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    Lição 3: Justificação, somente pela fé em Jesus Cristo

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    Lição 3: Justificação, somente pela fé em Jesus Cristo

    Data: 17 de Abril de 2016

     

    TEXTO ÁUREO

     “E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus” (Rm 4.20).[Comentário: Dar glória a Deus é a garantia da qualidade da fé, visto que é dependência do poder de Deus e é também confiança em sua promessa proferida (v. 21). A vida de fé que Abraão demonstrou era de natureza tal que os atributos de Deus formavam o seu alicerce e, por conseguinte, era uma vida na qual a glória de Deus foi exibida. Foi exercendo essa espécie de fé que ele foi justificado.]

     

    VERDADE PRÁTICA

    A justificação dos pecados diante de Deus ocorre somente pela fé.

     

    LEITURA DIÁRIA

    Segunda — Rm 4.2 - Abraão foi justificado pela fé e não pelas obras da carne

    Terça — Rm 4.3 - Abraão creu em Deus e por isso Ele o aceitou e justificou

    Quarta — Rm 4.6 - Feliz é o homem a quem Deus imputa a sua justiça

    Quinta — Rm 4.7 - Felizes são aqueles a quem o Senhor perdoa as iniquidades

    Sexta — Rm 4.9 - A Palavra de Deus afirma que a fé foi imputada como justiça a Abraão

    Sábado — Rm 4.16 - Salvação somente pela fé, mediante a graça divina

     

    LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

    Romanos 4.17-22.

    17 — (como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí), perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se já fossem.

    18 — O qual, em esperança, creu contra a esperança que seria feito pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência.

    19 — E não enfraqueceu na fé, nem atentou para o seu próprio corpo já amortecido (pois era já de quase cem anos), nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara.

    20 — E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus;

    21 — e estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer.

    22 — Pelo que isso lhe foi também imputado como justiça.

     

    HINOS SUGERIDOS

    27, 156 e 464 da Harpa Cristã.

     

    OBJETIVO GERAL

    Explicar que somos justificados diante de Deus somente pela fé e não pelas obras da carne.

     

    OBJETIVOS ESPECÍFICOS

    Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

     

    - Abalizar que a justificação manifestada em Jesus Cristo veio para salvar judeus e gentios;

    - Mostrar que Paulo procurou responder, de forma bíblica, as contestações que seus interlocutores faziam quanto à justificação;

    - Explicar como Paulo utilizou o exemplo de Abraão para tratar a respeito da justificação pela fé.

     

    INTERAGINDO COM O PROFESSOR

    Professor, a lição de hoje trata a respeito de uma das doutrinas mais importantes apresentadas por Paulo na Epístola de Romanos — a justificação pela fé. Ressalte, no decorrer de toda a lição, que ninguém pode ser justificado diante de Deus pela Lei ou pelas obras da carne. O caminho da justificação é somente pela fé na obra expiatória de Jesus Cristo. Paulo mostra que Cristo é o único caminho para que judeus e gentios sejam absolvidos da penalidade do pecado. O apóstolo, de maneira sábia, utiliza o exemplo do patriarca Abraão para desfazer a ideia errada que os judeus tinham de que a aceitação de Deus era obtida mediante as obras da Lei.

     

    Glória a Deus, pois na Nova Aliança, tudo que recebemos da parte do Senhor, inclusive a salvação, é decorrente única e exclusivamente da graça de Deus.

     

    COMENTÁRIO

    INTRODUÇÃO

    Na lição de hoje, estudaremos a doutrina bíblica da justificação pela fé, conforme a Carta aos Romanos nos capítulos 3.1- 4.25. Esses textos contêm uma das mais contundentes defesas de Paulo em favor da justificação pela fé, independente das obras. Para uma melhor compreensão deste tema tão relevante, a argumentação do apóstolo será dividida em três partes: a justificação manifestada, a justificação contestada e a justificação exemplificada. A chamada de Abraão, o grande patriarca de Israel, será a base da argumentação de Paulo para provar a doutrina da justificação somente pela fé. O argumento de Paulo é que todas as bênçãos de Deus e todas as suas promessas são frutos da sua graça para conosco. [Comentário: No Calvário, a justiça de Deus chega ao seu cumprimento histórico, através de Cristo e sua missão redentora. Já vimos na lição anterior que a justificação pela fé foi um dos pilares da Reforma Protestante. Também vimos que a salvação é pela graça mediante a fé e não o resultado das obras nem mesmo da adição de fé mais obras. Assim sendo, a salvação não é uma conquista do homem, mas um presente de Deus. Não é uma medalha de honra ao mérito, mas uma manifestação do favor imerecido de Deus. Martinho Lutero disse: “Esta doutrina é a cabeça e a pedra fundamental. Por si só, ela gera, alimenta, edifica, preserva e defende a igreja de Deus. E sem ela, a igreja de Deus não poderia existir nem por uma única hora”. Martin Lloyd-Jones afirmou que a justificação pela fé “é a grande doutrina central de todo protestantismo, e vocês descobrirão que em cada avivamento ela sempre vem na vanguarda”. A igreja cai ou permanece de pé por causa desta doutrina. Ela é a espinha dorsal de todas as doutrinas bíblicas. John Piper diz: “Pregar e viver a justificação pela fé glorifica a Cristo, resgata pecadores desesperados, encoraja santos imperfeitos e fortalece igrejas frágeis”.] Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

     

     

    PONTO CENTRAL

    A justificação diante de Deus é somente pela fé.

     

     

    1. A JUSTIFICAÇÃO MANIFESTADA (Rm 3.21-26)
    2. Um culpado que é inocentado. Em Romanos 3.21, lemos: “Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas”. Paulo nos mostra como Deus se revelou para alcançar os gentios e judeus. Os gentios estavam debaixo da ira de Deus, porque falharam em conhecê-lo. Os judeus também estavam debaixo da ira divina, por não conseguirem guardar a Palavra do Senhor. O vocábulo manifestou, no grego, vem de uma raiz cujo significado é tornar manifesto ou visível ou conhecido o que estava escondido ou era desconhecido. Deus, na pessoa de Jesus Cristo, tornou conhecido o seu grande amor para com os pecadores. Encontramos Paulo recorrendo a uma figura extraída do mundo jurídico para esclarecer o seu pensamento. O termo justiça traduz a palavra grega dikaiosyne, muito comum no contexto de um tribunal. A imagem é de alguém que é inocentado por um juiz, mesmo sendo culpado pelos seus atos. Concluímos então que, mesmo culpados, Deus quis nos justificar e perdoar.[Comentário: A justificação é um ato legal, forense e judicial de Deus. É feita no tribunal de Deus e não em nosso coração. É um ato jurídico ou uma sentença divina na qual Ele declara perdoado todo pecador que crer em Jesus. Louis Berkhof define: “A justificação é um ato judicial de Deus no qual Ele declara, baseado na justiça de Jesus Cristo, que todas as exigências da lei estão satisfeitas com respeito ao pecador”. A justificação é o contrário de condenação. Ela é um ato único e legal que remove a culpa do pecado e restaura o pecador à sua condição de filho de Deus, com todos os seus direitos, privilégios e deveres. A justificação não ocorre na vida do pecador, não produz mudanças no seu caráter, mas no Tribunal de Deus. Justificação é uma declaração e santificação é transformação. Mas, é a partir da justificação que o Espírito Santo inicia no pecador todo o processo de santificação até a sua glorificação.]

     

    1. Um prisioneiro que é libertado. Em Romanos 3.24, Paulo usa o verbo grego apolytroseo para se referir à redenção efetuada por Jesus Cristo. Essa palavra, conforme definem os léxicos da língua grega, tem o sentido de redenção, resgate ou libertação. No contexto neotestamentário tem o sentido de libertar mediante o preço de um resgate. No mundo antigo um escravo podia ser resgatado mediante o pagamento de um preço. É exatamente isso que Deus fez. Enviou Jesus Cristo para resgatar o homem que estava preso em seus delitos e pecados (Ef 2.1,2). Tanto judeus como gentios deveriam se conscientizar dessa realidade. Ninguém pode se autolibertar. [Comentário: Como uma pessoa pode se tornar aceitável diante de Deus? A resposta está clara no Novo Testamento, especialmente nos escritos de Paulo, como a passagem clássica de Romanos 3.21-25. Nas Escrituras, a justificação é o contrário da condenação. É a declaração que diz que o pecador que crê é justo, e isso devido à retidão imputada de Cristo, o “dom da justiça”, conforme lemos em 5.17. Agora a justiça de Cristo é legalmente considerada como possessão do pecador crente. Todos os homens são pecadores e necessitam do perdão de Deus. A justiça de Deus é para todos e sobre todos, judeus e gentios, porque todos erraram o alvo, deixando de ser conforme o propósito de Deus. Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm 3.23). Infelizmente, a palavra portuguesa “justificação”, originária do latim, dá a idéia de “tornar justo”, no sentido de produzir justiça no justificado. Mas o termo grego originaldikaiosyne não se refere a uma mudança intrínseca no indivíduo, e sim a uma declaração feita por Deus. Visto que não temos justiça própria e somos culpados diante de Deus, ele nos declara justos com base na expiação de nossos pecados por Cristo e na sua justiça imputada a nós.]

     

    1. Um inocente que é culpado. Se o sistema judicial foi útil para elucidar o pensamento do apóstolo, da mesma forma a figura extraída do sistema de sacrifícios levítico também o auxiliou. Isso pode ser visto no texto: “Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus” (Rm 3.25). A palavra propiciação (gr. hülasterion), que está relacionada ao termo propiciatório é uma terminologia muito utilizada no Antigo Testamento para se referir aos sacrifícios pelo pecado. No sistema levítico, quando alguém pecava tornava-se culpado de algo, e um animal inocente era sacrificado para que a culpa fosse expiada. Paulo mostra que tanto os gentios como os judeus não podem chegar a Deus pelos seus esforços ou obras, mas única e exclusivamente pelo sangue de Jesus: o inocente Cordeiro de Deus que foi sacrificado por nós.[Comentário: A justificação é um presente que Deus concede ao homem. Paulo diz: sendo justificados gratuitamente, por Sua graça (Rm 3.24). A palavra gratuitamente significa “como um presente”, “sem pagamento”; e a palavra graça significa “por um favor imerecido”. Ela não pode ser comprada por obras humanas ou conquistada por méritos pessoais. Ela é exclusivamente pela graça - gratuita para o pecador, mas ela teve um alto custo para Deus. Para nós a salvação é grátis, mas para Deus custou à vida de Seu Filho. “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1Pe 1.18-19). É por meio do sacrifício de Jesus, que Deus toma a culpa do pecador e a atribui a Jesus Cristo. E a justiça que há em Jesus Cristo é imputada ao pecador. Jesus pagou a pena em nosso lugar, e por isso nenhuma condenação há para aquele que nEle confia. Cristo “…foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação”. A justificação pela fé é a doutrina que marca o rompimento dos reformadores com a Igreja de Roma. A justificação, de acordo com o ensino de Roma, era pelas obras. Esse ensino escravizava a mente e o coração das pessoas, que nunca podiam descansar em Deus, tendo a necessidade de praticar constantemente as obras recomendadas pela igreja.]

     

    SÍNTESE DO TÓPICO (I)

    Paulo nos mostra como Deus manifestou a sua justificação para alcançar os gentios e judeus.

     

    SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

    “A Doutrina da Justificação

    A estudarmos a Doutrina do Pecado descobrimos que ninguém pode ser justificado pela justiça humana. Entretanto, é na doutrina da justificação, no texto de 3.1 a 5.21, que o pecador encontra o caminho da justificação, através da obra expiatória de Cristo. No primeiro estado, o pecador está perdido e sem possibilidade alguma de se justificar diante de Deus. No segundo estado, o pecador encontra Cristo que o justifica.

    É a partir do capítulo 3.21 que o pecador, judeu ou gentio, encontra um novo caminho através dos méritos de Cristo Jesus. É aqui que ele pode ser perdoado e declarado livre da pena do seu pecado, perante Deus.

    Justificação significa absolvição da culpa, cuja pena foi satisfeita. Significa ser declarado livre de toda culpa tendo cumprido todos os requisitos da lei.

    Justificação é um termo forense que denota um ato judicial da administração da lei. Esse ato judicial legaliza a situação do transgressor perante a lei e o torna justo, isto é, livre de toda a condenação. Cristo assumiu a pena do pecador e foi sentenciado no lugar do pecador. Ele sofreu a pena contra o pecador. Cumprida a pena, o veredicto final da justiça divina é a justificação do pecador. Entende-se então que ser justificado não significa que a justiça tenha sido adiada, ou que ela não tenha sido cumprida” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.52).

     

    1. A JUSTIFICAÇÃO CONTESTADA (Rm 3.27-31)
    2. A justificação se opõe à salvação meritória. Paulo desejava que o seu ensino não fosse mal interpretado, então recorrendo ao método da diatribe, se adiantando em responder as contestações que seus interlocutores poderiam fazer-lhe. “Onde está, logo, a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não! Mas pela lei da fé” (Rm 3.27). A lei dizia faça e o judeu devoto estava convicto de que Deus o justificaria pelo que fazia. No entanto, a graça que Paulo ensinava dizia não faça, mas aceite o que Jesus já fez. O que seria feito então do orgulho judaico que se vangloriava em ser o povo eleito de Deus e das boas obras que praticavam? Não levaria Deus isso em conta nessa nova doutrina de Paulo? Nas palavras do apóstolo, não! É bem fácil imaginar que para um judeu devoto, guardador da lei e praticante de boas obras, que o ensino da justificação “pela fé somente” era bem difícil de digerir. Não é fácil abrirmos mão do nosso orgulho e deixarmos de nos vangloriarmos pelos nossos feitos. Todavia, a doutrina da justificação pela fé diz que não há mérito humano quando a graça de Deus se manifesta. A conclusão de Paulo é que “o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei” (Rm 3.28). [Comentário: A fonte da justificação é a graça de Deus, o fundamento da justificação é a obra de Cristo e o meio da justificação é a fé. A fé é o canal através do qual a justificação é concedida ao pecador que crê; é o meio pelo qual ele toma posse das bênçãos obtidas por Cristo (como a paz com Deus, Rm 5.1). Ela não é uma boa obra, mas um dom de Deus, como Paulo ensina em Efésios 2.8-9. É o único meio de receber o que Deus fez por nós (“sola fides”), ficando excluídos todos os outros atos ou obras. A morte expiatória de Cristo assegura uma parte de nossa justificação, ou seja, aquela que diz respeito ao perdão, enquanto sua ressurreição obtém para nós o outro elemento, o da justiça. Como morte e ressurreição permanecem juntas como aspectos gêmeos da realização central de Cristo, o mes­mo acontece com a expiação e a justificação. A morte na cruz não foi o final para Jesus. Sua morte foi o cumprimento de uma importante etapa de sua obra, que teve continuidade em sua ressurreição, ascensão, sessão à destra do Pai e em sua obra permanente como Profeta, Sacerdote e Rei. Por sua vez, foi a ressurreição que deu significado à morte e lançou luz para os discípulos sobre tudo o que havia ocorrido anteriormente. Foi sua ressurreição que deixou claro para os discípulos e para todos aqueles que o viram pregado na cruz que ele realmente era quem dizia ser: o Messias prometido. Além do mais, a própria ideia da ressurreição exige a morte primeiro, ou isso não é ressurreição. Da mesma forma como morte e ressurreição são inseparáveis e mutuamente necessárias, assim também a justificação não pode ocorrer sem a expiação pelos pecados, pois as pessoas não podem ser consideradas justas se elas estão sob a ira de Deus. Por outro lado, a expiação também não pode ser entendida sem seu com­panheiro inseparável, o recebimento da justiça, que nos capacita não apenas a sermos trazidos a um estado de inocência, mas nos faz aptos para entrarmos em comunhão com um Deus justo e santo. Relativo à ‘trapos de imundícia’, os “atos de justiça” que Isaías tinha em mente eram, muito provavelmente, os rituais superficiais oferecidos por Israel, desprovidos de uma fé e de uma obediência sinceras. m Isaías 65.1-7, o Senhor rejeita os sacrifícios pecaminosos de Israel. Eles são um insulto ao Senhor, fumaça para seu nariz, assim como a “obediência” ritualista de Isaías 58 não impressionou ao Senhor porque seu povo continuava oprimindo o pobre. Os “atos de justiça” eram “trapos imundos” porque não eram nem um pouco justos. Tinham aparência boa, mas não passavam de farsa, literalmente uma cortina de fumaça para acobertar a incredulidade e a desobediência deles. Então, não é correto pensar que todo “ato de justiça” do crente são trapos imundos aos olhos de Deus. Aliás, no versículo anterior, Isaías 64.5, Isaías declara: “Vens ajudar aqueles que praticam a justiça com alegria, que se lembram de ti e dos teus caminhos”. Não é impossível o povo de Deus praticar atos de justiça que agradam a Deus. Sobre isso, John Piper explica: “Às vezes as pessoas são descuidadas e falam de forma negligente sobre toda a justiça humana, como se não houvesse nada que agradasse a Deus. Muitas vezes elas citam Isaías 64.6 que diz que nossa justiça é como ‘trapo de imundícia’. É verdadeiro – gloriosamente verdadeiro – que ninguém do povo de Deus, antes ou depois da cruz, seria aceito pelo Deus imaculadamente santo se a justiça perfeita de Cristo não nos fosse imputada (Romanos 5.19; 1 Coríntios 1.30; 2 Coríntios 5.21). Mas isso não quer dizer que Deus não produza nessas pessoas ‘justificadas’ (antes e depois da cruz) uma justiça experiencial que não é ‘trapo de imundícia’. Ao contrário, ele o faz; e essa justiça é preciosa a Deus e é exigida, não como fundamento da justificação (que é a justiça de Cristo somente) mas como evidência de sermos filhos verdadeiramente justificados de Deus”. John Piper, Graça Futura (São Paulo, SP: Shedd Publicações, 2009), pág. 148. Os que geram fruto em cada boa obra e crescem no conhecimento de Deus são totalmente agradáveis a Deus (Cl 1.10). Apresentar nosso corpo como sacrifício vivo agrada a Deus (Rm 12.1). Cuidarmos de nosso irmão mais fraco agrada a Deus (Rm 14.18). Obedecer nossos pais agrada a Deus (Cl 3.20). Ensinar a Palavra de forma autêntica agrada a Deus (1 Ts 2.4). Orar por autoridades de governo agrada a Deus (1 Tm 2.1-3). Sustentar familiares em necessidade agrada a Deus (1 Tm 5.4). Partilhar recursos financeiros com outros agrada a Deus (Hb 13.16). Agrada a Deus quando guardamos os seus mandamentos (1 João 3.22). Em linhas gerais, sempre que você confia em Deus e o obedece, ele se agrada disso. Wayne Grudem, “Pleasing God by Our Obedience”, em For the Fame of God’s Name: Essays in Honor of John Piper, ed. Sam Storms and Justin Taykir (Wheaton, IL: Crossway, 2010), pág. 277.]

     

    1. A justificação se opõe ao orgulho nacionalista. A segunda indagação que Paulo procura responder é a seguinte: “É, porventura, Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente” (Rm 3.29). Esse é outro ponto que contrastava com a crença do judaísmo do primeiro século — o exclusivismo. A doutrina da justificação pela fé revela que Deus não é somente dos judeus, que se achavam privilegiados pelo legalismo em relação à Torá, mas dos gentios também. Deus não é uma divindade nacionalista, mas Ele é o Deus de toda a Terra. Não há dúvidas de que Paulo tinha em mente o shema judaico quando argumentou sobre esse assunto: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Dt 6.4). Se Deus é o único Deus, como de fato afirma o monoteísmo judaico, então Ele é o Deus dos gentios também. Não podemos cair no erro de achar que Deus é nossa propriedade exclusiva. [Comentário: A parábola do fariseu e do publicano (Lc 18.9-14) sobre dois grandes pecadores foi contada pelo Senhor Jesus. Um dos homens sabia que era pecador e o confessou diante de Deus. O outro não sabia que era pecador e gabava-se de sua justiça. É a história de um homem que pensava ser bom, mas que foi para o inferno e de outro que sabia ser mau e foi para o céu. A aplicação desta parábola é clara: Quando consideramos nossa própria atitude na oração, é ela mais parecida com a do fariseu ou com a do coletor de impostos? Humilhamo-nos na presença de Deus ou achamo-nos agradecendo-lhe porque não somos como outras pessoas pecadoras? Humilhamo-nos ou agradecemo-lhe por nossa força e o fato que não caímos como outros caíram? Sentimos a necessidade de exclamar, como o fez o coletor de impostos: "Ó Deus, sê propício a mim, pecador"?]

     

    1. A justificação se opõe ao antinomismo. “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes estabelecemos a lei” (Rm 3.31). Essa é última pergunta a ser respondida por Paulo dentro dessa seção. Os judeus legalistas defendiam a observância dos preceitos da lei e acusavam Paulo de ser antinomista, isto é, ensinar que a lei não tem mais nenhum sentido. Paulo estaria ensinando que a justificação pela fé tornara a lei desprezível? A resposta de Paulo é não! O problema não era com a Lei, que tinha a função de servir de condutora até Cristo, mas com os homens que se mostraram incapazes de cumpri-la. Nem judeu nem tampouco gentio algum foi capaz de cumprir a Lei. Somente Jesus Cristo a cumpriu em nosso lugar. Qualquer tentativa de cumprir a Lei hoje é nula, além de ser uma afronta àquEle que se mostrou o único habilitado a fazê-lo — Jesus Cristo, nosso Senhor. [Comentário: O Antinomismo (gr. Anti=contra; Nomos=lei, literalmente contra a Lei ou contra o sistema da Lei) é uma das heresias mais antigas da História da Igreja. Já aparece no gnosticismo helenizado de Marcião que negava qualquer importância real e espiritual ao Antigo Testamento, e por conseguinte desde a Lei até os profetas, mas especialmente a primeira que era considerada irrelevante e sem mais importância a partir de Cristo, por meio do qual fora estabelecida uma nova relação com os homens. O Antinomismo, portanto, não só rejeita a Lei mas não vê para essa lei qualquer significação nos dias de hoje, seja do ponto de vista da fé ou mesmo da ética. Contra a acusação dos judeus de que Paulo era antinomista, Paulo mostra que nunca houve outro recurso de salvação senão aquele provido por Deus. A esse respeito o Antigo Testamento deu seu testemunho claro e irretorquível. Isso fica evidente da experiência de Abraão e Davi, dois vultos memoráveis da história de Israel, por demais estimados por toda a nação. De fato, desde a entrada do pecado neste mundo, justificação pela fé sempre foi o método de salvação. Paulo encerrou o capítulo 3 com a afirmação que a fé confirma e não anula a lei.]

     

    SÍNTESE DO TÓPICO (II)

    A justificação anunciada por Paulo se opunha a ideia que os judeus tinham da salvação por méritos religiosos.

     

    SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

    Professor, o subtópico três mostra que o antinomismo se opõe a justificação. Antes de discorrer a respeito do assunto faça a seguinte indagação: “O que é antinomismo?”. Ouça os alunos com atenção e explique que “literalmente significa contra a lei. Doutrina que assevera não haver mais necessidade de se pregar nem de se observar as leis morais do Antigo Testamento. Calibrando esta assertiva, alegam os antimonistas que, salvos pela fé em Cristo Jesus, já estamos livres da tutela de Moisés. Ignoram porém, serem as ordenanças morais do Antigo Testamento pertencentes ao elenco do direito natural que o Criador incrustara na alma de Adão. Como podemos desprezar os Dez Mandamentos? Todo crente piedoso os observa, pois o Cristo não veio revogá-los; veio cumpri-los e sublimá-los. Além do mais, as legislações modernas estão alicerçadas justamente no Decálogo” (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 8ª Edição. RJ: CPAD, 1999, p.44).

     

    III. A JUSTIFICAÇÃO EXEMPLIFICADA (Rm 4.1-25)

    1. Abraão, circuncisão e justificação (Rm 4.1-8). Na seção de Romanos 4.1-8, o apóstolo Paulo toma o exemplo do patriarca Abraão para fazer um contraste entre a justificação pela fé e pelas obras. A antiga tradição judaica afirmava que Abraão já guardava a Torá, mesmo tendo vivido séculos antes dela. Ele a teria guardado por “antecipação”, pois segundo o judaísmo, apoiando-se em Gênesis 17.23, Abraão é circuncidado como sinal da aliança entre ele e Deus. Da mesma forma o sacrifício de Isaque confirmaria tal crença (Gn 22). Em outras palavras, as obras justificaram Abraão. Contra essa argumentação, Paulo mostra que Abraão não poderia ter sido aceito por Deus em virtude da circuncisão, pois ele creu em Deus, tendo sido isso imputado como justiça, antes dele ser circuncidado e pelo menos quatro séculos antes do advento da Lei. O que justificou Abraão não foi o que ele fez, mas o que Deus fez por ele. Esse é o princípio do Evangelho — somos aceitos não pelo que fizemos, mas pelo que Cristo fez por nós.[Comentário: Paulo encerrou o capítulo 3 com a afirmação que a fé confirma e não anula a lei. Ele continua o seu argumento, citando o exemplo do pai do povo da aliança, Abraão. Todos os judeus respeitavam profundamente o pai de sua nação. Mostrando que Abraão foi justificado por fé, e não por obras de lei, Paulo reforça a sua defesa do evangelho entre os judeus. Abraão recebeu a graça de Deus pela fé antes de ser circuncidado (veja Gênesis 12, onde recebeu as promessas, e Gênesis 17, onde recebeu a ordenança da circuncisão 24 anos depois). A circuncisão por si só não serve para nada diante de Deus. É necessária a obediência, andando “nas pisadas da fé que teve Abraão...antes de ser circuncidado” (Rm 4.12).]

     

    1. Abraão, promessa e justificação (Rm 4.9-17). Na Aliança Abraâmica, Deus prometeu fazer dos descendentes de Abraão uma grande nação. Ele também prometeu ao patriarca que lhe daria como herança a terra e faria do seu servo uma bênção para todos os povos (Gn 12.1-3). Fazendo referência a essa promessa divina, Paulo argumenta que a justificação não poderia decorrer da obediência à lei pelo fato de que quando Deus fez a promessa a Abraão, este nem mesmo era circuncidado (Rm 4.10-15). A própria crença judaica dizia que a fé obediente de Abraão nas promessas de Deus lhe foi imputada como justiça (Gn 15.5,6). Para Paulo, se as bênçãos divinas prometidas a Abraão dependessem da obediência ao código mosaico, então as promessas de Deus teriam falhado, visto que ninguém fora capaz de cumprir ou guardar a lei. [Comentário: Os judaizantes do passado pregavam que a justiça provinha das obras (At 15.1; Gl 2.21). apóstolo Paulo diz pela inspiração que somos salvos pela fé e não pelas obras. (Ef 2.8-10). A salvação pela fé, e não pelas obras, isto é, pela guarda da Lei, não é uma doutrina peculiar do Novo Testamento; é, também, característica do Antigo Pacto. Paulo retrocede no tempo, para além de Moisés, e toma Abraão como exemplo de fé. Abraão tinha fé em Deus, isto é, cultivava um dedicado e leal relacionamento com seu Deus, cria nas suas promessas (Rm 4.20,21; Gn 12.1-3; 15.5,6) e vivia em obediência ao Senhor (Gn 12.1-4; 22.1-19; Hb 11.8-19; Tg 2.21,22;). A fé de Abraão foi "imputada" por justiça. "Imputar" significa creditar na conta da pessoa. Isso significa que a fé salvífica do cristão é tida como equivalente à justiça no tocante ao seu efeito. A Escritura nos ensina que somos justificados pela fé (Rm 3.28,30) ou mediante a fé (Rm 5.1; Gl 2.16; Fp 3.9), mostrando, assim, que existe uma estreita relação entre a justificação e a fé.]

     

    1. Abraão, ressurreição e justificação (Rm 4.18-25). Na teologia de Paulo em Romanos 4.18-25 há um paralelismo entre a fé de Abraão e a fé do cristão — ambos creram em um Deus que torna possível as coisas impossíveis. Paulo mostra que Deus tornou possível a concretização das promessas a Abraão, mesmo sendo seu corpo já “amortecido” pelo fato de sua idade avançada, e dessa forma recompensou a sua fé. A sua fé, mesmo contra as evidências externas, garantiu-lhe a concretização das promessas (Rm 4.16-22). Da mesma forma, a fé do cristão na morte e ressureição de Jesus, o Filho de Deus, é a garantia de que as promessas de Deus em sua vida também serão cumpridas (Rm 4.23,25).[Comentário: O Pr Esdras Costa Bentho escreve: “O capítulo 4 é uma apologia contra uma das interpretações rabínicas prevalecente nos dias de Paulo. De acordo com a exegese judaica, Abraão recebera a justiça de Deus (Gn 15.6) por meio de seus méritos e virtudes (Josefo (1); Ec 44.20; 1 Mc 2.52). Para exaltar o patriarca, um partido judeu afirmava que Abraão cumpriu a lei antes de o Senhor a ter entregue a Moisés (2 Baruque 57.1,2). Alguns deles chegaram ao extremo: afirmavam que não foi o Senhor quem escolhera Abraão, mas Abraão quem escolhera o Senhor.(2) Segundo essa escola, Abraão era o modelo dos que são justificados pelas boas obras, ele mereceu conforme a lógica do trabalho e recompensa. Contra essa abordagem é que Paulo desenvolve o texto do capítulo 4”. Se no Antigo Testamento a recepção da promessa por parte de Abraão foi possível pelo fato condicional de sua justiça pela fé (Rm 4.13), na nova aliança a pessoa justificada pela fé receberá a vida (Rm 1.17; Gl 3.11).]

     

    SÍNTESE DO TÓPICO (III)

    Paulo se utiliza do exemplo do patriarca Abraão para mostrar que a justificação é somente pela fé.

     

    SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

    “Paulo diz que, se Abraão, o pai dos judeus segundo a carne, tivesse sido julgado por obras ou justiça própria, teria que gloriar-se diante de Deus. Porém o que aprendemos é que Abraão foi como qualquer outro homem, pecador e sem justiça nenhuma. Ele foi declarado justo por meio da fé (Rm 4.3). Os judeus vangloriavam-se em Abraão e criam que isto lhes garantiria a justificação, apenas por serem ‘filhos de Abraão segundo a carne’. Os versículos 4 e 5, apresentam dois modos de justificação: por méritos e por graça.

    A justificação por méritos se baseia nas obras do homem para obter a sua salvação. A justificação por graça baseia-se sobre o princípio da fé. Deus justifica o pecador pela fé. Ele imputa justiça ao que crê, isto é pela graça de Deus” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.59).

     

    CONCLUSÃO

    Chegamos ao final de uma importante lição sobre a doutrina da justificação pela fé. Nesta lição aprendemos que Paulo recorreu a experiência do patriarca Abraão para argumentar contra a crença judaica que associava a aceitação das obras como garantia de justificação diante de Deus. Para Paulo isso não poderia ser verdade já que o velho patriarca não possuía mérito algum quando recebeu as promessas de Deus. As bênçãos recebidas por ele, assim como as da Nova Aliança, decorrem exclusivamente da graça de Deus em resposta a fé. [Comentário: Em Romanos ficamos sabendo que justo é, portanto, quem foi declarado livre em processo, não por não ser efetivamente culpado, mas por ser reconhecido como tal. O judaísmo na época de Paulo, a prática de uma ética em conformidade com a lei era conditio sine qua non para o juízo de Deus. Isto é, o cumprimento dos mandamentos da lei e as boas obras condicionam o surgimento da justiça divina. Paulo entra em cena agora e diz que, se Abraão, o pai dos judeus segundo a carne, tivesse sido julgado por obras ou justiça própria, teria que gloriar-se diante de Deus. No entanro, Abraão foi como qualquer outro homem, pecador e sem justiça nenhuma. Ele foi declarado justo por meio da fé (Rm 4.3). A doutrina da justificação pela fé é o cerne da teologia paulina, utilizada especialmente quando em confronto direto com o ensino judaico, que defendia que o homem encontra a graça de Deus quando cumpre a vontade divina por meio da lei. É somente pela fé na eficácia do sacrifício de Cristo na cruz que o homem pode ser considerado justo diante de Deus. Paulo chama a atenção aos gálatas por desprezarem este sacrifício e misturar a justificação com a santificação, confiando nas obras de justiça (Gl 1.6,9), o que Paulo chama de “outro evangelho”. Cuidemos para que não caimos no mesmo erro. Sola Fide!] “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,

  • Lição 6: A Lei, a carne e o Espírito

    Lição 6: A Lei, a carne e o Espírito

    Lição 6: A Lei, a carne e o Espírito

     

    Lição 6: A Lei, a carne e o Espírito

    Data: 8 de Maio de 2016

     

    TEXTO ÁUREO

    Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim que eu mesmo, com o entendimento, sirvo à lei de Deus, mas, com a carne, à lei do pecado” (Rm 7.25).

     

    [Comentário: Paulo sintetiza aqui o estado de frustração que ele vinha descrevendo desde o versículo 14. Paulo aprovava totalmente a boa lei de Deus e, no entanto, ‘na carne’, ele ainda servia ao pecado. A nova vida no espírito é experimentada por indivíduos, na mente, no corpo e no espírito, os quais continuam a estampar os sinais do pecado.]

     

    VERDADE PRÁTICA

    A luta entre a carne e o espírito é uma realidade na vida de todo crente, mas a dependência da graça de Deus fará com que tenhamos uma vida vitoriosa.

     

    LEITURA DIÁRIA

    Segunda — Rm 6.2,3 - O poder do pecado foi aniquilado por Jesus Cristo e não pela lei

    Terça — Rm 6.11 - Nossa antiga natureza está morta, agora estamos vivos para Deus

    Quarta — Rm 6.12 - Não podemos permitir que o pecado assuma o controle de nossas vidas

    Quinta — Gl 5.13 - Não usemos da liberdade para dar lugar à carne

    Sexta — Gl 5.16-21 - Já não somos mais dominados pelas obras da carne

    Sábado — Gl 5.22 - O fruto do Espírito na vida do crente

     

    LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

    Romanos 7.1-15.

    1 — Não sabeis vós, irmãos (pois que falo aos que sabem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que vive?

    2 — Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido.

    3 — De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for doutro marido; mas, morto o marido, livre está da lei e assim não será adúltera se for doutro marido.

    4 — Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais doutro, daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus.

    5 — Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte.

    6 — Mas, agora, estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.

    7 — Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás.

    8 — Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda a concupiscência: porquanto, sem a lei, estava morto o pecado.

    9 — E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri;

    10 — e o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte.

    11 — Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou e, por ele, me matou.

    12 — Assim, a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom.

    13 — Logo, tornou-se-me o bom em morte? De modo nenhum! Mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo bem, a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno.

    14 — Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado.

    15 — Porque o que faço, não o aprovo, pois o que quero, isso não faço; mas o que aborreço, isso faço.

     

    HINOS SUGERIDOS

    155, 432 e 491 da Harpa Cristã.

     

    OBJETIVO GERAL

    Mostrar que a luta entre carne e espírito é uma realidade na vida de todo crente.

     

    OBJETIVOS ESPECÍFICOS

    Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

    • Explicara analogia do casamento ilustrada na Lei;
    • Mostrara analogia da solidariedade da raça ilustrada em Adão;
    • Discorrera respeito da analogia entre carne e espírito.

     

    INTERAGINDO COM O PROFESSOR

    Na lição de hoje estudaremos o capítulo sete da Epístola aos Romanos. Este capítulo trata a respeito da libertação da Lei. Para que os romanos compreendessem bem o assunto, Paulo faz uma analogia entre a Lei e o casamento. O apóstolo mostra que enquanto o marido viver, a esposa está ligada a ele mediante a lei do matrimônio. Mas, morto o marido a esposa se torna livre, podendo até mesmo contrair novas núpcias. Com esta analogia, Paulo mostra que os salvos em Cristo, pela fé, já estão livres da lei do pecado e agora pertencem a Jesus Cristo. Em Cristo, estamos mortos para a lei do pecado. O apóstolo precisou tratar deste assunto porque os judeus tinham dificuldades de se libertarem das amaras da Lei. Livres da lei do pecado temos condições de nos relacionarmos com Deus e vivermos uma vida de santidade. Segundo Lawrence Richards “a libertação da Lei não promove o pecado, mas a justiça”.

     

    COMENTÁRIO

    INTRODUÇÃO

    Na lição de hoje estudaremos o papel do cristão em relação à Lei, a carne e o Espírito. Paulo apresenta um estudo a respeito desses temas no capítulo sete. Ele se utiliza de três analogias para discorrer sobre os assuntos: a analogia do casamento, a analogia de Adão no paraíso e a analogia da carne versus o espírito. Como devemos nos comportar diante da lei? Como explicar, que mesmo depois de já termos recebido a graça de Deus, passamos por conflitos espirituais internos? O que isso significa? É o que vamos procurar responder neste estudo.

     

     [Comentário: é importante que comecemos esclarecendo que este é um dos capítulos de maior complexidade para se interpretar de toda a bíblia. Ao longo dos séculos o capítulo sete da carta aos Romanos tem desafiado inúmeros teólogos e estudiosos quanto à sua real interpretação. Uma correta interpretação deste capítulo é essencial à compreensão de toda carta, e, para interpretá-lo, precisaremos de todos os elementos que foram realçados através das análises feitas nos capítulos anteriores. Assim, não vai ser com esta concisa lição que elucidaremos o capítulo sete. Paulo expande agora o tema da relação entre o crente e a lei. Embora a lei seja santa, justa e boa (v. 12), a sujeição do pecador à lei resultou somente em condenação, visto que a lei, em sua justiça, desvendava toda a transgressão e fracasso. Nesta seção, a relação entre o pecador e a lei é comparada a um casamento. O ponto da comparação é que a morte leva essas relações ao fim, e o cônjuge viúvo fica livre para entrar em nova relação de casamento, Visto que o ‘casamento’ com a lei foi quebrado por meio da morte, o crente não é um adúltero e nem pode ser condenado pela lei. O crente morre ao ficar unido com Cristo em sua morte, quebrando a cadeia de desobediência e morte que prendia o pecador a Adão e ao seu destino (5.12-21). O outro lado da ilustração é que a união com Cristo, em sua ressurreição, confere ao crente uma nova relação, segundo a qual uma verdadeira – embora ainda não perfeita – obediência é prestada a Deus, em amor e gratidão. No novo relacionamento com Cristo, a força do Espírito Santo assegura que haverá vida e frutificação (7.4) – uma metáfora que aponta para um resultado ou conseqüência natural.] Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

     

     

    PONTO CENTRAL

    Jesus Cristo nos libertou do jugo da Lei, do pecado e das obras da carne, por isso, podemos andar em Espírito. 

    1. A LEI ILUSTRADA NA ANALOGIA DO CASAMENTO (Rm 7.1-6)
    2. A metáfora do casamento.O apóstolo Paulo mostra que homem algum pode ser salvo pela Lei, até mesmo aqueles que a guardam com zelo e devoção. Aqueles que já possuem uma nova natureza também não serão guardados do pecado por observarem a Lei. A insistência de Paulo, que se estende desde o capítulo seis com respeito à função da Lei, agora o conduz a usar o casamento como uma analogia que contrasta o viver através dos preceitos da Lei e a nova vida em Cristo (Rm 7.1). Paulo usou o casamento para mostrar o nosso relacionamento com a Lei. O apóstolo ressalta que o contrato de casamento perde sua validade quando um dos cônjuges morre. Segundo a Bíblia de Aplicação Pessoal, “ao morrermos com Cristo, a Lei não pode mais nos condenar; estamos unidos a Cristo”.

     

    [Comentário: Após demonstrar que todos os cristãos foram batizados em Cristo, ou seja, tornaram-se participantes da Sua morte, e que, por estarem mortos, não havia como viverem no pecado, Paulo convoca os seus interlocutores ao raciocínio (v. 1). A figura da mulher ligada ao marido é um exemplo claro de que é impossível a alguém que morreu para o pecado permanecer no pecado é apresentado através desta figura. Enquanto o marido viver, a mulher estará ligada ao marido pela lei. Porém, morto o marido, qual o papel da lei? A viúva deveria continuar submissa à lei mesmo após a morte do marido? É certo que, morto o marido, a lei continuará a existir, porém, a viúva não mais será alcançada pela lei, por mais que a mesma lei continue a submeter outras mulheres casadas a seus maridos, ela não submeterá a viúva. Os leitores da carta de Paulo deviam construir um paralelo entre eles, que morreram para o pecado, e os não crentes, que permaneciam vivos para o pecado. Quem não foi batizado (morreu) em Cristo, e que, portanto, não morreu com Cristo, permanece vivo para o pecado e sob a égide da lei. Quem não é batizado em Cristo, mesmo sem causa é transgressor "Na verdade, não serão confundidos os que esperam em ti; confundidos serão os que transgridem sem causa" (Sl 25.3).]

     

    1. A metáfora da mulher viúva.Os versículos 2 e 3 do capítulo 7, concluem a analogia do apóstolo a respeito do casamento. Paulo afirma que vivendo o marido, se a mulher se casar novamente com outro homem, ela será considerada adúltera. Mas, se o marido morrer ela está livre para se casar novamente. A intenção era mostrar que a morte de Cristo na cruz, e os cristãos juntamente com Ele (Ef 2.5,6), rompeu os votos de obediência aos preceitos legais da lei mosaica (Rm 7.4).

     

     [Comentário: Quem crê em Cristo, ou seja, quem espera na salvação providenciada por Deus (esperam em ti), jamais serão confundidos. Porém, todos os que não confiam em Deus serão confundidos, pois mesmo sem causa são transgressores (Sl 25.3). O que isto quer dizer? Ora, todos os nascidos em Adão são transgressores por natureza, sem qualquer relação direta com questões comportamentais ou morais. Mesmo quando não transgridem leis sociais, morais e comportamentais, são transgressores diante de Deus. Quem confia no Senhor, morre para o pecado e ressurge uma nova criatura, que jamais será confundida, pois a salvação providenciada por Deus não advém das regras sociais, morais ou comportamentais, antes, é salvo por ter sido novamente criado na condição de filhos de Deus. A lei do marido só tem razão de ser enquanto o marido estiver vivo, pois tal lei estabelece a sujeição da mulher ao marido, porém, após a morte do marido, a viúva está livre da lei do marido.]

     

    1. Mortos para a lei.A expressão “mortos para a lei pelo corpo de Cristo” é entendida pelos intérpretes como uma referência à morte de Cristo e a nossa identificação com Ele. O biblicista C. Marvin Pate observa que “Paulo usa a analogia da morte de um cônjuge no casamento para ilustrar a morte do crente para a lei, pelo fato de ele estar unido com Cristo (Rm 7.1-6)”.

     

     [Comentário: Paulo convida os seus interlocutores a pensarem e a chegarem a uma conclusão. Enquanto o marido viver, a mulher será chamada adúltera se for de outro homem, porém, após morrer o marido, a mulher estará livre da lei, e não mais será adultera se for de outro homem. As figuras utilizadas por Paulo, tanto da escravidão quanto da mulher ligada ao marido pela lei são simples de entender. Diante da lei jamais um escravo seria livre sem a aquiescência do seu senhor. Caso o senhor viesse a falecer, o escravo simplesmente fazia parte dos espólios do seu antigo senhor, porém, não seria livre. Somente a morte do escravo é que o tornava livre do seu senhor, uma vez que a lei e o antigo senhor nada representavam para o escravo após a sua morte. Como é sabido, o pecado é um senhor tirano que não concede liberdade a seus escravos. Somente a morte deixa livre o pecador do seu tirano senhor, no entanto, seguirá para a eternidade sob condenação eterna. O cristão efetivamente morre com Cristo, e é por isso que o pecado deixa de exercer domínio como senhor sobre ele. Quem morre (a morte natural) como servo do pecado seguirá para a eternidade sob condenação, porém, aquele que morre com Cristo, é julgado em Cristo para não ser condenados com o mundo. Quem morre para o pecado em Cristo, ressurge uma nova criatura, e passa a viver para Deus. O ponto principal que Paulo demonstra neste verso é que, após morrer o marido a mulher está livre da lei do marido. Do mesmo modo, após o escravo morrer, livre está do seu senhor. Por certo, ao morrer para o pecado e para a lei, o cristão é livre da lei e do pecado. A figura da escravidão demonstra que o cristão é livre do pecado (Rm 6.6), e a figura da mulher ligada ao marido pela lei, que o cristão é livre da lei (Rm 7.4).]

     

    SÍNTESE DO TÓPICO (I)

    Paulo utiliza a analogia do casamento para mostrar que fomos libertos do jugo da Lei e do pecado.

     

    SUBSÍDIO TEOLÓGICO

    “Livre

    Um cônjuge não está mais ligado pela lei matrimonial com o consorte falecido. A morte liberta a ele ou a ela dessa lei. Semelhantemente, a morte de Cristo, que compartilhamos em nossa união com Ele, nos liberta de todas as obrigações legais constantes na Lei de Deus.

    Algumas pessoas ficam atemorizadas com a ideia de que o cristão não tem obrigação alguma de guardar a Lei. Paulo deixa claro que precisamos estar livres dessas obrigações. Por quê? A Lei diz respeito à nossa natureza pecaminosa e proclama: ‘Não’. O resultado não foi uma repreensão do desejo de pecar, mas o surgimento de nossas paixões pecaminosas. Pecamos, ao ‘produzir frutos da morte’. Deus agora nos chama para nos relacionarmos diretamente com Ele através do Espírito. O Espírito falará à nossa natureza, nos estimulando a servir e, assim, a ‘produzir frutos para Deus’” (RICHARDS, Lawrence. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.743).

     

    1. ADÃO ILUSTRADO NA ANALOGIA DA SOLIDARIEDADE DA RAÇA (Rm 7.6-13)
    2. De volta ao paraíso.Paulo considerava Adão o cabeça e o representante da humanidade. A sua Queda levou todos os homens a caírem com ele. Aqui o objetivo do apóstolo é vincular a desobediência de Adão à humanidade. Adão pecou, logo todos pecaram. Uma leitura cuidadosa das palavras de Paulo em Romanos 7 a 11 mostrará a estreita relação que elas têm com os fatos ocorridos em Gênesis capítulo 3. Por exemplo, a expressão não “cobiçarás” é uma alusão a Gênesis 3.1-6. Por outro lado, as palavras de Paulo “eu vivi sem lei” (Rm 7.9), só têm sentido se aplicado na vida de Adão, pois Paulo como fariseu e judeu que era vivia a lei desde a infância (2Tm 3.15). Aqui Paulo, como ser humano, se via em Adão. As expressões “eu morri” e o “pecado me enganou” ganham paralelo com Gênesis 2.17 e 3.13.

     

     [Comentário: Estamos todos juntos com Adão e Eva, pois herdamos deles o veneno do pecado. Ele corre no nosso sangue. É isso o que os teólogos chamam de pecado original. Adão incluiu a todos na sua decisão, e esta decisão foi fatal para a raça. Adão agiu como nosso representante e, por essa razão, a sua escolha nos atinge. Nesta questão não temos liberdade de escolha. A partir do versículo 6, Paulo demonstra que os judeus não serviam a Deus, antes, só tinham zelo, porém, sem entendimento (Rm 10.2). Por quê? Porque só é possível servir a Deus em espírito e em verdade, ou seja, quando o homem é gerado do Espírito, o mesmo que ser circuncidado no coração. Somente em Cristo é possível ao homem alcançar a condição de servir a Deus em espírito (Jo 4.23). A condição ‘em espírito’ só é possível quando o homem é gerado de Deus. É por isso que Jesus disse a Nicodemos: "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito" (Jo 3.6). Somente após o homem ser gerado de novo através da fé em Cristo torna-se possível servir a Deus (o Espírito Eterno) em espírito. Os judeus pensavam servir a Deus, porém, a qualquer homem nascido de Adão (nascido da carne) é impossível servir a Deus. Deus somente ‘conhece’ aqueles que o adoram em espírito e em verdade (Jo 4.24 ; Gl 4.9). Paulo estava tratando diretamente com os judeus convertidos, como foi demonstrado anteriormente, e aqui temos outra evidência: somente os cristãos judeus tentaram servir a Deus através da velhice da letra (lei de Moisés), ponto abordado por Paulo que não tem relação com os gentios. Só é possível servir a Deus em novidade de espírito, e, somente Ele, é quem ‘renova’ (cria) no homem um espírito reto (Sl 51.10). Só é possível ter novo coração e um novo espírito quando o homem está livre da lei, ou melhor, quando morre para aquilo em que se estava retido. Como é possível ao homem morrer para o que estava retido (lei)? Através da circuncisão do coração! Quando Moisés apregoou a circuncisão do coração ao povo de Israel, tal circuncisão só era possível através da fé em Deus, Aquele que tem o poder de circuncidar o coração, ou seja, Ele mata o homem gerado em Adão e concede um novo coração "E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas" (Dt 30.6). Somente após alcançar novo coração (novo nascimento) o homem compreende a palavra de Deus "Porém não vos tem dado o SENHOR um coração para entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir, até ao dia de hoje" (Dt 29.4).]

     

    1. Lembranças do Sinai.Outra razão, no entendimento de muitos intérpretes da Bíblia, que levou o apóstolo a se ver em Adão está na crença judaica de que o primeiro homem viveu os princípios da Torá (lei), mesmo tendo existido muito antes da sua promulgação no Sinai. De fato, essa é uma crença muito bem documentada na literatura rabínica. Filo de Alexandria, filósofo judeu, por exemplo, dizia que a cobiça, pecado praticado por Adão no paraíso, era a raiz de todos os males.

     

     [Comentário: Fílon de Alexandria (25 a.C. – 50 d.C.) foi um filósofo judeo-helenista que viveu durante o período do helenismo. Tentou uma interpretação do Antigo Testamento à luz das categorias elaboradas pela filosofia grega e da alegoria. Wikipédia. A lei de Moisés (velhice da letra) não poderia proporcionar o novo nascimento. Somente o evangelho de Cristo, que é a água limpa aspergida pelo Espírito Eterno, faz nascer o novo homem para louvor de sua glória (Jo 3.5 ; Ez 36.26). É através do evangelho que o homem recebe poder para ser criado em verdadeira justiça e santidade (Jo 1.12 ; Ef 4.24 ). Após declarar que os cristãos eram livres da lei (Rm 7.6), do mesmo modo que eram livres do pecado (Rm 6.6), poderia surgir um entrave na mente de alguns cristãos: acharem que Paulo estava equiparando a lei ao pecado (Rm 7.7).]

     

    1. A lei dada a Adão.O fato é que Adão estava debaixo do mandamento, da ordenança de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.17). A intenção do apóstolo é fazer um paralelo entre o Paraíso e o Sinai, entre a lei de Moisés e a ordenança que foi dada a Adão. O mandamento que foi dado a Adão para trazer vida se converteu através da ação da antiga serpente, personificação do Diabo, em morte. Da mesma forma, a Lei de Moisés que foi dada para trazer vida, mas o pecado, como personificação do mal, a transformou em um instrumento de morte.

     

    [Comentário: É possível inferir de Rm 2.12 que os que sob a lei pecaram são os judeus, do mesmo modo, que os gentios pecaram sem lei. Isto demonstra que Paulo estava escrevendo acerca da lei de Moisés, visto que, desde Adão até Moisés todos pecaram, mesmo não tendo uma lei específica. Não é porque os gentios não possuíam uma lei que não estavam sob condenação. Do mesmo modo, não é porque os judeus possuíam uma lei, que não haveriam de perecer. Ou seja, todos pecaram e estavam debaixo de condenação, e seguiam para a perdição (Rm 3.9). Isto demonstra que a transgressão à lei mosaica não é o que subjugou a humanidade ao pecado. Porém, Paulo demonstra que o homem ‘conheceu’ o pecado, ou seja, passou a ter comunhão intima com o pecado através da lei (Rm 7.7), o que indica que em Rm 7.7 ele não está se referindo a Lei de Moisés, antes fez referência a lei perfeita da liberdade concedida ao homem no Éden (Gn 2.16 – 17). Ora, Adão perdeu a comunhão com o criador quando desobedeceu a ordenança divina que foi dada no Éden, e por causa da ofensa dele, todos pecaram, tanto gentios quanto judeus. Todos ficaram alienados da glória de Deus, ou seja, ‘conheceram’ o pecado. O pecado subjugou a humanidade por causa da desobediência à lei dada no Éden. Ora, tanto os que estavam sob a lei de Moisés quanto os gentios, ambos pecaram, o que demonstra que o pecado decorre da desobediência de Adão. Desta análise é possível concluir que Paulo faz referência a dois tipos de lei na sua carta. Uma refere-se à lei de Moisés, e a outra à lei de Deus outorgada no Éden. Desta última decorre a penalidade eterna: ‘certamente morrerás’, ou seja, o homem ‘conheceu’ a separação da vida que há em Deus através da ofensa no Éden. Ora, se o pecado decorre da desobediência à lei dada no Éden, logo, o ‘eu’ da qual o apóstolo faz alusão refere-se a algo proveniente de Adão, e que é comum a todos os homens destituídos da glória de Deus.]

     

    SÍNTESE DO TÓPICO (II)

    Paulo mostra que Adão é o cabeça e representante da raça humana.

     

    SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

     

    Professor, reproduza o esquema abaixo e utilize-o para enfatizar o que dispomos como descendência de Adão e como filhos de Deus.

     

    III. O CRISTÃO ILUSTRADO NA ANALOGIA ENTRE CARNE E ESPÍRITO (Rm 7.14-25)

    1. A santidade da lei.Um interlocutor atento poderia argumentar que o apóstolo estaria desqualificando a Lei, reduzindo-a a algo extremamente mal. Paulo se adianta e responde: “Assim, a lei é santa; e o mandamento santo, justo e bom” (Rm 7.12). Não há nenhum problema com a Lei. A Lei é boa e seu propósito também. O problema, portanto, não estava na Lei, mas naqueles que se regiam por ela. Como o apóstolo já havia argumentado, o problema estava dentro do homem, no pecado que habitava nele, e não na existência de uma lei externa (Rm 7.18).

     

    [Comentário: Paulo faz referência a carne e o Espírito como senhores que lutam (cobiçam) entre si para ter domínio sobre o homem. Ora, por que lutam (cobiçam)? A resposta é clara: eles se opõem um ao outro para que o homem não faça o seu querer, antes façam o desejo daquele a quem se sujeitarem “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis” (Gl 5.17). Quando gerado segundo Adão, o homem é sujeito ao pecado, e não faz a sua própria vontade, antes, por ser escravo, serve o pecado para morte ( Rm 6:16 ). O corpo do homem sujeito ao pecado é instrumento de iniqüidade, ou seja, quem faz uso do corpo é o pecado. O homem não passa de um instrumento a serviço do seu senhor (Rm 6.13; Rm 6.19). Quando o homem é gerado de novo segundo o Espírito, é sujeito à obediência, e não faz a sua própria vontade, antes, como escravo da obediência para a justiça. O corpo do homem regenerado passa a condição de instrumento de justiça, ou seja, a justiça faz uso do corpo daquele que lhe é sujeito. O homem é instrumento nas mãos de Deus. Não há como o homem lutar contra a carne por ser sujeito à carne como escravo. Quem luta contra a carne é o Espírito, e não o homem. As obras da carne são próprias à carne por ela fazer o papel de senhor, da mesma forma que, o fruto do Espírito é próprio do Espírito, e somente o Espírito Eterno pode produzi-los naqueles que são servos da obediência. É por isso que Jesus disse: "Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" (Jo 15.5). Observe que Jesus refere-se ao fruto que as varas ligadas n’Ele produzem no singular (o fruto), do mesmo modo que Paulo anunciou aos Gálatas. O fruto é único porque pertence ao Espírito, que o produz naqueles que estão ligados a Cristo, a videira verdadeira. Mesmo após o seu ‘eu’ morrer com Cristo, Paulo continuou vivendo socialmente como qualquer outro homem, pois ainda dependia do seu trabalho (At 18.3), tinha pertences pessoais (2Tm 4.13), fazia uso da tecnologia da época (At 20.38), tinha sonhos e desejos (1Co 9.4 e 1Co 9.5 ) e opinião própria (At 15.39). O homem desejar ter uma esposa ou a mulher ter um marido não é ser carnal. O homem ter uma esposa ou a mulher ter um esposo não é carnalidade (1Co 9.5). Ter opinião diferente, ou discordar de outro irmão não é algo proveniente da carne (At 15.39). Ser repreensível não e o mesmo que ser carnal (Gl 2.11). Jesus expulsou os que vendiam no templo, derrubou as mesas e espalhou o dinheiro dos cambistas, porém, não era carnal. Jesus possuía sentimentos, emoções, tais como alegria, tristeza, angustia, medo, coragem, etc., e não era sujeito a carne e as suas paixões. Ter um corpo feito de matéria (carne e sangue) não é o que vincula o homem ao pecado. Jesus veio em carne, homem espiritual e espírito vivificante "Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante" (1Co 15.45). Paulo crucificou a carne, o ‘eu’ sujeito ao pecado, mas continuou de posse do seu tabernáculo terrestre (2Co 5.4). Considerar que o cristão continua de posse da natureza pecaminosa após ter sido justificado ‘em Cristo’ é depor contra as Escrituras. Deus declara o homem justo porque Ele cria o novo homem justo e santo com um novo coração e um novo espírito. A justificação em Cristo é justificação de vida, e não judicial, como alguns pensam "Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida" (Rm 5.18). J. Sidlow Baxter disse que: “Permanece, no entanto, um problema sério que precisa ser resolvido para mim, pelo evangelho. O que desejo agora, além da retidão judicial, é alcançar a retidão prática de motivo e conduta em minha vida diária, através de um poder que irá libertar-me da escravidão deste tirano, o ‘pecado que habita em mim’” Baxter, J Sidlow, Examinai as Escrituras – Atos a Apocalipse, edição. 1989, Ed. Edições Vida Nova, pág. 87. Para Baxter, o homem desventurado diz de alguém que obteve libertação, porém, a libertação não é plena, total. Falta ao homem desventurado poder para uma quarta libertação, ou seja, ele segue a mesma linha de raciocínio que critica (velha escola puritana), a de que o velho ‘eu’ há de seguir o homem regenerado até o amargo fim. Ora, Jesus libertou os que crêem para que sejam livres de fato (Gl 5.1). O poder que Deus concedeu aos seus é suficiente para que sejam criados filhos de Deus (Jo 1.12). Cristo afirmou que Ele e o Pai estariam com os seus todos os dias, porque viriam e fariam neles morada. Diante da declaração de Jesus, fica impossível conceber que o pecado continue a habitar o crente, ou pior, que a casa fique dividida entre dois senhores: a obediência e o pecado. O que se percebe através da exposição de Baxter, é que há uma confusão quanto às questões relativas à conduta do cristão. Ele esquece que todos os cristãos tropeçam em muitas coisas (Tg 3.2), porém, aquele que não tropeça quanto a exposição do evangelho, este é perfeito, visto que é participante da natureza divina (Cl 2.10), sendo como Cristo aqui neste mundo (1Jo 4.17). Tiago avisou do perigo que ronda aqueles que desejam ser mestres: o duro juízo de Deus reservado para aqueles que prevaricarem quanto ao oficio de ensinar o evangelho. O aviso é solene: todos tropeçamos. Ou seja, somos passíveis de erros, mas aqueles que exercem o ministério como mestres não podem cometer erros quanto a palavra da verdade. Só os perfeitos, ou seja, aqueles que estão em Cristo não tropeçam na palavra que lhes concedeu a perfeição. Além de se tornar perfeito em Cristo, o cristão tem poder para exercer domínio próprio “MEUS irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo. Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo” (Tg 3.1 – 2). 

     

    1. A malignidade da carne.Não há dúvida que todo cristão entende bem essas palavras de Paulo em Romanos 7.22,23. Essas palavras revelam o conflito entre a nossa nova natureza em Cristo e o “velho homem” residente em nós. É a guerra entre a carne e o espírito. A quem essas palavras de Paulo se destinam? O contexto parece não deixar dúvidas de que Paulo tinha em mente os crentes que, pelo fato de serem cristãos, acreditavam que poderiam viver vitoriosamente sem o Espírito Santo. Embora Paulo tenha deixado para tratar sobre o ministério do Espírito Santo no capítulo 8 de Romanos, ele já chama aqui a atenção para o viver “em novidade do Espírito” (Rm 7.6) como forma de vencer as inclinações da carne.

     

     [Comentário: Quando Paulo disse: “Eu sou carnal” ( Rm 7:14 ), ou: “...e vivo, não mais eu...” ( Gl 2:20 ), a qual ‘eu’ ele se referia? Seu eu psíquico? Histórico? Social? Quando lemos: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus" ( 1Co 15:9 ), verifica-se que o ‘eu’ a que Paulo se refere não é o ‘eu’ que foi morto com Cristo, mas sim ao ‘eu’ histórico do apóstolo. Tudo que Paulo realizou no passado enquanto era chamado de Saulo, foi realizado por ele mesmo, ou seja, o apóstolo dos gentios não nega o seu passado, ou seja, sua história de vida. Isto porque o mesmo homem que perseguiu a igreja de Deus passou a anunciar o evangelho de Cristo, ou seja, o perseguidor agora é perseguido (Gl 1:23 ; 1Tm 1:13). Paulo também não renega o seu ‘eu’ social, visto que, quando preso, apresentou-se como cidadão romano, e se defende com base nas leis vigentes: "E, quando o estavam atando com correias, disse Paulo ao centurião que ali estava: É-vos lícito açoitar um romano, sem ser condenado?" ( At 22:25 ; At 25:16 ). Paulo trazia na lembrança a sua origem, visto que fora circuncidado ao oitavo dia, pertencente a linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreu, fariseu, cidadão romano, etc ( Fl 3:5 -6 ; At 22:28 ), tais relatos demonstram que, o ‘eu’ que morre com Cristo não se refere a questões socioculturais. Então, qual ‘eu’ foi crucificado com Cristo? O ‘ego’? (‘Ego’ diz da consciência inferior do indivíduo. Resulta da soma total dos pensamentos, ideias, sentimentos, lembranças e percepções sensoriais que tem por funções a comprovação da realidade e a aceitação, mediante seleção e controle, de parte dos desejos e exigências procedentes dos impulsos que emanam do indivíduo). Quando lemos as cartas paulinas fica evidente que os seus pensamentos, lembranças, sentimentos, percepção sensoriais, desejos, etc., permaneceram inalterados. Qual era o sentimento de Paulo acerca dos seus compatriotas? Ele mesmo demonstra que desejaria ser separado de Cristo por amor aos seus irmãos segundo a carne ( Rm 9:3 ). O que isto quer dizer? Este amor pelos seus compatriotas demonstra que os sentimentos, as lembranças e as emoções do apóstolo dos gentios não foram alteradas após o seu ‘eu’ deixar de existir. O desejo de Paulo permaneceu inalterado, mesmo após o seu ‘eu’ não mais viver ( Rm 10:1 ). Isto significa que ‘morrer com Cristo’ não é o mesmo que ignorar as percepções sensoriais do corpo, da existência e dos registros que possuimos na memória ( ‘Ego’ por Jung). O ‘eu’ carnal, ou o ‘eu’ que ‘não mais vive’ não diz do “centro da consciência superior do individuo, que é a soma total dos pensamentos, idéias, sentimentos, lembranças e percepções sensoriais, extra-sensorial, e não-sensorial, que também é nomeado pela psicologia moderna de ‘eu’”. Paulo não estava renegando os impulsos instintivos da sua personalidade, ou estinguindo o seu reservatório inicial da energia psíquica como indivíduo. O ‘eu’ que Paulo faz referência não tem relação com o ‘ego’, o ‘id’ e o ‘superego’ da psicanálise freudiana. O ‘eu’ descrito pela psicanálise compõe-se do ‘id’, que é “instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes e regido pelo princípio do prazer”. Exige satisfação imediata, é a energia dos instintos e dos desejos em busca da realização desse ‘princípio do prazer’, e do ‘superego’, que representa a “censura das pulsões que a sociedade e a cultura impõem ao ‘id’, impedindo-o de satisfazer plenamente os seus instintos e desejos, e se manifesta indiretamente na conciência, sob forma da moral, como um conjunto de interdições e deveres, e por meio da educação, pela produção do "eu ideal", isto é, da pessoa moral, boa e virtuosa”. Quando Paulo anuncia que seu ‘eu’ morreu com Cristo, não se ocupa dos instintos e nem dos impulsos orgânicos do homem. Ele também não escreveu acerca da moral e do conjunto das interdições e deveres que tem o fito de tornar o homem virtuoso de ‘per si’. As obras da carne que Paulo enumera aos cristão da Galácia não guardam relação alguma com os instintos e desejos do ‘id’ freudiano. Da mesma forma, o fruto do Espírito não tem relação alguma com o ‘eu ideal’ proveniente do ‘superego’ (Leia carne versus Espírito). O ‘eu’ a qual Paulo faz referência, que é carnal ( Rm 7:14 ), não se refere a uma pessoa específica e nem diz de uma personalidade com sentimentos e emoções. O ‘eu’ a que ele se refere aponta uma condição. Como falar de uma condição? Ora, para falar de uma condição é essencial associá-la a um objeto ou pessoa. Para falar acerca da condição do ‘eu’, ou da condição de sujeição ao pecado, o apóstolo fez referência ao seu passado, utilizando o ‘eu’ como figura. Através do ‘eu’, Paulo ilustra, ou melhor, demonstra a condição de todos os homens que não ‘conheceram’ a Cristo. Desta forma, temos na argumentação paulina a condição do homem carnal desempenhando o ‘papel’ principal. Através de uma análise da frase (proposição): ‘Eu sou carnal’, utilizando ferramentas pertinentes à lógica, é possível identificar três componentes distintos:

    1. a) denotação: o estado de coisas que a frase afirma ser o caso;
    2. b) conotação: os sentimentos, idéias ou emoções provocadas pela frase no auditor, e;
    3. c) ênfase: a importância relativa que o autor atribui aos diferentes elementos da frase.

    O componente de maior importância para a análise está na importância relativa que Paulo atribuiu aos diferentes elementos da frase (ênfase): ‘Eu sou carnal’. O estado do ‘eu’ na frase é a ‘carnalidade’ - denotação. A idéia que Paulo enfatiza é a sujeição do homem ao pecado como escravo – conotação. Quando afirmou a condição do ‘eu’, Paulo atribui maior importância ao predicativo (carnal) do sujeito (eu) - ênfase. Portanto, durante a interpretação do verso: “Eu sou carnal”, devemos atentar para o elemento de maior importância na preposição, o predicativo ‘carnal’, e considerar o ‘eu’ como elemento coadjuvante ou como figura, algo essencial para se demonstrar a condição do homem sem Deus. Para explicar a condição daqueles que estão divorciados do Criador, o apóstolo Paulo lançou mão de uma figura, o ‘eu’, onde fosse possível demonstrar a realidade do homem sem Deus. Como ele estava tratando diretamente com os cristãos judeus, havendo entre eles alguns judaizantes, não era de bom alvitre dizer: ‘Vocês são carnais, vendidos como escravos ao pecado’ ( Jo 8:33 ). Por amor aos seus compatriotas, Paulo fez referência a sua antiga condição utilizando o ‘eu’ como figura ( 1Co 4:6 ). Após afirmar qual era a sua antiga condição sob a égide do pecado (Eu sou carnal), os compatriotas do apóstolo dos gentios teriam elementos para concluir que, ser descendente de Abraão, israelita, hebreu de hebreu ou pertencente à alguma tribo de Israel não livra o homem do jugo do pecado. A proposição (afirmação) ‘Eu sou carnal’ tem a finalidade de apresentar a condição pertinente à natureza gerada segundo o pecado, ou seja, a condição do homem vendido como escravo ao pecado em decorrência da ofensa de Adão ( Rm 7:14 ). Todos os descendentes de Adão são carnais, visto que, ser carnal é condição proveniente do nascimento natural. Para ser espiritual é necessário nascer de novo segundo o último Adão, que é Cristo. A carne não é aniquilada através do ascetismo pessoal. Para o homem livrar-se da carne é necessário ter um encontro com a cruz de Cristo, diferente do ascetismo, que consiste na negação de desejos físicos e psíquicos em busca da espiritualidade.

     

    1. A velha natureza.Nossa antiga natureza está constantemente tentando rebelar-se contra Deus. Não temos como lutar contra o pecado usando a nossa força. O Espírito Santo, que habita em nós, ajuda-nos a vencer a velha natureza.

     [Comentário: Há uma guerra incessante acontecendo na vida de todos. Não é a batalha da lei versus a graça. Esta já foi ganha por Jesus na cruz, mas a guerra incessante é do Espírito versus carne:  “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si...” (Gl 5.17). Neste texto, carne não significa corpo ou matéria, não significa o palpável, o gerado e concebido por uma mulher. Não é o corpo físico. Por isso é que o nosso corpo não é a sede de todos os pecados. Quem pensa dessa forma está desvirtuando a Palavra de Deus deixada para orientação de nossas vidas. Há cristãos que estão equivocados com esta passagem da Bíblia. Para muitos, o seu corpo tem sido o culpado vital de seus fracassos. Porém, esse texto faz alusão à natureza humana. No contexto, os pecados mencionados como obras da carne são pecados espirituais manifestados através do corpo (Gl 5.19-21). A origem, a sede é a natureza humana; o corpo é apenas um instrumento que pode ser usado para satisfação da carne ou do Espírito (Gl 5.16 e 24). Andar a partir do senso e razão pessoal implica em viver sem a orientação de Deus, executar o próprio querer sem se importar com o querer de Deus. E é justamente nesse ponto que muitos cristãos têm tombado e perdido a guerra. Policiam tanto o corpo e se esquecem de tomar conta de suas intenções e vontades. Não conseguem se render inteiramente a Deus e ao Espírito Santo, que é o agente ativo na vida do cristão. O campo desta batalha é a psiquê humana, isto é, a carne, as vontades pessoais, a razão humana lutam incansavelmente contra o Espírito. São duas vontades lutando em uma só mente. Por isso, o apóstolo Paulo escreveu: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7.18-19).]

     

    SÍNTESE DO TÓPICO (III)

    Paulo faz uma analogia para mostrar a luta da carne com o Espírito.

     

    SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

    “O conflito entre a Lei e o pecado (7.14-25)

    Esse conflito é inevitável. Duas leis se chocam — a lei do pecado e a lei de Deus. Podemos chamá-las de lei carnal e lei espiritual. Entretanto, esse conflito pode ser facilmente dominado pelo crente, se ele dominar o pecado pela lei espiritual. O campo de batalha entre essas duas forças é interior ao homem. Paulo ilustra o coração como o interior de nossas vidas para mostrar esse conflito.

    A lei é espiritual (v.14). Mais uma vez o apóstolo declara que o problema não está na lei de Deus, mas na natureza pecaminosa do homem. Quando ele declara ‘sou carnal’ está, na verdade, dizendo que ele é feito carne, isto é, sujeito à lei do pecado que opera na carne. Ele diz, também, que é ‘vendido sob o pecado’, ou, à escravidão do pecado. Significa que, queira ou não, está na sua carne, a tendência pecaminosa que o escraviza a faz de sua natureza pecaminosa a sede de operações para o pecado. Essa escravidão envolve toda a personalidade do homem. Porém, esse envolvimento encontra uma barreira para o domínio total do pecado, que é a lei espiritual.

    O conflito entre lei e o pecado (v.15). Nestas palavras o apóstolo se sente o centro do conflito no seu interior, e não consegue entender porque pratica certos atos que contrariam sua real vontade. Ele vê o conflito entre o bem e o mal, e, às vezes, esse conflito é tão intenso que ele não consegue descobrir o ‘porquê’ desse conflito que o leva fazer certos atos” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, pp.85,86).

     

    CONCLUSÃO

    Mesmo vivendo debaixo da graça o crente experimenta o conflito entre sua antiga natureza e sua nova vida em Cristo. Como viver uma vida nova, se a velha vida ainda continua querendo ocupar seu antigo espaço? A resposta do crente está na compreensão de que a solução a esse conflito está em responder positivamente à nova vida espiritual, dependendo inteiramente da graça de Deus.

     

     [Comentário: Noa capítulo 8 e versículo 1º, Paulo nos dá a revelação do que é andar com Cristo, do que é estar livre do pecado. Já não há acusação sobre nós, pois temos o sangue de Cristo sobre nossas vidas para nos purificar, porém, de forma incisiva e direta, tem uma condicionante para estar livre de acusação: “...que não andam segundo a carne...”. Paulo coloca um condicionante, e um condicionante que é determinante para ser Cristão: Andar no Espírito. Crendo N’Ele e buscando a Ele, temos a inclinação para o Espírito Santo!]“Naquele que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,

     

    PARA REFLETIR

    A respeito da Carta aos Romanos, responda:

     

    O que Paulo desejava mostrar com a metáfora do casamento?

    Paulo desejava mostrar que homem algum pode ser salvo pela Lei, até mesmo aqueles que a guardam com zelo e devoção. Paulo usou o casamento para mostrar o nosso relacionamento com a Lei. O apóstolo ressalta que o contrato de casamento perde sua validade quando um dos cônjuges morre. Segundo a Bíblia de Aplicação Pessoal “ao morrermos com Cristo, a Lei não pode mais nos condenar; estamos unidos a Cristo”.

    Como pode ser entendida a expressão “mortos para lei pelo corpo de Cristo”?

    A expressão “mortos para a lei pelo corpo de Cristo” é entendida pelos intérpretes como uma referência à morte de Cristo e a nossa identificação com Ele.

    Segundo Paulo, quem é o cabeça da raça humana?

    Paulo considerava Adão o cabeça e o representante da humanidade.

    Segundo Paulo, a lei e seus propósitos são bons?

    Sim. A Lei é boa e seu propósito também. O problema, portanto, não estava na Lei, mas naqueles que se regiam por ela.

     

    Quem pode nos ajudar no embate contra a velha natureza?

    O Espírito Santo, que habita em nós.

    SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

     

    A Lei, a carne e o Espírito

    Sobre o papel da Lei — Lembre-se sempre de que um dos métodos argumentativos do apóstolo em suas epístolas é o de criar perguntas retóricas a fim de ensinar determinada doutrina. Como por exemplo: se pela Lei eu conheço o pecado, então a Lei é má? O apóstolo responderá imediatamente: De modo nenhum (Rm 7.7). Se a Lei é de Deus, ela é boa e santa. Mas, então, ela se tornou morte para mim? — De modo nenhum (Rm 7.13) — mais uma vez responde o apóstolo.

    No versículo 7, o que vemos é o apóstolo Paulo rejeitando a ideia de que a Lei é má, ou é pecado. Pelo contrário, o apóstolo afirma que é pela Lei que conhecemos o pecado. Ou seja, não que pela Lei consumamos o pecado, mas o conhecemos. Aqui há uma diferença gigante entre o conhecer o pecado e o praticar o pecado. Alguém pode perguntar: Então o que fez o ser humano pecar? De pronto o apóstolo responde: “Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda a concupiscência: porquanto, sem a lei, estava morto o pecado” (v.8). Logo, a Lei não é pecado.

    No versículo 13, mais uma pergunta retórica: a Lei tornou-se morte para mim? A resposta do apóstolo é mais um vigoroso: De modo nenhum. Na sequência do texto o apóstolo Paulo mostra que o que ocorre é exatamente o contrário: quem produz a morte não é a Lei, senão o pecado. O pecado é quem produz a morte no ser humano. A Lei o desmascara e sobre ele nos convence.

    Lei e Pecado — Lei e Pecado são elementos diametralmente opostos. A santidade da Lei e em relação ao pecado é de uma seriedade e solenidade na epístola de Romanos ao ponto de o apóstolo deixar claro de que a Lei não é a ministradora do pecado ou da morte. Digamos que ela agrava o Pecado.

    Há um ditado popular que diz: “Tudo o que é proibido é mais gostoso”. A partir do momento em que o ser humano toma contato com a proibição é como se houvesse uma revolta contra aquela proibição e uma necessidade imensa de violar aquilo que está proibido. E nossa natureza pecaminosa. Se não quebrada a norma, nenhuma consequência. Mas no caso da pessoa que viola tal norma, sofrerá ela as consequências da norma. Por esse aspecto, podemos dizer que a norma agrava a violação, pois se não houvesse a norma não haveria a violação. Se houvesse Lei, não haveria o pecado. A graça de Deus apresentada pelo apóstolo Paulo implica num compromisso muito sólido e vivo com a ética do Reino de Deus e sua justiça.

  • 1º Trimestre de 2016 - O FINAL DE TODAS AS COISAS - Esperança e glória para os salvos

    1º Trimestre de 2016 - O FINAL DE TODAS AS COISAS - Esperança e glória para os salvos

    1º Trimestre de 2016 - O FINAL DE TODAS AS COISAS - Esperança e glória para os salvos

     


     

    Comentarista: Pr. Elinaldo Renovato de Lima

     

    Sumário
    Lição 1 - Escatologia, o Estudo das Últimas Coisas
    Lição 2 - Sinais que Antecedem a Volta de Cristo
    Lição 3 - Esperando a Volta de Jesus
    Lição 4 - Esteja Alerta e Vigilante, Jesus Voltará
    Lição 5 - O Arrebatamento da Igreja
    Lição 6 - O Tribunal de Cristo e os Galardões
    Lição 7 - As Bodas do Cordeiro
    Lição 8 - A Grande Tribulação
    Lição 9 - A Vinda de Jesus em Glória
    Lição 10 - Milênio - Um Tempo Glorioso para a Terra
    Lição 11 - O Juízo Final
    Lição 12 - Novos Céus e Nova Terra
    Lição 13 - O Destino Final dos Mortos

Capelanias, Hospitalar, Carcerária e Infantil

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Doutores da Alegria

  • O que é Capelania?

    O que é Capelania? Capelania é uma Assistência Religiosa e Social prestada aos serviços Civis e Militares, prevista e garantida pela Constituição Federal de 1988, sob a Lei 6923 art. 5 e inciso
  • CAPELANIA INFANTIL

    CAPELANIA INFANTIL “ Se Jesus é Deus e morreu por mim, nenhum sacrifício é demasiadamente grande para eu fazer por Ele” (C.T. Studd)   O que é Capelania?   Capela deriva-se do latim
  • CAPELANIA HOSPITALAR - Os Benefícios: ao

    A visita hospitalar e o cuidado espiritual oferecem benefícios distintos para os pacientes e seus familiares, o pessoal de cuidado médico profissional, a próprio hospital, e a comunidade dentro os

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Patterns for Layour: Boxed, Framed, Rounded
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