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LIÇÃO 4 – OS BENEFÍCIOS DA JUSTIFICAÇÃO

TEXTO ÁUREO:

"Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós sendo nós ainda pecadores." (Rm5.8)

 

VERDADE PRÁTICA:

A justificação pela fé em Cristo nos libertou de Adão, símbolo do velho homem, para nos colocar em Cristo, onde fomos feitos uma nova criação.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda – 1Co 15.21 - O pecado entrou no mundo mediante a Queda de um único homem     

Terça – 1Co 15.22 - Todos morreram em Adão e só podem ser vivificados em Jesus

Quarta – 1Co 5.13 - O pecado só pode ser imputado havendo a lei

Quinta – Rm 5.15 - A suprema eficiência da redenção em Jesus Cristo

Sexta – Rm 5.17 - O pecado trouxe morte, mas Cristo trouxe a graça divina

Sábado – Rm 5.21 - A graça e a justiça reinam por intermédio de Cristo

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Romanos 5.1-12

1 TENDO sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;

2 Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.

3 E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência,

4 E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.

5 E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

6 Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.

7 Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer.

8 Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.

9 Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.

10 Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.

11 E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.

12 Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.

 

HINOS SUGERIDOS:          90, 310, 400da Harpa Cristã

 

OBJETIVO GERAL

Esclarecer que a justificação pela fé em Cristo nos libertou da lei do pecado e nos fez novas criaturas.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Apresentar as bênçãos decorrentes da justificação;

Mostrar as bênçãos do amor trinitário;

Explicar as bênçãos decorrentes na nova criação.

 

  • INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Professor, você já parou para refletir a respeito das bênçãos decorrentes da justificação pela fé? Pare e pense no que Cristo fez por você. Louve ao Salvador. Adore-o pela sua graça e redenção.

O Filho de Deus assumiu o castigo que era nosso. Ele tomou sobre si a nossa condenação. Na cruz Cristo cumpriu a nossa pena nos justificando perante o Pai e fazendo de nós novas criaturas. Ele nos libertou da lei do pecado. Uma vez livres e justificados pela fé temos paz com Deus (Rm 5.1) e acesso à graça (Rm 5.2). Como pecadores jamais poderíamos pagar a nossa dívida para com o Pai. Quando pela fé recebemos o perdão de Deus, a culpa que perturbava as nossas consciências foi substituída pela graça e misericórdia divina.

INTRODUÇÃO

Nos quatro primeiros capítulos da Epístola aos Romanos, Paulo já havia escrito a respeito das origens e das bases da nossa justificação. Faltava agora falar dos resultados dessa justificação. Que benefícios ela nos trouxe? Quais seriam as bênçãos a ela associada? Paz, alegria, esperança são algumas dessas bênçãos associadas à justificação. Todavia, Paulo vai além, ele mostra que tudo isso só foi possível porque Deus nos fez participante de uma bênção maior — sermos parte da nova criação. Esse fato será mostrado através do contraste feito entre Adão, símbolo da velha criação e Cristo, o segundo Adão, cabeça de uma nova criação.

 

PONTO CENTRAL

A justificação pela fé nos concede muitos benefícios.

 

I-A BÊNÇÃO DA GRAÇA JUSTIFICADORA (Rm 5.1-5)

 

  1. A bênção da paz com Deus.

No capítulo cinco de Romanos, Paulo mostra os benefícios da justificação pela fé logo no primeiro versículo: "Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com uso que Paulo faz da palavra paz aqui é diferente daquele usado no mundo antigo. No geral, o termo significava ausência de guerra. Porém, Paulo se refere ao vocábulo paz conforme ele aparece no Antigo Testamento e cujo significando era a salvação dos piedosos, prosperidade e bem-estar. Embora os manuscritos mais aceitos do original grego tragam a palavra tenhamos em vez de temos, os teólogos concordam que o argumento de Paulo aqui é a paz como efeito imediato dessa justificação. Assim sendo essa paz deve ser desfrutada aqui e agora. Robertson, erudito em grego bíblico, traduz essa expressão como gozemos de paz com Deus. Portanto, uma paráfrase das palavras de Paulo ficaria da seguinte forma: "Já que fomos justificados por meio da fé, desfrutemos, pois, dessa paz com Deus". Deus tem paz para todos os que foram justificados em Cristo Jesus e deseja que desfrutemos dela.

 

  1. A bênção de esperar em Deus.

Antes de falar da bênção de esperar em Deus, Paulo fala como se deu esse acesso:

fé a esta graça, na qual estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus" (Rm 5.2). A fé no Cordeiro de Deus nos abriu a porta da graça. Observe o comentário que William Barclay faz a respeito desse texto: "O próprio Jesus nos introduz na presença de Deus; nos abre a porta de acesso à presença do Rei dos reis. E quando se abre essa porta o que encontramos é a graça; não condenação, nem juízo, nem vergonha; senão o intocado e imerecido amor de Deus". A porta se abriu para a esperança. No contexto de Romanos, esperança significa enfrentar o tempo presente, com todos os seus desafios, porque se tem certeza quanto ao futuro. O futuro não é algo mais desconhecido, porque a fé em Jesus nos tornou participantes do seu reino.

 

3- A bênção de sofrer por Jesus.

Na lista dos benefícios ou bênçãos vindos da cruz encontramos uma que, no contexto atual, escandaliza muita gente. Paulo tem no sofrimento uma motivação para se gloriar! "E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência; e a experiência, a esperança" (Rm 5.3,4).

 

A palavra grega thlipsis, traduzida em português como tribulação, significa pressões, dificuldades e sofrimentos. Que tipo de fé era essa que se alegrava

no sofrimento? Era a fé pura, sem os resquícios da Teologia da Prosperidade, sem os paliativos espirituais criados para entreter os cristãos modernos.

 

SÍNTESE DO TÓPICO l

Com a justificação pela fé recebemos a bênção da paz com Deus.

 

SUBSÍDIO DIDÁTICO

Inicie o tópico fazendo a seguinte indagação: Quais são as bênçãos de correntes da justificação?" Incentive a participação de todos e ouça os alunos com atenção. Em seguida copie no quadro o esquema abaixo. Utilize-o para mostrar aos alunos algumas das bênçãos decorrentes da justificação. Leia e discuta as referências bíblicas com os alunos.

 

         OS BENEFÍCIOS DA JUSTIFICAÇÃO

  1. Paz com Deus (5.1).       
  2. Acesso à graça, pela fé (5.2). 
  3. Esperança da glória de Deus (5.2), 

4 Alegria nas tribulações (5.3-5).

  1. O amor divino derramado em nós (5.5b).
  2. O amor de Deus demonstrado a nós através da morte de seu Filho   (5.6-11).

 

 

II-AS BÊNÇÃOS DO AMOR TRINITÁRIO (Rrn 5.5-11)

 

  1. O amor que o Pai outorga.

A visão que Paulo possui a respeito do Senhor é muito diferente da do judaísmo dos seus dias. O Deus que Paulo está revelando em suas epístolas é amor. Por isso, muito diferente daquele que os judeus conheciam.  

A expressão amor de Deus, que aparece em Romanos 5.5, no original está no caso genitivo, indicando origem ou posse. Deus é a origem e a fonte do amor. Embora o antigo Israel houvesse quebrado a aliança, sendo digno de punição, Deus em seu amor infinito o procura para uma reconciliação. Esse é o amor que perdoa.

O Deus da teologia paulina ama suas criaturas e como prova maior desse amor enviou seu Filho para morrer por elas (Jo 3.16). A justificação pela fé nos dá uma nova percepção da pessoa de Deus e seus atributos, e essa percepção mostra que Ele é amor.

 

  1. O amor que o Espírito distribui.

Deus é a fonte do amor e o Espírito Santo é quem o instrumentaliza na vida do crente. Paulo diz que o amor de Deus está "[...] derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5.5b).

 

O apóstolo tem em mente a profecia de Joel 2.28 e o evento de Pentecostes em Atos dos Apóstolos 2.4, onde há a infusão do Espírito Santo sobre os crentes. Há alguns fatos interessantes com o tempo verbal grego (tempo perfeito) da palavra ekchéo, traduzida aqui como derramar. Esse verbo enfatiza uma ação passada, mas que continua com os efeitos no presente. É como se ele dissesse, "o amor de Deus foi derramado em nossos corações no passado quando cremos no Senhor, mas seus efeitos continuam vivos no presente". Temos, pois, razão para amarmos porque o Espírito Santo faz-nos viver esse amor.

 

  1. O amor que o Filho realiza.

O amor é originário do Pai, operacionalizado pelo Espírito e realizado pelo Filho. Cristo é a manifestação suprema do amor de Deus (Rm 5.6-8). Se quisermos conhecer o amor de Deus, basta olharmos para Cristo, o bendito Filho de Deus.

 

SÍNTESE DO TÓPICO II

Com a justificação pela fé recebemos a bênção do amor trinitário.

 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

O amor divino derramado em nós (5.5b)

Temos a força que energiza a nossa esperança que é "o amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo', Esse amor só é derramado sobre um coração justificado, O interessante desse versículo é o destaque ao amor que Deus tem por nós, e não o amor que ternos para com Ele. Descobrimos também neste versículo a participação das três Pessoas da Trindade na nossa justifica cão. Clifton J, Allen, em seu Comentário aos Romanos, escreve sobre isto: "As três Pessoas da Trindade têm sua parte na nossa salvação. Deus nos justifica por causa da nossa fé. Sua justiça se torna possível por causa da redenção dada por Cristo, O Espírito Santo nos torna cônscios da nossa necessidade, faz com que exerçamos a fé, e faz transbordar os nossos corações com o amor de Deus. O amor de Deus satisfaz a terna afeição do coração ou corresponde ao desejo do coração1. Portanto, recebemos o amor de Deus em nossos corações e somos transbordados de alegria, graça, poder e vida nova" (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5.ed» Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp.64,65).

 

VOCÊ SABIA?

Dois Adãos (Rm 5.11-21)

Os teólogos se encantam com essas passagens e discutem exatamente sobre como a morte foi transmitida a todos os homens através do pecado de Adão. Essa questão para Paulo é de ordem prática. A nossa herança racial de Adão é de pecado, morte, alienação. Agora, no entanto, pertencemos a Cristo, o fundador de uma nova raça. Nossa herança nele é de justiça e vida."

 

Ill- AS BÊNÇÃOS DA NOVA RIAÇÃO (Rm 5.12-21)

 

  1. O homem em Adão.

Os efeitos e as bênçãos da justificação são agora ilustrados por Paulo com as figuras de Adão e Cristo. Primeiramente Paulo fala do "homem em Adão", em Romanos 5.12-14. Existem várias interpretações a respeito deste texto bíblico, mas a ideia mais aceita pelos intérpretes é que Adão, como cabeça da raça humana, representava toda a humanidade. Nesse aspecto, todos pecaram, pois, todos descenderam de Adão. Para Paulo, o "homem em Adão", símbolo da velha criação, está condenado; em desobediência; dominado pelo pecado e vencido pela morte. O homem em Adão é, portanto, um projeto falido. Não há nenhuma esperança para ele.

 

  1. O homem em Cristo.

O contraste entre Adão e Cristo é feito com cores vivas pelo apóstolo em Romanos 5.15-17. O "homem em Cristo", símbolo da nova criação de Deus, é justificado, obediente, dominado pela graça e dominado pela vida com Deus.

O primeiro Adão é alma vivente, o segundo Adão é Espírito vivificante; o primeiro Adão é da terra, o segundo Adão é do céu; o primeiro Adão é pecador, o segundo Adão é justo; o primeiro Adão é morte, o segundo Adão é vida. É exatamente isso que o apóstolo ensina em outro lugar aos cristãos de Éfeso. Em Cristo, somos abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais; escolhidos nEle antes da fundação do mundo para sermos santos; fomos feitos filhos de Deus; temos a redenção dos nossos pecados pelo seu sangue e fomos selados com o Espírito Santo (Ef 1.1-13).

 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

Reproduza o quadro da página seguinte. Leia com os alunos Romanos 5.15-21 e em seguida, utilizando o quadro faça um contraste entre Adão e Cristo.

 

ADÃO

  1. Peia ofensa de um só, morreram muitos (v. 15).
  2. Unia só ofensa e todos foram condenados (v. 16),
  3. Pela ofensa de um, reinou a morte sobre todos (v. 17).
  4. Por uma só ofensa veio o juízo todos (v. 18).
  5. Pela desobediência de um homem, todos se fizeram pecadores (v. 19).
  6. Pela ofensa de um só, abundou o pecado (v. 20).
  7. O pecado reinou peia morte (v. 21).

 

CRISTO

  1. Peto dom da graça de UM só homem, a graça foi abundante sobre muitos (v. 15).
  2. A graça de um só homem transcorre de muitas ofensas (v. 16),
  3. Peia justiça de um só reinou a vida (v. 17).
  4. Por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos (v. 18),
  5. Pela obediência de um homem, muitos se tornaram justos (v. 19).
  6. Pela justiça de um só, superabundou a graça (v. 20).
  7. A graça reinou pela justiça (v. 21).

 

SÍNTESE DO TÓPICO III

Com a justificação pela fé recebemos a bênção do novo nascimento.

 

CONCLUSÃO

O capitulo cinco de Romanos mostra de que forma Deus amou os homens. Ele os encontra pecadores, ímpios, e indiferentes ao seu propósito. Mas, mesmo assim os ama. Numa demonstração inimaginável de amor, Ele os justifica pela fé na pessoa bendita de Jesus Cristo e os abençoa com todas as bênçãos espirituais. No capítulo 5 de Romanos o amor de Deus parece romper todos os limites. Não é pelo que fazemos, mas pelo que Cristo fez por nós! Como disse certo autor: "Não há nada que eu possa fazer para Deus me amar mais e não há nada que eu possa fazer para Ele me amar menos".

 

PARA REFLETIR

A respeito da Carta aos Romanos, responda:

  • Qual era o significado da palavra paz no Antigo Testamento?

O uso que Paulo faz da palavra paz é diferente daquele usado no mundo antigo. No geral, o termo significava ausência de guerra. Porém, Paulo se refere ao vocábulo paz conforme ele aparece no Antigo Testamento e cujo significado era a salvação dos piedosos, prosperidade e bem-estar.

  • Qual o primeiro benefício da justificação?

A paz com Deus.

  • Qual o significado da palavra esperança no contexto de romanos?

No contexto de Romanos, esperança significa enfrentar o tempo presente, com todos os seus desafios, porque se tem certeza quanto ao futuro.

  • Quem é a origem, fonte do amor?

Deus é a origem e a fonte do amor.

  • Faça um contraste entre Adão e Cristo.

O primeiro Adão é alma vivente, o segundo Adão é Espírito vivificante; o primeiro Adão é da terra, o segundo Adão é do céu; o primeiro Adão é pecador, o segundo Adão é justo; o primeiro Adão é morte, o segundo Adão é vida.

 

2º Domingo do Mês - Culto do Amigo - Missões

Lição 3: Justificação, somente pela fé em Jesus Cristo



Lição 3: Justificação, somente pela fé em Jesus Cristo

Data: 17 de Abril de 2016

 

TEXTO ÁUREO

 “E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus” (Rm 4.20).[Comentário: Dar glória a Deus é a garantia da qualidade da fé, visto que é dependência do poder de Deus e é também confiança em sua promessa proferida (v. 21). A vida de fé que Abraão demonstrou era de natureza tal que os atributos de Deus formavam o seu alicerce e, por conseguinte, era uma vida na qual a glória de Deus foi exibida. Foi exercendo essa espécie de fé que ele foi justificado.]

 

VERDADE PRÁTICA

A justificação dos pecados diante de Deus ocorre somente pela fé.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda — Rm 4.2 - Abraão foi justificado pela fé e não pelas obras da carne

Terça — Rm 4.3 - Abraão creu em Deus e por isso Ele o aceitou e justificou

Quarta — Rm 4.6 - Feliz é o homem a quem Deus imputa a sua justiça

Quinta — Rm 4.7 - Felizes são aqueles a quem o Senhor perdoa as iniquidades

Sexta — Rm 4.9 - A Palavra de Deus afirma que a fé foi imputada como justiça a Abraão

Sábado — Rm 4.16 - Salvação somente pela fé, mediante a graça divina

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Romanos 4.17-22.

17 — (como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí), perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se já fossem.

18 — O qual, em esperança, creu contra a esperança que seria feito pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência.

19 — E não enfraqueceu na fé, nem atentou para o seu próprio corpo já amortecido (pois era já de quase cem anos), nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara.

20 — E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus;

21 — e estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer.

22 — Pelo que isso lhe foi também imputado como justiça.

 

HINOS SUGERIDOS

27, 156 e 464 da Harpa Cristã.

 

OBJETIVO GERAL

Explicar que somos justificados diante de Deus somente pela fé e não pelas obras da carne.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

 

- Abalizar que a justificação manifestada em Jesus Cristo veio para salvar judeus e gentios;

- Mostrar que Paulo procurou responder, de forma bíblica, as contestações que seus interlocutores faziam quanto à justificação;

- Explicar como Paulo utilizou o exemplo de Abraão para tratar a respeito da justificação pela fé.

 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Professor, a lição de hoje trata a respeito de uma das doutrinas mais importantes apresentadas por Paulo na Epístola de Romanos — a justificação pela fé. Ressalte, no decorrer de toda a lição, que ninguém pode ser justificado diante de Deus pela Lei ou pelas obras da carne. O caminho da justificação é somente pela fé na obra expiatória de Jesus Cristo. Paulo mostra que Cristo é o único caminho para que judeus e gentios sejam absolvidos da penalidade do pecado. O apóstolo, de maneira sábia, utiliza o exemplo do patriarca Abraão para desfazer a ideia errada que os judeus tinham de que a aceitação de Deus era obtida mediante as obras da Lei.

 

Glória a Deus, pois na Nova Aliança, tudo que recebemos da parte do Senhor, inclusive a salvação, é decorrente única e exclusivamente da graça de Deus.

 

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Na lição de hoje, estudaremos a doutrina bíblica da justificação pela fé, conforme a Carta aos Romanos nos capítulos 3.1- 4.25. Esses textos contêm uma das mais contundentes defesas de Paulo em favor da justificação pela fé, independente das obras. Para uma melhor compreensão deste tema tão relevante, a argumentação do apóstolo será dividida em três partes: a justificação manifestada, a justificação contestada e a justificação exemplificada. A chamada de Abraão, o grande patriarca de Israel, será a base da argumentação de Paulo para provar a doutrina da justificação somente pela fé. O argumento de Paulo é que todas as bênçãos de Deus e todas as suas promessas são frutos da sua graça para conosco. [Comentário: No Calvário, a justiça de Deus chega ao seu cumprimento histórico, através de Cristo e sua missão redentora. Já vimos na lição anterior que a justificação pela fé foi um dos pilares da Reforma Protestante. Também vimos que a salvação é pela graça mediante a fé e não o resultado das obras nem mesmo da adição de fé mais obras. Assim sendo, a salvação não é uma conquista do homem, mas um presente de Deus. Não é uma medalha de honra ao mérito, mas uma manifestação do favor imerecido de Deus. Martinho Lutero disse: “Esta doutrina é a cabeça e a pedra fundamental. Por si só, ela gera, alimenta, edifica, preserva e defende a igreja de Deus. E sem ela, a igreja de Deus não poderia existir nem por uma única hora”. Martin Lloyd-Jones afirmou que a justificação pela fé “é a grande doutrina central de todo protestantismo, e vocês descobrirão que em cada avivamento ela sempre vem na vanguarda”. A igreja cai ou permanece de pé por causa desta doutrina. Ela é a espinha dorsal de todas as doutrinas bíblicas. John Piper diz: “Pregar e viver a justificação pela fé glorifica a Cristo, resgata pecadores desesperados, encoraja santos imperfeitos e fortalece igrejas frágeis”.] Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

 

 

PONTO CENTRAL

A justificação diante de Deus é somente pela fé.

 

 

  1. A JUSTIFICAÇÃO MANIFESTADA (Rm 3.21-26)
  2. Um culpado que é inocentado. Em Romanos 3.21, lemos: “Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas”. Paulo nos mostra como Deus se revelou para alcançar os gentios e judeus. Os gentios estavam debaixo da ira de Deus, porque falharam em conhecê-lo. Os judeus também estavam debaixo da ira divina, por não conseguirem guardar a Palavra do Senhor. O vocábulo manifestou, no grego, vem de uma raiz cujo significado é tornar manifesto ou visível ou conhecido o que estava escondido ou era desconhecido. Deus, na pessoa de Jesus Cristo, tornou conhecido o seu grande amor para com os pecadores. Encontramos Paulo recorrendo a uma figura extraída do mundo jurídico para esclarecer o seu pensamento. O termo justiça traduz a palavra grega dikaiosyne, muito comum no contexto de um tribunal. A imagem é de alguém que é inocentado por um juiz, mesmo sendo culpado pelos seus atos. Concluímos então que, mesmo culpados, Deus quis nos justificar e perdoar.[Comentário: A justificação é um ato legal, forense e judicial de Deus. É feita no tribunal de Deus e não em nosso coração. É um ato jurídico ou uma sentença divina na qual Ele declara perdoado todo pecador que crer em Jesus. Louis Berkhof define: “A justificação é um ato judicial de Deus no qual Ele declara, baseado na justiça de Jesus Cristo, que todas as exigências da lei estão satisfeitas com respeito ao pecador”. A justificação é o contrário de condenação. Ela é um ato único e legal que remove a culpa do pecado e restaura o pecador à sua condição de filho de Deus, com todos os seus direitos, privilégios e deveres. A justificação não ocorre na vida do pecador, não produz mudanças no seu caráter, mas no Tribunal de Deus. Justificação é uma declaração e santificação é transformação. Mas, é a partir da justificação que o Espírito Santo inicia no pecador todo o processo de santificação até a sua glorificação.]

 

  1. Um prisioneiro que é libertado. Em Romanos 3.24, Paulo usa o verbo grego apolytroseo para se referir à redenção efetuada por Jesus Cristo. Essa palavra, conforme definem os léxicos da língua grega, tem o sentido de redenção, resgate ou libertação. No contexto neotestamentário tem o sentido de libertar mediante o preço de um resgate. No mundo antigo um escravo podia ser resgatado mediante o pagamento de um preço. É exatamente isso que Deus fez. Enviou Jesus Cristo para resgatar o homem que estava preso em seus delitos e pecados (Ef 2.1,2). Tanto judeus como gentios deveriam se conscientizar dessa realidade. Ninguém pode se autolibertar. [Comentário: Como uma pessoa pode se tornar aceitável diante de Deus? A resposta está clara no Novo Testamento, especialmente nos escritos de Paulo, como a passagem clássica de Romanos 3.21-25. Nas Escrituras, a justificação é o contrário da condenação. É a declaração que diz que o pecador que crê é justo, e isso devido à retidão imputada de Cristo, o “dom da justiça”, conforme lemos em 5.17. Agora a justiça de Cristo é legalmente considerada como possessão do pecador crente. Todos os homens são pecadores e necessitam do perdão de Deus. A justiça de Deus é para todos e sobre todos, judeus e gentios, porque todos erraram o alvo, deixando de ser conforme o propósito de Deus. Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm 3.23). Infelizmente, a palavra portuguesa “justificação”, originária do latim, dá a idéia de “tornar justo”, no sentido de produzir justiça no justificado. Mas o termo grego originaldikaiosyne não se refere a uma mudança intrínseca no indivíduo, e sim a uma declaração feita por Deus. Visto que não temos justiça própria e somos culpados diante de Deus, ele nos declara justos com base na expiação de nossos pecados por Cristo e na sua justiça imputada a nós.]

 

  1. Um inocente que é culpado. Se o sistema judicial foi útil para elucidar o pensamento do apóstolo, da mesma forma a figura extraída do sistema de sacrifícios levítico também o auxiliou. Isso pode ser visto no texto: “Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus” (Rm 3.25). A palavra propiciação (gr. hülasterion), que está relacionada ao termo propiciatório é uma terminologia muito utilizada no Antigo Testamento para se referir aos sacrifícios pelo pecado. No sistema levítico, quando alguém pecava tornava-se culpado de algo, e um animal inocente era sacrificado para que a culpa fosse expiada. Paulo mostra que tanto os gentios como os judeus não podem chegar a Deus pelos seus esforços ou obras, mas única e exclusivamente pelo sangue de Jesus: o inocente Cordeiro de Deus que foi sacrificado por nós.[Comentário: A justificação é um presente que Deus concede ao homem. Paulo diz: sendo justificados gratuitamente, por Sua graça (Rm 3.24). A palavra gratuitamente significa “como um presente”, “sem pagamento”; e a palavra graça significa “por um favor imerecido”. Ela não pode ser comprada por obras humanas ou conquistada por méritos pessoais. Ela é exclusivamente pela graça - gratuita para o pecador, mas ela teve um alto custo para Deus. Para nós a salvação é grátis, mas para Deus custou à vida de Seu Filho. “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1Pe 1.18-19). É por meio do sacrifício de Jesus, que Deus toma a culpa do pecador e a atribui a Jesus Cristo. E a justiça que há em Jesus Cristo é imputada ao pecador. Jesus pagou a pena em nosso lugar, e por isso nenhuma condenação há para aquele que nEle confia. Cristo “…foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação”. A justificação pela fé é a doutrina que marca o rompimento dos reformadores com a Igreja de Roma. A justificação, de acordo com o ensino de Roma, era pelas obras. Esse ensino escravizava a mente e o coração das pessoas, que nunca podiam descansar em Deus, tendo a necessidade de praticar constantemente as obras recomendadas pela igreja.]

 

SÍNTESE DO TÓPICO (I)

Paulo nos mostra como Deus manifestou a sua justificação para alcançar os gentios e judeus.

 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“A Doutrina da Justificação

A estudarmos a Doutrina do Pecado descobrimos que ninguém pode ser justificado pela justiça humana. Entretanto, é na doutrina da justificação, no texto de 3.1 a 5.21, que o pecador encontra o caminho da justificação, através da obra expiatória de Cristo. No primeiro estado, o pecador está perdido e sem possibilidade alguma de se justificar diante de Deus. No segundo estado, o pecador encontra Cristo que o justifica.

É a partir do capítulo 3.21 que o pecador, judeu ou gentio, encontra um novo caminho através dos méritos de Cristo Jesus. É aqui que ele pode ser perdoado e declarado livre da pena do seu pecado, perante Deus.

Justificação significa absolvição da culpa, cuja pena foi satisfeita. Significa ser declarado livre de toda culpa tendo cumprido todos os requisitos da lei.

Justificação é um termo forense que denota um ato judicial da administração da lei. Esse ato judicial legaliza a situação do transgressor perante a lei e o torna justo, isto é, livre de toda a condenação. Cristo assumiu a pena do pecador e foi sentenciado no lugar do pecador. Ele sofreu a pena contra o pecador. Cumprida a pena, o veredicto final da justiça divina é a justificação do pecador. Entende-se então que ser justificado não significa que a justiça tenha sido adiada, ou que ela não tenha sido cumprida” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.52).

 

  1. A JUSTIFICAÇÃO CONTESTADA (Rm 3.27-31)
  2. A justificação se opõe à salvação meritória. Paulo desejava que o seu ensino não fosse mal interpretado, então recorrendo ao método da diatribe, se adiantando em responder as contestações que seus interlocutores poderiam fazer-lhe. “Onde está, logo, a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não! Mas pela lei da fé” (Rm 3.27). A lei dizia faça e o judeu devoto estava convicto de que Deus o justificaria pelo que fazia. No entanto, a graça que Paulo ensinava dizia não faça, mas aceite o que Jesus já fez. O que seria feito então do orgulho judaico que se vangloriava em ser o povo eleito de Deus e das boas obras que praticavam? Não levaria Deus isso em conta nessa nova doutrina de Paulo? Nas palavras do apóstolo, não! É bem fácil imaginar que para um judeu devoto, guardador da lei e praticante de boas obras, que o ensino da justificação “pela fé somente” era bem difícil de digerir. Não é fácil abrirmos mão do nosso orgulho e deixarmos de nos vangloriarmos pelos nossos feitos. Todavia, a doutrina da justificação pela fé diz que não há mérito humano quando a graça de Deus se manifesta. A conclusão de Paulo é que “o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei” (Rm 3.28). [Comentário: A fonte da justificação é a graça de Deus, o fundamento da justificação é a obra de Cristo e o meio da justificação é a fé. A fé é o canal através do qual a justificação é concedida ao pecador que crê; é o meio pelo qual ele toma posse das bênçãos obtidas por Cristo (como a paz com Deus, Rm 5.1). Ela não é uma boa obra, mas um dom de Deus, como Paulo ensina em Efésios 2.8-9. É o único meio de receber o que Deus fez por nós (“sola fides”), ficando excluídos todos os outros atos ou obras. A morte expiatória de Cristo assegura uma parte de nossa justificação, ou seja, aquela que diz respeito ao perdão, enquanto sua ressurreição obtém para nós o outro elemento, o da justiça. Como morte e ressurreição permanecem juntas como aspectos gêmeos da realização central de Cristo, o mes­mo acontece com a expiação e a justificação. A morte na cruz não foi o final para Jesus. Sua morte foi o cumprimento de uma importante etapa de sua obra, que teve continuidade em sua ressurreição, ascensão, sessão à destra do Pai e em sua obra permanente como Profeta, Sacerdote e Rei. Por sua vez, foi a ressurreição que deu significado à morte e lançou luz para os discípulos sobre tudo o que havia ocorrido anteriormente. Foi sua ressurreição que deixou claro para os discípulos e para todos aqueles que o viram pregado na cruz que ele realmente era quem dizia ser: o Messias prometido. Além do mais, a própria ideia da ressurreição exige a morte primeiro, ou isso não é ressurreição. Da mesma forma como morte e ressurreição são inseparáveis e mutuamente necessárias, assim também a justificação não pode ocorrer sem a expiação pelos pecados, pois as pessoas não podem ser consideradas justas se elas estão sob a ira de Deus. Por outro lado, a expiação também não pode ser entendida sem seu com­panheiro inseparável, o recebimento da justiça, que nos capacita não apenas a sermos trazidos a um estado de inocência, mas nos faz aptos para entrarmos em comunhão com um Deus justo e santo. Relativo à ‘trapos de imundícia’, os “atos de justiça” que Isaías tinha em mente eram, muito provavelmente, os rituais superficiais oferecidos por Israel, desprovidos de uma fé e de uma obediência sinceras. m Isaías 65.1-7, o Senhor rejeita os sacrifícios pecaminosos de Israel. Eles são um insulto ao Senhor, fumaça para seu nariz, assim como a “obediência” ritualista de Isaías 58 não impressionou ao Senhor porque seu povo continuava oprimindo o pobre. Os “atos de justiça” eram “trapos imundos” porque não eram nem um pouco justos. Tinham aparência boa, mas não passavam de farsa, literalmente uma cortina de fumaça para acobertar a incredulidade e a desobediência deles. Então, não é correto pensar que todo “ato de justiça” do crente são trapos imundos aos olhos de Deus. Aliás, no versículo anterior, Isaías 64.5, Isaías declara: “Vens ajudar aqueles que praticam a justiça com alegria, que se lembram de ti e dos teus caminhos”. Não é impossível o povo de Deus praticar atos de justiça que agradam a Deus. Sobre isso, John Piper explica: “Às vezes as pessoas são descuidadas e falam de forma negligente sobre toda a justiça humana, como se não houvesse nada que agradasse a Deus. Muitas vezes elas citam Isaías 64.6 que diz que nossa justiça é como ‘trapo de imundícia’. É verdadeiro – gloriosamente verdadeiro – que ninguém do povo de Deus, antes ou depois da cruz, seria aceito pelo Deus imaculadamente santo se a justiça perfeita de Cristo não nos fosse imputada (Romanos 5.19; 1 Coríntios 1.30; 2 Coríntios 5.21). Mas isso não quer dizer que Deus não produza nessas pessoas ‘justificadas’ (antes e depois da cruz) uma justiça experiencial que não é ‘trapo de imundícia’. Ao contrário, ele o faz; e essa justiça é preciosa a Deus e é exigida, não como fundamento da justificação (que é a justiça de Cristo somente) mas como evidência de sermos filhos verdadeiramente justificados de Deus”. John Piper, Graça Futura (São Paulo, SP: Shedd Publicações, 2009), pág. 148. Os que geram fruto em cada boa obra e crescem no conhecimento de Deus são totalmente agradáveis a Deus (Cl 1.10). Apresentar nosso corpo como sacrifício vivo agrada a Deus (Rm 12.1). Cuidarmos de nosso irmão mais fraco agrada a Deus (Rm 14.18). Obedecer nossos pais agrada a Deus (Cl 3.20). Ensinar a Palavra de forma autêntica agrada a Deus (1 Ts 2.4). Orar por autoridades de governo agrada a Deus (1 Tm 2.1-3). Sustentar familiares em necessidade agrada a Deus (1 Tm 5.4). Partilhar recursos financeiros com outros agrada a Deus (Hb 13.16). Agrada a Deus quando guardamos os seus mandamentos (1 João 3.22). Em linhas gerais, sempre que você confia em Deus e o obedece, ele se agrada disso. Wayne Grudem, “Pleasing God by Our Obedience”, em For the Fame of God’s Name: Essays in Honor of John Piper, ed. Sam Storms and Justin Taykir (Wheaton, IL: Crossway, 2010), pág. 277.]

 

  1. A justificação se opõe ao orgulho nacionalista. A segunda indagação que Paulo procura responder é a seguinte: “É, porventura, Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente” (Rm 3.29). Esse é outro ponto que contrastava com a crença do judaísmo do primeiro século — o exclusivismo. A doutrina da justificação pela fé revela que Deus não é somente dos judeus, que se achavam privilegiados pelo legalismo em relação à Torá, mas dos gentios também. Deus não é uma divindade nacionalista, mas Ele é o Deus de toda a Terra. Não há dúvidas de que Paulo tinha em mente o shema judaico quando argumentou sobre esse assunto: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Dt 6.4). Se Deus é o único Deus, como de fato afirma o monoteísmo judaico, então Ele é o Deus dos gentios também. Não podemos cair no erro de achar que Deus é nossa propriedade exclusiva. [Comentário: A parábola do fariseu e do publicano (Lc 18.9-14) sobre dois grandes pecadores foi contada pelo Senhor Jesus. Um dos homens sabia que era pecador e o confessou diante de Deus. O outro não sabia que era pecador e gabava-se de sua justiça. É a história de um homem que pensava ser bom, mas que foi para o inferno e de outro que sabia ser mau e foi para o céu. A aplicação desta parábola é clara: Quando consideramos nossa própria atitude na oração, é ela mais parecida com a do fariseu ou com a do coletor de impostos? Humilhamo-nos na presença de Deus ou achamo-nos agradecendo-lhe porque não somos como outras pessoas pecadoras? Humilhamo-nos ou agradecemo-lhe por nossa força e o fato que não caímos como outros caíram? Sentimos a necessidade de exclamar, como o fez o coletor de impostos: "Ó Deus, sê propício a mim, pecador"?]

 

  1. A justificação se opõe ao antinomismo. “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes estabelecemos a lei” (Rm 3.31). Essa é última pergunta a ser respondida por Paulo dentro dessa seção. Os judeus legalistas defendiam a observância dos preceitos da lei e acusavam Paulo de ser antinomista, isto é, ensinar que a lei não tem mais nenhum sentido. Paulo estaria ensinando que a justificação pela fé tornara a lei desprezível? A resposta de Paulo é não! O problema não era com a Lei, que tinha a função de servir de condutora até Cristo, mas com os homens que se mostraram incapazes de cumpri-la. Nem judeu nem tampouco gentio algum foi capaz de cumprir a Lei. Somente Jesus Cristo a cumpriu em nosso lugar. Qualquer tentativa de cumprir a Lei hoje é nula, além de ser uma afronta àquEle que se mostrou o único habilitado a fazê-lo — Jesus Cristo, nosso Senhor. [Comentário: O Antinomismo (gr. Anti=contra; Nomos=lei, literalmente contra a Lei ou contra o sistema da Lei) é uma das heresias mais antigas da História da Igreja. Já aparece no gnosticismo helenizado de Marcião que negava qualquer importância real e espiritual ao Antigo Testamento, e por conseguinte desde a Lei até os profetas, mas especialmente a primeira que era considerada irrelevante e sem mais importância a partir de Cristo, por meio do qual fora estabelecida uma nova relação com os homens. O Antinomismo, portanto, não só rejeita a Lei mas não vê para essa lei qualquer significação nos dias de hoje, seja do ponto de vista da fé ou mesmo da ética. Contra a acusação dos judeus de que Paulo era antinomista, Paulo mostra que nunca houve outro recurso de salvação senão aquele provido por Deus. A esse respeito o Antigo Testamento deu seu testemunho claro e irretorquível. Isso fica evidente da experiência de Abraão e Davi, dois vultos memoráveis da história de Israel, por demais estimados por toda a nação. De fato, desde a entrada do pecado neste mundo, justificação pela fé sempre foi o método de salvação. Paulo encerrou o capítulo 3 com a afirmação que a fé confirma e não anula a lei.]

 

SÍNTESE DO TÓPICO (II)

A justificação anunciada por Paulo se opunha a ideia que os judeus tinham da salvação por méritos religiosos.

 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

Professor, o subtópico três mostra que o antinomismo se opõe a justificação. Antes de discorrer a respeito do assunto faça a seguinte indagação: “O que é antinomismo?”. Ouça os alunos com atenção e explique que “literalmente significa contra a lei. Doutrina que assevera não haver mais necessidade de se pregar nem de se observar as leis morais do Antigo Testamento. Calibrando esta assertiva, alegam os antimonistas que, salvos pela fé em Cristo Jesus, já estamos livres da tutela de Moisés. Ignoram porém, serem as ordenanças morais do Antigo Testamento pertencentes ao elenco do direito natural que o Criador incrustara na alma de Adão. Como podemos desprezar os Dez Mandamentos? Todo crente piedoso os observa, pois o Cristo não veio revogá-los; veio cumpri-los e sublimá-los. Além do mais, as legislações modernas estão alicerçadas justamente no Decálogo” (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 8ª Edição. RJ: CPAD, 1999, p.44).

 

III. A JUSTIFICAÇÃO EXEMPLIFICADA (Rm 4.1-25)

  1. Abraão, circuncisão e justificação (Rm 4.1-8). Na seção de Romanos 4.1-8, o apóstolo Paulo toma o exemplo do patriarca Abraão para fazer um contraste entre a justificação pela fé e pelas obras. A antiga tradição judaica afirmava que Abraão já guardava a Torá, mesmo tendo vivido séculos antes dela. Ele a teria guardado por “antecipação”, pois segundo o judaísmo, apoiando-se em Gênesis 17.23, Abraão é circuncidado como sinal da aliança entre ele e Deus. Da mesma forma o sacrifício de Isaque confirmaria tal crença (Gn 22). Em outras palavras, as obras justificaram Abraão. Contra essa argumentação, Paulo mostra que Abraão não poderia ter sido aceito por Deus em virtude da circuncisão, pois ele creu em Deus, tendo sido isso imputado como justiça, antes dele ser circuncidado e pelo menos quatro séculos antes do advento da Lei. O que justificou Abraão não foi o que ele fez, mas o que Deus fez por ele. Esse é o princípio do Evangelho — somos aceitos não pelo que fizemos, mas pelo que Cristo fez por nós.[Comentário: Paulo encerrou o capítulo 3 com a afirmação que a fé confirma e não anula a lei. Ele continua o seu argumento, citando o exemplo do pai do povo da aliança, Abraão. Todos os judeus respeitavam profundamente o pai de sua nação. Mostrando que Abraão foi justificado por fé, e não por obras de lei, Paulo reforça a sua defesa do evangelho entre os judeus. Abraão recebeu a graça de Deus pela fé antes de ser circuncidado (veja Gênesis 12, onde recebeu as promessas, e Gênesis 17, onde recebeu a ordenança da circuncisão 24 anos depois). A circuncisão por si só não serve para nada diante de Deus. É necessária a obediência, andando “nas pisadas da fé que teve Abraão...antes de ser circuncidado” (Rm 4.12).]

 

  1. Abraão, promessa e justificação (Rm 4.9-17). Na Aliança Abraâmica, Deus prometeu fazer dos descendentes de Abraão uma grande nação. Ele também prometeu ao patriarca que lhe daria como herança a terra e faria do seu servo uma bênção para todos os povos (Gn 12.1-3). Fazendo referência a essa promessa divina, Paulo argumenta que a justificação não poderia decorrer da obediência à lei pelo fato de que quando Deus fez a promessa a Abraão, este nem mesmo era circuncidado (Rm 4.10-15). A própria crença judaica dizia que a fé obediente de Abraão nas promessas de Deus lhe foi imputada como justiça (Gn 15.5,6). Para Paulo, se as bênçãos divinas prometidas a Abraão dependessem da obediência ao código mosaico, então as promessas de Deus teriam falhado, visto que ninguém fora capaz de cumprir ou guardar a lei. [Comentário: Os judaizantes do passado pregavam que a justiça provinha das obras (At 15.1; Gl 2.21). apóstolo Paulo diz pela inspiração que somos salvos pela fé e não pelas obras. (Ef 2.8-10). A salvação pela fé, e não pelas obras, isto é, pela guarda da Lei, não é uma doutrina peculiar do Novo Testamento; é, também, característica do Antigo Pacto. Paulo retrocede no tempo, para além de Moisés, e toma Abraão como exemplo de fé. Abraão tinha fé em Deus, isto é, cultivava um dedicado e leal relacionamento com seu Deus, cria nas suas promessas (Rm 4.20,21; Gn 12.1-3; 15.5,6) e vivia em obediência ao Senhor (Gn 12.1-4; 22.1-19; Hb 11.8-19; Tg 2.21,22;). A fé de Abraão foi "imputada" por justiça. "Imputar" significa creditar na conta da pessoa. Isso significa que a fé salvífica do cristão é tida como equivalente à justiça no tocante ao seu efeito. A Escritura nos ensina que somos justificados pela fé (Rm 3.28,30) ou mediante a fé (Rm 5.1; Gl 2.16; Fp 3.9), mostrando, assim, que existe uma estreita relação entre a justificação e a fé.]

 

  1. Abraão, ressurreição e justificação (Rm 4.18-25). Na teologia de Paulo em Romanos 4.18-25 há um paralelismo entre a fé de Abraão e a fé do cristão — ambos creram em um Deus que torna possível as coisas impossíveis. Paulo mostra que Deus tornou possível a concretização das promessas a Abraão, mesmo sendo seu corpo já “amortecido” pelo fato de sua idade avançada, e dessa forma recompensou a sua fé. A sua fé, mesmo contra as evidências externas, garantiu-lhe a concretização das promessas (Rm 4.16-22). Da mesma forma, a fé do cristão na morte e ressureição de Jesus, o Filho de Deus, é a garantia de que as promessas de Deus em sua vida também serão cumpridas (Rm 4.23,25).[Comentário: O Pr Esdras Costa Bentho escreve: “O capítulo 4 é uma apologia contra uma das interpretações rabínicas prevalecente nos dias de Paulo. De acordo com a exegese judaica, Abraão recebera a justiça de Deus (Gn 15.6) por meio de seus méritos e virtudes (Josefo (1); Ec 44.20; 1 Mc 2.52). Para exaltar o patriarca, um partido judeu afirmava que Abraão cumpriu a lei antes de o Senhor a ter entregue a Moisés (2 Baruque 57.1,2). Alguns deles chegaram ao extremo: afirmavam que não foi o Senhor quem escolhera Abraão, mas Abraão quem escolhera o Senhor.(2) Segundo essa escola, Abraão era o modelo dos que são justificados pelas boas obras, ele mereceu conforme a lógica do trabalho e recompensa. Contra essa abordagem é que Paulo desenvolve o texto do capítulo 4”. Se no Antigo Testamento a recepção da promessa por parte de Abraão foi possível pelo fato condicional de sua justiça pela fé (Rm 4.13), na nova aliança a pessoa justificada pela fé receberá a vida (Rm 1.17; Gl 3.11).]

 

SÍNTESE DO TÓPICO (III)

Paulo se utiliza do exemplo do patriarca Abraão para mostrar que a justificação é somente pela fé.

 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“Paulo diz que, se Abraão, o pai dos judeus segundo a carne, tivesse sido julgado por obras ou justiça própria, teria que gloriar-se diante de Deus. Porém o que aprendemos é que Abraão foi como qualquer outro homem, pecador e sem justiça nenhuma. Ele foi declarado justo por meio da fé (Rm 4.3). Os judeus vangloriavam-se em Abraão e criam que isto lhes garantiria a justificação, apenas por serem ‘filhos de Abraão segundo a carne’. Os versículos 4 e 5, apresentam dois modos de justificação: por méritos e por graça.

A justificação por méritos se baseia nas obras do homem para obter a sua salvação. A justificação por graça baseia-se sobre o princípio da fé. Deus justifica o pecador pela fé. Ele imputa justiça ao que crê, isto é pela graça de Deus” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.59).

 

CONCLUSÃO

Chegamos ao final de uma importante lição sobre a doutrina da justificação pela fé. Nesta lição aprendemos que Paulo recorreu a experiência do patriarca Abraão para argumentar contra a crença judaica que associava a aceitação das obras como garantia de justificação diante de Deus. Para Paulo isso não poderia ser verdade já que o velho patriarca não possuía mérito algum quando recebeu as promessas de Deus. As bênçãos recebidas por ele, assim como as da Nova Aliança, decorrem exclusivamente da graça de Deus em resposta a fé. [Comentário: Em Romanos ficamos sabendo que justo é, portanto, quem foi declarado livre em processo, não por não ser efetivamente culpado, mas por ser reconhecido como tal. O judaísmo na época de Paulo, a prática de uma ética em conformidade com a lei era conditio sine qua non para o juízo de Deus. Isto é, o cumprimento dos mandamentos da lei e as boas obras condicionam o surgimento da justiça divina. Paulo entra em cena agora e diz que, se Abraão, o pai dos judeus segundo a carne, tivesse sido julgado por obras ou justiça própria, teria que gloriar-se diante de Deus. No entanro, Abraão foi como qualquer outro homem, pecador e sem justiça nenhuma. Ele foi declarado justo por meio da fé (Rm 4.3). A doutrina da justificação pela fé é o cerne da teologia paulina, utilizada especialmente quando em confronto direto com o ensino judaico, que defendia que o homem encontra a graça de Deus quando cumpre a vontade divina por meio da lei. É somente pela fé na eficácia do sacrifício de Cristo na cruz que o homem pode ser considerado justo diante de Deus. Paulo chama a atenção aos gálatas por desprezarem este sacrifício e misturar a justificação com a santificação, confiando nas obras de justiça (Gl 1.6,9), o que Paulo chama de “outro evangelho”. Cuidemos para que não caimos no mesmo erro. Sola Fide!] “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,

Lição 2 - A Necessidade Universal a Salvação em Cristo



Lição 2 - A Necessidade Universal a Salvação em Cristo

10 de Abril de 2016

 

TEXTO ÁUREO

"Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer." (Rm 3.10) [Como está escrito: esse é o fraseado comum do Novo Testamento quando ali se apela à autoridade das Escrituras. Os textos bíblicos, considerados juntamente, salientam o reinado universal do pecado e a conseqüente depravação e condenação da humanidade]

 

VERDADE PRÁTICA

O pecado manchou toda a raça humana e somente o sangue de Cristo é suficiente para purificá-la.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Rm 3.9 - Todos os homens, depois da Queda, estão debaixo do pecado

Terça – 3.10 - Não há um nenhum justo sob a face da Terra, judeu ou gentio

Quarta – Rm 3.23 - Todos pecaram e foram afastados da presença de Deus

Quinta – Rm 3.20 - Nenhum homem pode ser justificado diante de Deus pelas obras da lei

Sexta- Rm 6.23 - O castigo ou o salário para o pecado é a morte

Sábado – Rm 3.24 - Somos justificados somente pela graça e redenção de Jesus Cristo

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

ROMANOS 1.18 – 20:

18 Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.

19 Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.

20 Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis.

ROMANOS 1.25 – 27:

25 Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.

26 Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.

27 E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.

ROMANOS 2.1,17-21:

1 PORTANTO, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo.

17 Eis que tu que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus;

18 E sabes a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído por lei;

19 E confias que és guia dos cegos, luz dos que estão em trevas,

20 Instrutor dos néscios, mestre de crianças, que tens a forma da ciência e da verdade na lei;

21 Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas?

 

HINOS SURGERIDOS

235, 291, 294 DA HARPA CRISTÃ

 

OBJETIVO GERAL

Mostrar que o pecado manchou toda a raça humana, por isso, todos necessitam de salvação.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

- Apontar a necessidade de salvação dos gentios;

- Mostrar a necessidade de salvação dos judeus;

- Explicar a necessidade de salvação da humanidade.

 

  • INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Adão e Eva pecaram ao desobedecer a Deus. O pecado deles afetou toda a humanidade, por isso, as Escrituras afirmam que "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3.23). O castigo para o pecado é a morte, porém Deus por sua infinita graça, amor e misericórdia, enviou seu filho Jesus Cristo ao mundo para morrer por nossos pecados. O Filho de Deus morreu pelos judeus e gentios, pois ambos necessitam de salvação. Somente Jesus Cristo pode salvar o homem libertando-o do pecado. A salvação não pode ser alcançada pelo cumprimento da Lei ou por qualquer tipo de esforço ou sacrifícios humanos. Somos libertos do poder do pecado unicamente pela graça de Jesus Cristo.

 

INTRODUÇÃO

Na lição de hoje teremos a oportunidade de compreender que o pecado, em sua universalidade, atingiu os gentios, os judeus e toda a raça humana. Todos ficaram debaixo do impiedoso jugo do pecado. A necessidade de uma salvação universal, na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo é um tema bastante claro na argumentação do apóstolo Paulo em Romanos 1.18 a 3.20. Paulo nos mostra em Romanos que tanto os pagãos, que estavam nas trevas do pecado, quanto os judeus, que se orgulhavam de possuir a Lei divina entregue a Moisés no Sinai, estão sob o domínio do pecado. Veremos nesta lição que somente a revelação da justiça de Deus em Cristo Jesus é suficiente para salvar tanto os judeus quanto os gentios. [A doutrina do pecado é uma das mais importantes doutrinas da teologia cristã, pois ocupa-se a ressaltar a condição que o homem está em função do pecado, demonstrar sua impossibilidade em agradar a Deus, com o objetivo de demonstrar que o homem está perdido e abismado em relação a Deus, e que, sozinho não pode fazer nada para alterar essa realidade. A queda é o marco da origem do pecado no mundo e de todas as deficiências que existem nele. É o momento histórico que explica tanto a origem de todo o mal existente no mundo, como a concepção correta do pecado. Assim, não compreender o pecado do ponto de vista do Velho Testamento impossibilita vislumbrar a maravilhosa graça no Novo Testamento. Da mesma forma, é necessário compreender a queda do ponto de vista teológico, pois apenas assim pode-se notar suas conseqüências danosas na humanidade, bem como em todos seus relacionamentos. Acredito que se faz necessário estudar a origem do pecado e suas conseqüências, porque para que a salvação possa ter qualquer validade é necessário que exista uma deficiência que careça ser sanada. Ou seja, sem a queda não se pode reconhecer o pecado, e sem ele não há necessidade de salvação. Pecado é um estado antes de ser um ato - nossos atos não são senão expressões dos nossos seres interiores caídos. 

 

Paulo argumenta que todos estão caídos e necessitam ouvir e crer no Evangelho para obter salvação.

 

PONTO CENTRAL

O pecado afetou toda a raça humana, por isso, todos precisam de salvação.

 

  1. A NECESSIDADE DA SALVAÇÃO DOS GENTIOS (Rm 1.18-32)

 

  1. A rejeição. Ao dar início a sua argumentação em Romanos 1.18-32, o apóstolo tem em mente a triste situação na qual se encontra o mundo gentílico. Esse estado de insensibilidade frente à realidade das coisas espirituais foi proporcionado pela ignorância na qual eles viviam.

O pecado os havia lançado para longe de Deus. Quanto mais distante do Criador, mais o pecado manifesta os seus tentáculos e ganha força. Essa atitude de rebelião contra Deus culmina na idolatria, ou seja, coloca a criatura em lugar do Criador. O homem, com suas paixões e concupiscências, e não Deus, se torna o centro da existência: "E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis" (Rm 1.23). A ignorância espiritual conduz à idolatria religiosa. [O homem é um ser moral, isto é, alguém responsável diante de Deus por seus pensamentos, fala e conduta. Como ser moral, o homem se encontra em um estado de corrupção moral, em um estado de pecaminosidade natural, irregenerado. O resumo da lei divina é amar a Deus e ao próximo (Mt 22.37-39). Paulo diz que amar é cumprir a lei (Rm 13.8-10). O homem irregenerado não possui o amor exigido por Deus e, pior, este homem caído estabelece outro objeto ou objetos para suas afeições, e tudo aquilo que se coloca em competição com Deus pode ser reduzido a um só – o eu. Auto-amor particular, à exclusão do amor supremo de Deus e amor igual aos homens é a própria raiz da depravação. A vontade própria, a auto-admiração e a justiça própria são apenas manifestações diferentes da natureza humana caída. Todas as pessoas são naturalmente propensas a alguma forma de religião; contudo, deixam de cultuar seu Criador, cuja revelação geral o torna universalmente conhecido. O pecado do egoísmo e a aversão às reivindicações do nosso Criador têm levado a humanidade à idolatria, ao erro de prestar culto a qualquer outro poder ou objeto, ao invés de cultuar a Deus (Is 44.9-20; Rm 1.21-23; Cl 3.5). Em sua idolatria, os homens caídos ‘detêm a verdade pela injustiça’ e ‘mudaram a glória de Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis’ (Rm 1.18-23).]

 

  1. A revelação. Se o mundo está em trevas, Deus não pode ser responsabilizado por isso. Esta é a argumentação de Paulo aos romanos. Deus sempre se revelou aos homens ao longo da história. Aqui fica evidente que o Senhor se deu a conhecer através das coisas criadas (Rm 1.20). Essa revelação natural, também denominada na teologia bíblica de "revelação geral", é uma testemunha contra a falta de sensibilidade da criatura diante do seu Criador. Embora o homem não possa conhecer a Deus perfeitamente através da revelação natural ou geral, conhecimento que só se torna possível através da revelação especial de Deus, Jesus Cristo, todavia ele deveria se sentir despertado para a realidade espiritual através das coisas criadas (Rm 1.21). [A revelação de Deus através das coisas criadas chamamos ‘revelação geral’. Este é o termo freqüentemente usado para se referir ao fato de Deus se fazer conhecido na criação, consciência e história. O termo é usado em distinção de “revelação especial”, a revelação salvífica de Deus através de Jesus Cristo nas Escrituras. A revelação geral é mencionada em várias passagens, mas com maior clareza em Romanos 1.18-32. Paulo escreve aqui sobre Deus se fazendo conhecido nas coisas da criação (vv. 20, 25) e na consciência do homem (v. 19;2 observe as palavras neles). Essa revelação geral, contudo, não tem poder salvífico. Ela não é nem mesmo um tipo de graça, embora muitos falem dela como um exemplo da assim chamada “graça comum”. Pelo contrário, Paulo expressa claramente que a revelação geral é uma revelação da ira de Deus, e serve somente para deixar o ímpio sem desculpa! (vv. 18, 20). A idéia de que os ímpios podem ser salvos por uma resposta moral a essa revelação geral é totalmente sem fundamento nas Escrituras, é apenas outra forma de salvação pelas obras e de humanismo religioso. Essa idéia que a revelação geral tem valor salvífico é faltamente refutada por Romanos 1. O ímpio vê as “coisas invisíveis de Deus”, particularmente seu eterno poder e divindade (v. 20). Há até mesmo um aspecto interno dessa manifestação de Deus. O versículo 19 diz que as coisas que podem ser conhecidas de Deus são manifestas “neles”. A manifestação de Deus nas coisas que foram criadas é a razão pela qual ninguém será capaz de se queixar no dia do juízo que não conhecia a Deus. Se considerarmos Romanos 1, não existe nenhum ateu. Portanto, o ímpio que nunca ouviu o evangelho pode e será condenado no dia do juízo, como resultado dessa manifestação. Não um justo sequer! A conditio sine qua non (Condição sem a qual não) para a salvação é: "Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo" (Rm 10.13). Jesus nos dá esta resposta em João 3.16; Ele salva qualquer um que acreditar nEle: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." Ele é a Porta; o acesso ao Pai é só por Ele! Não há salvação sem fé em Jesus e em sua obra redentora no Calvário! Não há salvação sem a cruz ensangüentada! "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai a não ser por mim" (Jo 14.6). Nenhum ser humano pode ser justificado com base na sua justiça própria, com base no que conheceu pela revelação natural ou pela lei moral escrita no seu coração. A revelação geral, portanto, serve somente para aumentar a culpa daqueles que não ouvem ou não crêem no evangelho. Ensinar outra coisa é negar o sangue de Jesus Cristo e sua obediência perfeita como o único caminho de salvação, zombando dele e de sua cruz.]

 

  1. A punição. Os versículos 22 até o 32 do capítulo primeiro de Romanos revelam as consequências do pecado na vida dos homens. Eles tiveram a oportunidade de glorificar a Deus, mas não o fizeram (Rm 1.21), e agora colhem os maus frutos dessa obstinação. A expressão "Deus os entregou" não tem o sentido de causalidade, o que demonstra que Deus não é o responsável por essa obstinação humana. Ele apenas permitiu que os homens, como consequência de suas próprias ações e escolhas, andem nos seus próprios caminhos. Todavia, precisam saber que serão responsabilizados por isso. E de fato o foram. Paulo destaca que essa atitude reprovada cegou os homens, lançando-os na insensatez da idolatria, pois trocaram o Criador pela criatura (Rm 1.23). Depois os levou ao desvio da sexualidade (Rm 1.26,27) e, por último, fez com que eles adotassem uma diversidade de vícios morais e sociais (Rm 1.28-32).[Comentário: Como forma de castigo por nossas impiedades, Deus pode fazer cair fogo do céu, como já fez em outros tempos; mas a pior forma de sermos julgados, é Deus abandonar o homem à sua própria concupiscência. É totalmente desnecessário, aqui, entrar em infindável discussão sobre como Deus entrega os homens à vida de iniqüidade. É deveras certo que ele não só permite que os homens caiam em pecado, aprovando que vivam assim, fingindo não ver sua queda, mas também o ordena por seu justo juízo, de modo que são forçosamente conduzidos a tal loucura, não só por seus desejos maus, mas também motivados pelo Diabo. Paulo, pois, adota o termo entregar em concordância com o constante uso da Escritura. Aqueles que acreditam que somos levados a pecar tão-somente pela permissão divina provocam forte violência contra esta palavra, pois, como Satanás é o ministro da ira divina, bem como seu ‘executor’, ele também se acha fortemente armado contra nós, não simplesmente na aparência, mas segundo as ordens de seu Juiz. Deus, contudo, não deve ser tido na conta de cruel, nem somos nós inocentes, visto que o apóstolo claramente mostra que somos entregues a seu poder somente quando merecemos tal punição. Uma única exceção deve-se fazer, ou, seja: que a causa do pecado, suas raízes, sempre reside no próprio pecador; não têm sua origem em Deus, pois resulta sempre verdadeiro que “Tua ruína, ó Israel, vem de ti, e só de mim teu socorro” [Os 13.9].]

 

SÍNTESE DO TÓPICO l

Os gentios necessitam de salvação, pois também foram afetados pela Queda.

 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

Paulo retratou claramente a inevitável decadência em direção ao pecado, Primeiro, as pessoas rejeitaram a Deus; em seguida, elaboraram seu conceito de como Ele deveria ser; depois cedem a toda espécie de iniquidades: ganância, ódio, inveja, crimes, lutas, engano, malícia; finalmente, chegam a odiar a Deus e a encorajar os outros a fazerem o mesmo. Mas Ele não é o agente dessa progressão em direção ao mal. Quando as pessoas o rejeitam, Deus permite que elas vivam como desejam. Permite que experimentem as consequências naturais dos pecados que praticam. Uma vez preso nesse movimento descendente rumo ao pecado, ninguém poderá libertar-se por suas próprias forças. Os pecadores devem confiar somente em Cristo para libertá-los da destruição (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, Rio de Janeiro: CPAD, p. 1553).

 

VOCÊ SABIA?

"Todo menino judeu era circuncidado ao 8° dia de nascimento. Assim, estava unido à comunidade da aliança do Antigo Testamento, a quem Deus concedera a sua Lei. Possuir a Lei, entretanto, era inexpressivo, salvo se a pessoa a guardasse. Em breve Paulo irá demonstrar que não há quem possa cumprir às exigências de sua própria consciência, quanto mais as mais elevadas obrigações determinadas pela Lei de Deus".

 

  1. A NECESSIDADE DE SALVAÇÃO DOS JUDEUS (Rm 2.1-3.8)

 

1 Os judeus em relação aos gentios. Paulo valeu-se do método de diatribe na carta aos Romanos, pois tal recurso permitia que ele dialogasse com os leitores. É de imaginar que um judeu, quando lesse o que Paulo dissera anteriormente sobre o mundo gentílico, ficasse eufórico pelo tom duro adotado no discurso de Paulo. Os gentios, de fato, encontravam-se numa situação deplorável diante de Deus. Entretanto, os judeus moralistas não estavam em melhor situação (2.1-16). Eles também eram igualmente condenáveis diante de Deus (Rm 2.1-3). Eles condenavam os gentios, mas praticavam pecados semelhantes. Por isso, eram carentes da graça de Deus da mesma forma.[ O fato de que o julgamento de Deus será justo (de acordo com o que fizemos, Rm 2.6-8) e imparcial (entre judeus e gentios, sem favoritismo, Rm 2.9-11) é desenvolvido por Paulo agora em relação à lei mosaica, mencionada aqui pela primeira vez e que terá um papel proeminente no resto da carta. Naquilo que se segue, Paulo volta-se para um representante imaginário (diatribe) de um grupo real e identificável de pessoas. Embora ele tenha especificado os judeus apenas, provavelmente ele já os tivesse em mente antes. Eles concordam com a declaração paulina sobre a ira de Deus, mas supõem-se a salvo dessa ira. Judeus e gentios parecem diferir fundamentalmente um do outro no fato de que os judeus ouvem a lei (Rm 2.13), possuindo-a e ouvindo a sua leitura na sinagoga todo sábado, enquanto os gentios não têm a lei (Rm 2.14). Esta não lhes foi revelada nem foi dada a eles. No entanto, insiste Paulo, pode ser que haja exagero nessa diferenciação. Afinal, não existe entre eles qualquer distinção fundamental no que diz respeito ao conhecimento moral que possuem (já que as exigências da lei estão gravadas em todos os corações humanos, 15), ou ao pecado que eles cometeram (desobedecendo a lei que conheciam), ou à culpa em que incorreram, ou ao julgamento que receberão.]

 

  1. Os judeus em relação à Lei. Outro aspecto da argumentação do apóstolo em relação aos judeus encontra-se nos versículos 17-29 do capítulo 2 de Romanos. Paulo sabia que todo judeu se orgulhava da Lei que lhes fora outorgada no Sinai (Rm 2.17,18). Ao contrário dos gentios que possuíam apenas a revelação natural, a eles fora dado também a Lei. Contudo, havia uma incongruência entre o conhecer a Lei e o praticá-la. Apenas o conhecimento da letra da Lei, sem a devida interiorização das suas normas e preceitos, conduziu o judaísmo a um moralismo estéril e farisaico. Nesse aspecto, de nada adiantava conhecer a Lei e não vivê-la (Rm 2.28,29). O judeu se tornara tão culpável quanto o gentio. Infelizmente, é ainda exatamente assim que muitos cristãos agem. [John Stott comenta: “O versículo 21 coloca os judeus e gentios na mesma categoria de pecado de mote. Paulo faz duas colocações paralelas, ambas começando com as palavras todo aquele que pecar. O verbo, no entanto, está no tempo aoristo e sua tradução deveria ser "todos os que pecaram" (hemarton), como se lê na tradução de Almeida. Paulo está resumindo a vida de peado deles sob a perspectiva do dia final. O argumento que ele apresenta é que todos os que pecaram perecerão ou serão julgados, indiferentemente de serem judeus ou gentios, isto é, quer tenham a lei mosaica, quer não. Todos os que pecaram sem lei (gentios), sem lei também perecerão (12a). Eles não serão julgados por um padrão que não conheceram. Perecerão em virtude do seu pecado, não por ignorarem a lei. De semelhante modo, todo aquele que pecar sob a lei (os judeus), pela lei será julgado (12b). Eles também serão julgados por um padrão que conhecem. Não haverá dois pesos e duas medidas: Deus será absolutamente justo em seu julgamento. Se pecou conhecendo a lei, ou se pecou ignorando a lei, o julgamento será de acordo com o pecado de cada um. "A base do julgamento são as suas obras; a regra do julgamento é o seu conhecimento" e se eles viveram de acordo com tal conhecimento. Porque não são os que ouvem a lei que são justos ao olhos de Deus; mas os que obedecem à lei, estes são declarados justos. Esta é naturalmente uma afirmação teórica ou hipotética, já que nenhum ser humano chegou a cumprir totalmente a lei (cf. Romanos 3:20). Portanto não existe nenhuma possibilidade de salvação por esse caminho. Mas Paulo está escrevendo sobre o julgamento e não sobre a salvação. Ele está enfatizando que a própria lei não dava aos judeus garantida de imunidade no julgamento, como eles pensavam, pois importante não era ter a lei, mas obedecê-la.”]

 

  1. Os judeus em relação à aliança. A pergunta que todo judeu faria Paulo fez para logo depois dar a resposta: "Qual é, logo, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas" (Rm 3.1,2). Mesmo tendo afirmado anteriormente que o que vale mesmo é a circuncisão do coração, o apóstolo não nega os privilégios de pertencer ao povo de Deus (Israel). Isso é mostrado no privilégio que eles tiveram de serem os despenseiros dos mistérios de Deus. A palavra grega logion traduzida aqui como "palavras de Deus", significa oráculo. A expressão refere-se é a revelação da Lei que Deus deu a Israel no Sinai. Era uma alta honra ter sido escolhido dentre todas as nações para ser despenseiro dos mistérios de Deus. Todavia, como bem observou F. F. Bruce, essa alta honra levava consigo uma grande responsabilidade. Se se mostrassem infiéis à confiança depositada neles, seu caso seria pior do que o das nações as quais Deus não se tinha revelado.[Ao revelar a sua vontade numa aliança especial, Deus deu aos judeus uma grande vantagem. O problema dos judeus não veio da parte de Deus. A incredulidade deles trouxe a condenação (3-5). Independente da falta de fé por parte dos homens, Deus continua sendo fiel. Ele é verdadeiro, mesmo se todo homem for mentiroso. Quando reconhecemos o nosso pecado, exaltamos a justiça de Deus. Se há alguma falha na relação de Deus com os homens, a culpa certamente é dos homens. O final do versículo 4 vem da versão grega de Salmo 51:4, uma passagem que mostra que a confissão do pecado do homem glorifica a Deus e realça a santidade e a justiça dele (compare Josué 7:19-20). Deus é justo em castigar os judeus (5-8). Foi fácil para os israelitas enxergar a injustiça dos gentios e concluir que aqueles pecadores merecessem o castigo. Reconhecer o seu próprio pecado foi muito mais difícil. Se Deus não aplicar a sua lei com justiça aos judeus, ele não teria direito de castigar os gentios (5-6). Entendendo que a santidade de Deus fica mais evidente quando comparada à injustiça do homem, alguém poderia tentar justificar o pecado para dar mais glória a Deus. Paulo rejeita tal raciocínio, dizendo que pessoas que pensam assim merecem o castigo (7-8).]

 

SÍNTESE DO TÓPICO II

Os judeus, embora fosse o povo escolhido de Deus, também necessitam de salvação.

 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

"Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade" (Rm 2.2). Que podemos entender nessa declaração? O julgamento de Deus é instituído aqui em razão dos pecados do paganismo e do falho moralismo dos judeus em condenar os gentios. A questão da condenação do pecado é só todos. Uma vez que tenha pecado,  qualquer um incorre na condenação de Deus. Paulo Declara que os gentios pecaram (1.18-32) e os judeus também pecaram (2.17—3.8). Portanto, uma vez que, tanto judeus como gentios pecaram, todos da justiça de Deus (3.9-20).

 

III. A NECESSIDADE DA SALVAÇÃO DA HUMANIDADE (Rm 3.9-20)

 

  1. A universalidade e o jugo do pecado. A argumentação de Paulo em Romanos 3.9-20 é que tanto os gentios como os judeus sem Cristo estão debaixo da condenação do pecado (Rm 3.9). A raça humana sem Cristo está sob o domínio do pecado. A expressão grega hüpo hamartían, traduzida como "debaixo do pecado" tem o seguinte sentido: no poder de, debaixo da autoridade de. Essa mesma construção gramatical ocorre em Mateus 8.9. Nessa passagem encontramos o centurião dizendo: tenho soldados hüpo emautón (por debaixo de mim), que em português tem o sentido de às minhas ordens. A ideia de Paulo é mostrar que a humanidade em seu estado natural, separada de Cristo, portanto, sob o domínio do pecado, é incapaz de libertar-se por si mesma. [Comentário: A conseqüência do pecado de Adão é que herdamos uma natureza pecaminosa, decaída. Isto não significa que todos os que não são cristãos vivem uma vida imoral, mas que cada um é pecador e deve se conscientizar acerca disso, pois o apóstolo Paulo falando dos gentios afirmou que estes ainda “... que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os” (Rm 2.14,15). Jeremias, diz: "De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados" (Lm 3.39); Salomão tinha consciência da universalidade do pecado e em sua oração, na dedicação do templo, afirmou: "Quando pecarem contra ti, pois não há homem que não peque..." (1Rs 8.46); Também Davi entendeu esta verdade, quando afirmou: "Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um" (Sl 53.3). Paulo confirmou a doutrina da universalidade do pecado – "Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado, como está escrito: Não há um justo, nem um sequer" (Rm 3.9-10). Também João foi enfático, afirmando: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós" (1Jo 1.9-10). No seu caráter universal o pecado e a morte nivelam todos os homens – "Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram" (Rm 5.12). "Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos" (Ro 5.19).]

 

  1. Valores e comportamentos. Outras duas verdades que podemos perceber na argumentação de Paulo em Romanos 3.10 a 18, estão relacionadas com o caráter e a conduta. O pecado distorceu valores e comportamentos na sociedade. Valores invertidos são marcas de uma humanidade caída. Somente em Cristo eles podem ser reorientados.[Nenhum ser humano peca sozinho. O pecado sempre fará parte de uma rebelião cósmica contra Deus e contra a retidão. 1Jo 5.18 enfaticamente assevera que aquele que “pratica o pecado” é do diabo. Esse ser maligno é intitulado “deus deste mundo”, 2Co 4.4, e muitos são seus súditos e escravos. Será necessária uma providência cósmica para remover o pecado, e o julgamento tomará conta disso. Alguns textos em Salmos demonstram que o homem não é pecador porque peca mas que ele peca porque é pecador: “Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu a minha mãe” (Sl 51.5). “Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham, proferindo mentiras” (Sl 58.3). “Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há um sequer” (Sl 14.3). Tais textos demonstram uma das formas da universalidade do pecado se manifestar: o pecado original ou congênito, que é a natureza pecaminosa que todo ser humano herda ao nascer. A natureza pecaminosa é a capacidade e inclinação humana para fazer tudo aquilo que nos torna reprováveis aos olhos de Deus. Embora as forças satânicas forneçam a agitação (ou tentação para o pecado, cf. Ef 6.11ss.), o indivíduo é responsável pelas suas ações, e, portanto, ele é convocado a arrepender-se. O homem não pode alterar o quadro cósmico, mas pode ser pessoalmente redimido. Se fomos gerados em pecado, somos pecadores. Se o homem não reconhecer que é pecador, jamais poderá ser salvo, porque Jesus veio para salvar os pecadores (Lc 19.10). Esta é a segunda natureza do pecado: o pecado ativo ou direto, que são os pecados cometidos inconsciente ou conscientemente pelo homem. A natureza pecaminosa conduz o homem a uma depravação total (cf. Rm 1), e a uma absoluta falta de mérito perante o seu Criador. A consequência do pecado é a morte. Concluindo, a aceitação teológica reúne a interpretação do “pecado original”, onde todos os homens participam do pecado “em Adão” (e contra esse pecado é que o juízo foi proferido) com a interpretação de que cada indivíduo tem o seu próprio pecado. Ambas as modalidades o condenam.]

 

SÍNTESE DO TÓPICO III

Todos, judeus e gentios, pecaram e necessitam da salvação que só pode ser encontrada em Jesus Cristo.

 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

Não há um justo, nem um se sequer (Rm 3.9-18). Paulo hvia argumentado que tanto os judeus quanto os gentios haviam pecado, e não alcançaram a glória de Deus. Agora ele prova essa observação citando vários Salmos. Seus leitores judeus poderiam rejeitar seu argumento, mas dificilmente rejeitariam o veredicto das palavras que eles sabem que são palavras de Deus. Tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus' (3.19,20). A palavra bupodikosfol usada no sentido legai de "passível de punição', A lei moral, na qual esperam o judeu e o gentio de boa moral, provou não ser uma fonte de esperança, e sim o padrão pelo qual foi estabelecido o insucesso deles. Assim, a lei não é marco de estrada nos direcionando à recompensa divina, mas espelho que, quando usado corretamente nos revela nossos pecados" (RICHARDS, Lawrence» Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 7.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 292).

 

CONCLUSÃO

A universalidade do pecado, isto é, que todos os homens estão debaixo da condenação eterna, é uma doutrina claramente demonstrada na Epístola aos Romanos. Por outro lado, o universalismo, doutrina herética que afirma que todos os homens, independentemente se acreditam em Cristo ou não, no fim de tudo, serão salvos, é claramente rejeitada nessa mesma carta. Cabe a nós, portanto, conhecedores desses fatos, viver essa bendita salvação e compartilhá-la com quem ainda não a possui. [A explicação bíblica sobre a universalidade do pecado está em que Adão e Eva, pessoas humanas literais, foram criados em estado de inocência, por um ato divino. Em seguida, foram tentados, e caíram no pecado. Isso impôs a mortalidade, a degradação e a desintegração. Esse ato de pecado, e seu estado resultante, foram então transferidos para a raça humana inteira, devido à conexão da raça com Adão. Isso está em consonância com os princípios ensinados em Romanos 2.6: o de que cada um será finalmente julgado de acordo com suas próprias obras. Como diz Champlin: “O pecado de Adão é a raiz; os pecados da humanidade são os ramos; os pecados individuais são os frutos. A sentença de julgamento recai sobre a árvore inteira, e não apenas sobre uma parte da mesma”.] “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,

Francisco Barbosa

Hoje, em Campina Grande-PB

Abril de 2016

 

PARA REFLETIR

A respeito da Carta aos Romanos, responda:

  • Segundo a lição em que culmina a atitude de rebelião contra Deus?

Essa atitude de rebelião contra Deus culmina com a adoração idólatra que põe a criatura em lugar do Criador.

  • A ignorância espiritual conduz a quê?

A ignorância espiritual conduz à idolatria religiosa.

  • Os judeus moralistas estavam em melhor situação espiritual que os gentios?

Não. A argumentação de Paulo é que tanto os gentios como os judeus sem Cristo estão debaixo da condenação do pecado (Rm 3.9).

  • O que produziu o conhecimento da Lei, sem a devida interiorização das normas e preceitos?

Apenas o conhecimento da letra da Lei, sem a devida interiorização das suas normas e preceitos, conduziu o judaísmo a um moralismo estéril e farisaico.

  • Segundo Paulo, qual a vantagem de ser judeu?

Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas (Rm 3.1,2).

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