;

 

HINOS SUGERIDOS

 

5, 400 e 577 da Harpa Cristã.

 

OBJETIVO GERAL

 

Mostrar que Cristo Jesus é a graça divina manifestada em forma humana.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

 

  • I. Apresentar alguns dos inimigos da graça;
  • II. Mostrar a vitória da graça para com o domínio do pecado;
  • III. Relacionar os frutos da graça.

 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

 

Prezado professor, dando continuidade ao estudo da Epístola aos Romanos, analisaremos nesta lição o capítulo seis. No capítulo cinco Paulo trata da nossa justificação pela fé no sacrifício de Jesus Cristo. No capítulo seis ele vai abordar a respeito da nova vida em Cristo. O apóstolo mostra que o nosso velho homem já foi crucificado com Cristo. Não somos mais escravos do pecado, pois este foi destruído na cruz. Pela fé morremos para o pecado e como novas criaturas precisamos viver para Deus, em obediência e santidade. Como novas criaturas não alcançamos a perfeição, somos tentados e vivemos em um mundo que jaz no maligno, mas desde o momento que tomamos a decisão de viver pela fé, para Cristo, somos livres do poder do pecado, pois agora o próprio Cristo habita em nós (Gl 2.20).

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

O capítulo cinco da Epístola aos Romanos mostra o triunfo da graça sobre o pecado. Paulo já havia falado a respeito da justificação, mas o que significava isso na prática? Que implicações teria na vida dos crentes? O apóstolo não procurou filosofar a respeito da origem do pecado e suas consequências. Ele buscou mostrar, de forma clara, como Deus resolveu essa questão. A graça de Deus nos justificou, abolindo o domínio do pecado e fazendo-nos viver livres em Cristo.

 

 

PONTO CENTRAL

 

 

Jesus Cristo é a revelação do amor e da graça de Deus.

 

 

I. OS INIMIGOS DA GRAÇA

 

1. Antinomismo. Paulo percebeu que a sua argumentação a respeito da graça poderia gerar um mal-entendido. Por isso, tratou logo de esclarecer o seu pensamento a respeito do assunto. Usando o método de diatribe, ele dialoga com um interlocutor imaginário, procurando explicar de forma clara o seu argumento. Paulo já havia dito que onde o pecado abundou, superabundou a graça (Rm 5.20). Tal argumento seria uma afirmação ao estilo dos antinomistas, pois estes acreditavam que podemos viver sem regras ou princípios morais.

2. Paulo não aceita e não confirma o antinomismo. No antimonismo não há normas. Os que erroneamente aceitavam tal pensamento acreditavam que quanto mais pecarmos mais graça receberemos. Em outras palavras, a graça não impõe limite algum. Antevendo esse entendimento equivocado, o apóstolo pergunta: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?” (Rm 6.1). A resposta é não! A graça não deve servir de desculpa para o pecado.

Infelizmente, o antinomismo tem ganhado força em nossa sociedade, passando a ser socialmente aceito até mesmo dentro das igrejas evangélicas. Esta é uma doutrina venenosa, que erroneamente faz com que a graça de Deus pareça validar todo tipo de comportamento contrário à Palavra de Deus. Em geral, tal pensamento vem “vestido” de uma roupagem espiritual, porém o antinomista costuma ser relativista quando se utiliza da expressão “não tem nada a ver”.

3. Legalismo. Em Romanos 6.15, o apóstolo tem em mente o judeu legalista, quando pergunta: “Pois quê? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum!”. A doutrina da justificação pela fé, independentemente das obras da lei, levaria o legalista a argumentar que Paulo estaria ensinado que, em virtude de não estarmos mais debaixo da lei, então não há mais obrigação alguma com o viver santo. Nesse caso, não haveria mais nenhuma barreira de contenção contra o pecado. Na mente do legalista, somente a lei de Moisés era o instrumento adequado para agradar a Deus. Isso justifica as dezenas, e às vezes, centenas de preceitos que o judaísmo associou com o Decálogo. Os legalistas criaram como desdobramento da lei 613 preceitos. A teologia de Paulo irá ensinar que mesmo não estando mais debaixo da lei, o cristão não ficou sem parâmetros espirituais. Pelo contrário, agora que ele tem a vida de Jesus Cristo dentro de si, está capacitado a agradar a Deus, mesmo sem se submeter à letra da Lei de Moisés.

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (I)

 

O antinomismo e o legalismo são inimigos da graça.

 

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

 

“[...] É preciso compreender e comparar dois aspectos da salvação, que são: o aspecto legal e o aspecto ético e moral. No aspecto legal está a justificação, que trata da quitação da pena do pecado. Significa que a exigência da Lei foi cumprida. Porém, no aspecto moral, está a santificação que trata da vivência cotidiana após a justificação. Como compreender então a relação entre a justificação e a santificação?

Em primeiro lugar, a santificação trata do nosso estado, assim como a justificação trata da nossa posição em Cristo. Observe isto: Na justificação somos declarados justos. Na santificação nos tornamos justos. A justificação é a obra que Deus faz por nós como pecadores. A santificação diz respeito ao que Deus faz em nós. Pela justificação somos colocados numa correta e legal relação com Deus. Na santificação aparecem os frutos dessa relação com Deus. Pela justificação nos é outorgada a segurança. Pela santificação nos é outorgada a confiança na segurança. Em segundo lugar, a santificação envolve, também, o aspecto posicional. Na justificação o crente é visto em posição legal por causa do cumprimento da Lei, na santificação o crente é visto em posição moral e espiritual. Posicionalmente, o crente é visto nesses dois aspectos abordados que são: o legal e o moral. Legalmente, ele se torna justo pela obra justificadora de Jesus Cristo. Moralmente, ele se torna santo por obra do Espírito Santo” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, pp.73,74).

 

 

 

II. A VITÓRIA DA GRAÇA

 

1. A graça destrói o domínio do pecado. Para Paulo, o pecado era como um tirano impiedoso que não poupava seus súditos. Ele reinou desde que entrou no mundo e seu domínio parecia não ser ameaçado. O pecado dominou os que não estavam debaixo da Lei e dominou também os que estavam sob sua égide. Não havia escapatória. Por causa do “velho homem”, uma expressão que para Paulo é sinônimo de natureza caída e pecaminosa, que esse iníquo tirano conseguia reinar. Como se libertar, então, desse tirano? Paulo mostra que a solução de Deus foi aquilo que lhe servia de base de sustentação, o corpo do pecado: “Sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado” (Rm 6.6). O “corpo do pecado” significa mais do que simplesmente o corpo físico, mas o corpo como algo que instrumentaliza o pecado e que precisava ser destruído. A palavra grega katargeo, traduzida em Romanos 6.6 como destruído, possui o sentido de destronado ou tornado inoperante. Foi, portanto, através da cruz de Cristo que esse tirano foi destronado e teve seu domínio desfeito. A graça de Deus triunfou sobre o pecado. Glória a Deus pelo seu dom inefável (1Co 9.15).

2. A graça destrói o reinado da morte. O apóstolo mostra que o reinado do pecado e seu domínio caracterizaram-se pela morte. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23). Não há lugar nesse mundo onde não se sinta as consequências do pecado.

3. A graça e os efeitos do pecado. Os efeitos do pecado podem ser vistos por toda parte. Podemos vê-los nas catástrofes naturais, nas guerras, homicídios, estupros e abortos. O pecado traz a marca da morte. Tanto a morte física, como a morte espiritual, o afastamento de Deus, são consequências do pecado. Nada podia destruir esse domínio tenebroso do pecado e fazer parar seus efeitos. Todavia, Paulo mostra que a Graça de Deus invadiu o domínio do pecado e destruiu seu principal trunfo — o poder sobre a morte. A graça de Deus, presente na ressurreição do Senhor Jesus, destruiu o poder sobre a morte física e essa mesma graça, quando nos reconcilia com Deus, destrói o poder da morte espiritual.

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (II)

 

A graça destrói o domínio do pecado na vida daqueles que pela fé aceitam a Jesus Cristo.

 

 

SUBSÍDIO DIDÁTICO

 

No segundo tópico estudamos a respeito de dois inimigos da graça: o antinomismo e o legalismo. Se desejar, leia para os alunos a seção "Conheça Mais" que apresenta uma definição para o termo. Quando ao legalismo, se desejar leia o subsídio abaixo a fim de que os alunos compreendam o termo.

“[Do lat. legale + ismo] Tendência a se reduzir a fé cristã aos aspectos puramente materiais e formais das observâncias, práticas e obrigações eclesiásticas.

No Novo Testamento, o legalismo foi introduzido na Igreja Cristã pelos crentes oriundos do judaísmo que, interpretando erroneamente o Evangelho de Cristo, forçavam os gentios a guardarem a Lei de Moisés.

Contra o legalismo, insurgiu-se Paulo. Em suas epístolas aos gálatas e aos romanos, o apóstolo deixou bem claro que o homem é salvo unicamente pela fé em Cristo Jesus, e não pelas obras da Lei” (ANDRADE, Claudionor Corrêa de Andrade.Dicionário Teológico. 17ª Edição. RJ: CPAD, 2008, p.251).

 

 

III. OS FRUTOS DA GRAÇA

 

1. A graça liberta. A graça é libertadora (Rm 6.14) e produz frutos para a nossa santificação: “Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna” (Rm 6.22). Somente a graça seria capaz de desfazer o domínio do pecado. A Bíblia afirma que quem comete pecado é escravo do pecado (Jo 8.34). E mais, o escravo não possuía domínio sobre o seu arbítrio. Essa situação mudou quando a graça, revelada na pessoa de Jesus Cristo, entrou na história e desfez o domínio do pecado. Paulo afirmou que o “pecado não terá domínio sobre nós”. Somos livres em Cristo. Essa liberdade é uma realidade na vida do crente: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão” (Gl 5.1).

2. Exigências da graça. A graça liberta, mas ao mesmo tempo tem suas exigências. Isso fica claro pelo uso dos termosconsiderar (6.11), que no original (logizomai) significa reconhecer, tomar consciência: “Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.11). Em Romanos 6.13 a palavra “apresentar” (gr. paristemi), significa colocar-se à disposição de alguém: “Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça” (Rm 6.13).

3. A graça santifica. Paulo revela que um dos efeitos imediatos da graça é a justificação e o outro é a santificação: “Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna” (Rm 6.22). A palavra “santificação”, que traduz o grego hagiasmos mantem o sentido de “separação”. A graça nos libertou e nos separou para Deus. A santificação aparece aqui nesse texto como um fruto da graça. No ensino de Paulo a santificação ocorre em dois estágios. Primeiramente somos santificados em Cristo quando o confessamos como Salvador de nossas vidas. Na teologia bíblica isso é conhecido como santificação posicional. Por outro lado, não podemos nos acomodar, mas procurar a cada dia nos santificar, isto é, nos separar para Deus. Essa é a graça progressiva, aquilo que existe como um processo na vida do crente.

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (III)

 

Dois são os frutos da graça, a liberdade em Jesus Cristo e a santificação.

 

 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

 

“Consagração do corpo mortal

‘Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões’ (Rm 6.1). Entendemos que o pecado opera por meio do corpo. Da mesma forma que o corpo pode ser consagrado a Deus (Rm 12.1), pode também ser dedicado ao pecado. É claro que o corpo, por si mesmo não pode fazer nada, pois é controlado pela mente. Entretanto, quando o pecado domina a mente do homem, ele controla as ações do corpo. A mente pertence ao domínio da alma humana, e quando a primeira alma inteligente (Adão — Rm 5.12) pecou, todo o seu corpo foi dominado pelo pecado. Quando Paulo exorta os que já haviam experimentado a regeneração dizendo: ‘Não reine o pecado em vosso corpo mortal’, ele estava mostrando aos crentes, romanos que, uma vez que foram justificados, resta-lhes agora viver como tais, na santificação do Espírito” (CABRAL, Elienai.Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.77).

 

 

CONCLUSÃO

 

Vimos nesta lição quem são os inimigos da graça, conhecemos a vitória da graça e os seus frutos. Tudo que temos e tudo que somos só foram possíveis pela graça de Deus. Essa graça é que trouxe salvação. “Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens”. Que venhamos viver segundo a recomendação de Tito, renunciando à impiedade e vivendo neste presente século de forma sóbria, justa e piamente (Tt 2.11,12).

 

PARA REFLETIR

 

A respeito da Carta aos Romanos, responda:

 

Segundo a lição, cite dois inimigos da graça.

Antinomismo e legalismo.

 

Em que os antinomistas acreditavam?

Os que erroneamente aceitavam tal pensamento acreditavam que quanto mais pecarmos mais graça receberemos. Em outras palavras, a graça não impõe limite algum.

 

Para o legalista qual era o único instrumento adequado para agradar a Deus?

Na mente do legalista, somente a lei de Moisés era o instrumento adequado para agradar a Deus.

 

Segundo a lição, o que a graça de Deus destrói?

A graça destrói o domínio do pecado.

 

Qual fruto a graça produz no crente?

Os frutos da liberdade e da santificação.

 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

 

A maravilhosa Graça

 

O obstáculo à mensagem da Graça de Deus

Um dos maiores obstáculos sobre o ensino do apóstolo Paulo quanto à maravilhosa graça de Deus é a confusão feita com o Antinomismo. O prezado professor já deve ter se interado das implicações imorais que o Antinomismo traz às vidas das pessoas. A ideia do Antinomismo é promover a extinção de quaisquer espécies de preceitos morais em forma de lei a ser seguida. De modo que se qualquer cristão exigir o mínimo de um comportamento moral do outro, logo ele será denominado moralista, no sentido mais pejorativo do termo.

É claro que o apóstolo Paulo não estava ensinando no capítulo 6 a extinção de quaisquer aspectos de ordem moral. Quem criou essa confusão foram os intérpretes de Paulo, mais vinculados às doutrinas do Gnosticismo, ao ponto de defenderem a estapafúrdia ideia de que quanto mais “o crente pecar mais a graça o alcançará”, uma interpretação transloucada de Romanos 5.20b: “Mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça”.

A analogia entre Adão e Cristo

Ora, qualquer estudante sério das Escrituras sabe que o versículo acima é a culminação da analogia de que o apóstolo faz entre Cristo e Adão (de acordo com o que estudamos na lição 4). Bem como explicou o erudito John Murray, a entrada e a universalidade totalitária do pecado neste mundo, bem como o juízo e a morte, estão ambos vinculados à pessoa de Adão (onde o pecado superabundou). Entretanto, a entrada da justiça divina, o predomínio da graça, da justificação, retidão e da verdadeira vida estão ligadas a Jesus Cristo (onde superabundou a graça). Neste aspecto, o apóstolo quer mostrar que a história da humanidade gira em torno desses dois eixos, Adão e Jesus.

A doutrina da maravilhosa graça de Deus nos mostrará que o homem dominado pelo pecado só pode ser livre desse domínio pela graça divina. Neste sentido, ela é libertadora, pois livra o ser humano do senhorio do mal; ela é vida, pois destrói o reinado da morte; ela é eterna, pois faz o ser humano levantar-se da morte para a vida plena.

O ser humano nascido de novo tem gerado dentro dele uma nova consciência que, mesmo quem não conheceu a Lei de Moisés, manifesta a ética e o comportamento baseado no Amor de Deus de maneira consciente e sincera (Gl 5.22-24). Ou seja, o Espírito Santo é quem convenceu este ser humano do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8-11). Por isso, a graça é maravilhosa!

 

   
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